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O Homem da Semana – Nelson Mandela

10.01.2005 | Fonte de informações:

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Chamado por alguns de “terrorista” devido à sua devoção de lutar pelos direitos do seu povo, Nelson Mandela foi encarado com uma escolha dura e crua na sua saída da prisão, quando Presidente de Klerk abriu a África do Sul à comunidade internacional: seguir o caminho da sua diabólica esposa de então, Winnie, ou se tornar num estadista mundial.

Nelson Mandela tinha e continua a ter a astúcia, a coragem, a humildade, o senso comum e a inteligência de seguir o segundo rumo e seus constantes apelos para a paz na África do Sul evitaram o banho de sangue que muitos temiam. Esta semana, Nelson Mandela teve a coragem de declarar qual a razão pela morte do seu filho: SIDA.

Nos três anos em que faz campanha para organizar uma nova abordagem a essa doença na África, as palavras “abertura” e “honestidade” foram os constantes que ele aprendeu, noções que Nelson Mandela agora traduz em acção.

Ser honesto acerca desta doença é soletrar a verdade para os cidadãos da África, especialmente na região sub-Saariana, onde a negação a volta desta doença alimenta as chamas da ignorância que por sua vez cria todas as condições para a doença se espalhar.

Violar uma virgem para ganhar protecção contra SIDA não é fantasia nem é só uma história nas páginas dum jornal. É realidade em muitos países da região e quanto mais jovem a virgem, mais forte a protecção, assim vai a crença. Isso não quer dizer moças de quinze anos nem de cinco. Quer dizer, se possível, bebés recém-nascidas.

A África sub-Saariana, contém 60% de todas as pessoas infectadas com VIH/AIDS no mundo, numerando 25,4 milhões de pessoas. As cifras são tão chocantes quanto cruéis: 3,1 milhões de novos infectados em 2004, 2,3 milhões de mortes, quase 7% da população feminina entre 15 e 24 anos de idade infectadas e a esperança de vida abaixo dos 40 anos em nove países da região: Botswana, República Central Africana, Lesotho, Malaui, Moçambique, Ruanda, Swazilândia, Zâmbia e Zimbabwe.

O país com o maior número de doentes é África do Sul, com 5,3 milhões de sero-positivos em 2003.

Contudo, não é só na África onde a situação é grave. A honestidade e abertura de Nelson Mandela reflecta a abordagem de Mikhail Gorbatchyov, chamado perestroika e glasnost – re-estruturação e abertura, que quinze anos depois, faz todo o sentido relativamente a esta doença na Europa de Leste e na Ásia Central, incluindo um grande número de estados ex-soviéticos.

Em menos que uma década, o número de cidadãos sero-positivos na Europa de Leste e Ásia Central aumentou nove vezes. 210.000 pessoas foram infectadas com VIH/SIDA em 2004 e 60.000 outras morreram.

A Federação Russa é o país com maior número de pessoas afectadas na região e no continente europeu, o que não surpreende, dado que é o país com a maior população. Contudo, a estatística aponta um cenário preocupante: há 860.000 pessoas infectadas com VIH/SIDA no grupo etário entre 15 e 29 anos de idade.

Com entre um e dois por cento da população injectando-se com heroina ou cocaina e com entre 30 a 40% destes a partilharem as agulhas, a Federação Russa é um campo de cultura para milhares de novas infecções todos os anos. Se 25% dos utentes de droga intravenosa estão infectados, de acordo com o último relatório da ONU, indica um possível cenário de pior-caso de entre 700.000 e 1.200.000 novas infecções todos os anos.

Entre 1998 e 2003, a porcentagem de mulheres grávidas sero-positivas na Rússia aumentou por 28 vezes, de 25 até 3.531. Na Ucrânia, a taxa de infecção aumentou por 7% no ano 2000, por 13% no ano 2001 e por 25% em 2002.

No entanto, dos 45.000 pessoas que necessitam de tratamento anti-retroviral, somente 500 pessoas têm acesso a isso numa base regular. Na Letónia, o número de novas infecções aumentou por 5 vezes desde 1999. Na Estónia, o número de vítimas aumentou de 12 em 1999 até 840 em 2003 e na Lituânia, houve um aumento por cinco vezes no número de infectados entre 2001 e 2002.

Nenhuma das repúblicas ex-soviéticas estão livres deste flagelo, que sobrevive devido a ignorância e a ocultação da verdade. A falta de informação e a falta de honestidade são os piores inimigos das populações perante esta ameaça. Como disse Nelson Mandela, e como ele hoje faz, abertura, honestidade e verdade são a chave em atacar esta doença numa multiplicidade de níveis, utilizando uma combinação de ciência e educação como as armas principais nesta luta pela vida dos cidadãos.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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