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G8: Um primeiro passo

09.07.2005 | Fonte de informações:

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As palavras do Primeiro-ministro do Reino Unido descrevem habilmente a Cimeira dos G8 em Gleneagles, interrompida tragicamente pelos incidentes horríficos em Londres. Contudo, pela primeira vez, África e pobreza estão na mira das nações desenvolvidas e na Escócia esta semana, a boa vontade colectiva daqueles que têm o poder para fazer uma diferença foi evidente.

Apesar do facto que muitas ONGs reclamam que o resultado foi longe do esperado e que Gleneagles foi uma oportunidade perdida, é verdade que a dívida dos 18 países mais pobres em África foi cancelada e que se fez um compromisso a incrementar o AOD em 50 bilhões de USD. Nunca se pode descrever como um falhanço um acordo que duplica apoio aos países em vias de desenvolvimento, que perdoa a dívida de quase duas dezenas de países e que faz progresso significativo na perdão de dívida de outros Países Pobres Altamente Endividados.

O acordo

As dívidas dos 18 países mais pobres da África foram canceladas Os outros países africanos endividados podem candidatar-se para a perdão da dívida 50 bilhões de USD vão ser atribuídos em programas de apoio A União Europeia compromete-se a atribuir 0,56% do PIB para apoio até 2010 e 0,7% até 2015 A Autoridade Palestiniana recebe 3 bilhões de USD para infra-estruturas Serão treinados 20.000 soldados de paz para África Até 2010, toda a África terá acesso a medicamentos anti-retrovirais

É importante realçar o facto que a Cimeira dos G8 foi o primeiro passo numa linha de iniciativas que continuarão durante este ano e que irão dar seguimento a aquilo que foi conseguido em Gleneagles.

A reunião em Hong Kong ainda em 2005 sobre os subsídios aos agricultores será um primeiro passo no empenho a acabar com a política injusta de impor subsídios e tarifas, beneficiando o mais rico e castigando o mais pobre, enquanto na OMC se fala de práticas comerciais justas.

Ambientalistas desapontados

Para aqueles que queriam um acordo significativo sobre a mudança do clima, ainda há muito por fazer, pois os EUA estão entrincheirados contra Kyoto, afirmando que seria ruinoso para a sua economia. Contudo, em Gleneagles, o aquecimento global foi aceite como um assunto urgente, que é causado pela actividade humana e que terá de ser resolvido pelo ser humano.

Gleneagles foi um exemplo brilhante daquilo que pode ser conseguido quando a comunidade internacional se junta a volta duma mesa e fala positivamente acerca daquilo que pode ser feito para melhorar as condições de vida de seres humanos, em vez de deitar bombas em cima de civis, destruir intra-estruturas e cometer actos de chacina em grande escala.

As nações que se envolveram nessa actividade no Iraque não podem justificar-se por se mostrarem chocados pelos eventos indescritíveis em Londres mas Gleneagles marcou um contraste significativo entre os atitudes daqueles que se juntam em nome do bem e aqueles que persistem em cometer actos de maldade.

Nota máxima aos G8 pelo seu empenho e pela sua boa vontade, nota mínima para os assassinos que estragaram as vidas de dúzias de famílias em Londres e centenas de milhares de famílias no Iraque. O novo milénio pelo qual estávamos à espera com tanto entusiasmo se viu em Gleneagles. Em Londres, revimos nosso pior pesadelo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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