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Kerry, por favor

09.09.2004 | Fonte de informações:

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Uma sondagem conduzida em 35 países, que demonstra sem qualquer dúvida que a opinião mundial favorece John Kerry sobre George W. Bush, sublinha a responsabilidade colectiva dos cidadãos dos EUA que querem que seu país retoma seu lugar no seio da comunidade mundial.

É verdade que aqueles que votam no dia 2 de Novembro não pertencerão à comunidade internacional, mas serão sim os cidadãos dos EUA e é verdade que ninguém tem o direito de lhes dizer em quem deverão votar. Contudo, dado que os EUA fazem parte da comunidade internacional e dado o registo da política externa de George Bush e seu regime, também é verdade que os cidadãos dos EUA têm uma responsabilidade colectiva não só perante eles próprios mas também perante o resto do mundo, quando registarem seus votos. George Bush focou sua política não nos Estados Unidos, mas fora e agora terá de enfrentar as consequências dessa escolha.

George W. Bush talvez fez mais prejuízo às relações entre os EUA e a comunidade internacional em apensas quatro anos, do que a totalidade dos escândalos anteriores durante os governos Republicanos e Democratas.

Não só cometeu o erro crasso de tratar a ONU com desprezo, organização essa de que os EUA é anfitrião (um anfitrião chega alguma vez a insultar seus convidados?), também quebrou a Carta da ONU e quebrou a Convenção de Geneva, lançando um ataque assassino e criminoso contra os civis inocentes do Iraque.

Não, não tinha nada a ver com o terrorismo internacional porque se tivesse tido alguma relação com isso, teria sido utilizado como principal desculpa. Lembrem-se, no meio daquelas mentiras e meias-verdades, daquilo que disseram? Não que o Iraque estava involvido em terrorismo internacional (porque não estava) mas sim porque constituia uma ameaça imediata aos EUA e aos seus aliados, porque tinha Armas de Destruição Maciça “em Bagdade e Tikrit e ao norte, sul, este e oeste destas cidades” (Rumsfeld).

Tendo satélites que conseguem fotografar uma caixa de fósforos, esses homens sabiam muito bem que mentiam entre os dentes. Mentiram ao seu povo, mentiram à comunidade internacional e além disso, pensando que o cidadão norte-americano é estúpido, foram talhando as mentiras, forjando uma ideia errada colectiva para impedir que as pessoas soubessem a verdade. Fizeram palhaços dos norte-americanos e todos os que engoliram as suas mentiras. Quantos leitores agora acreditam que o Iraque e o terrorismo internacional estavam integralmente ligados?

Agora, estão, mas só porque a guerra de Bush tirou do poder o único homem capaz de manter Al Qaeda fora das fronteiras do Iraque – Saddam Hussein. Alguém no governo norte-americano ou na imprensa dominada por Washington disse alguma vez que Saddam Hussein odiava bin Laden?

É George W. Bush que tornou o Iraque numa questão de terrorismo internacional, tal como seu pai colocou em moção o mecanismo do terrorismo islamista, armando e financiando os Mujaheddin no Afeganistão, esses que se transformaram nos Talebã. Perguntem a 3.000 nova-iorquinos as consequências.

Não, George W. Bush não torna o Mundo um sítio mais seguro – ele torna o Mundo num sítio bastante mais perigoso. Ele chefia um regime que é inteiramente dominado pela facção pro-Zionista, que por sua vez é controlada por uma elite riquíssima que não pensa duas vezes em gastar duzentos mil milhões de dólares dos impostos pagos pelos trabalhadores e depois mentir nas suas caras acerca das origens desta guerra, que por sua vez já ceifou as vidas de mil norte-americanos, causando inúmeros feridos, além de dezenas de milhares de iraquianos, mortos e feridos. Civis. Inocentes. Crianças.

Bush gosta de se apresentar como líder militar mas como é que se pode respeitar como líder militar um homem que fugiu à guerra e quem pode ter orgulho duma força militar que permite que seus soldados enfiem suas armas nas caras de rapazes aterrorizados, com seis ou sete anos, e que berram: “Leventem a porra das mãos, já!!” Quem pode ter orgulho dum regime que mantem Guantanamo como um campo de concentração, com tortura à mistura? Quem pode Ter orgulho de Abu Ghraib, a prisão onde alguns detidos foram esforçados a cometer actos de sodomia e a chuparem os pénis uns dos outros, e onde mulheres inocentes iraquianas foram violadas? Quem pode ter orgulho duma força militar que após mais que um ano ainda não domina nada no Iraque e que é esforçado a fazer pactos com grupos (que ele chama de terroristas) porque não os dominou ainda?

É essa a imagem exterior dos Estados Unidos da América que George W. Bush conseguiu criar e é essa a razão porque George Bush foi o único líder mundial que teve de fugir pela porta de trás do número 10, Downing Street, porque tinha medo de sair pela porta de frente, isso no lar do seu aliado mais próximo em Londres. É essa a razão porque quase nenhum membro do regime norte-americano ousa sair dum avião em qualquer parte do globo, é essa a razão porque Powell se esquivou de aparecer em Atenas ao lado dos outros membros da comunidade internacional.

Será esse o governo que acredita em Deus, que as boas pessoas nos Estados Unidos da América respeitam? Um governo responsavel por assassínio em grande escala, a chacina de civis, não uma mão cheia mas dezenas de milhares de pessoas? Um regime que atribui contratos sem concurso? Um regime associado com actos de tortura, não só num país mas já em dois continentes? Um regime associado com actos depravados sexuais, sistémicos e sustemáticamente practicados? Um regime associado com mentiras, mais mentiras e ainda mais mentiras, um regime que gasta centenas de bilhões de dólares que poderiam ser empregues em programas sociais?

Será essa uma razão para votar em George W. Bush? O homem cujo regime já fez referências à eventual invasão de outros países soberanos, de continuar suas guerras ilegais?

Na política doméstica, não seria apropriado um estrangeiro julgar, os cidadãos norte-americanos têm de decidir se George Bush criou mais empregos, ou se perdeu um milhão deles em quatro anos, se seus programas sociais melhoraram a vida dos cidadãos ou se alguma vez existiram, se a vida das crianças é melhor, se é mais facil comprar casa, se ele tomou conta dos pensionistas ou dos veteranos, se a pessoa média tem mais esperança no seu futuro?

A lembrar, haverá aquela factura dos duzentos bilhões de dólares a pagar. Alguém já lhos disse?

Os cidadãos dos Estados Unidos da América têm uma responsabilidade colectiva séria e importante perante os concidadãos do mundo na comunidade internacional, que querem recebé-los outra vez nesta comunidade, vivendo juntos como amigos, mas não com George Bush como Presidente. Nunca!

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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