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Dia Internacional da Mulher

08.03.2006 | Fonte de informações:

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Muito tem sido feito no século e meio desde o aparecimento dos movimentos das sufragistas, que exigiram que as mulheres fossem consideradas como iguais, tendo o direito a votar ao lado dos homens. Longe vão os dias em que a sociedade considerou as mulheres como instáveis demais para formar uma opinião…em alguns países. Mas não em todos.

Não seria correcto assinalar o 8 de Março sem celebrar o sucesso da causa feminista em todo o planeta. Os resultados mais tangíveis desse sucesso foram a eleição das primeiras mulheres presidentes da África e da América Latina este ano, Ellen Sirleaf-Johnson (Libéria), e Michelle Bachelet (Chile). Enquanto a história esteja cheia de histórias de líderes femininas desde a antiguidade (Rainha Eyleuka da Etiópia, 3285 – 3240 AC; as Rainhas egípcias Hapshetsut, 1501 – 1498 AC, Nefertiti, 1372 – 1350 AC, Cleopatra VII, 51 – 30 AC; Elizabeth I da Inglaterra, 1558 – 1603; Rainha Nzingha de Angola, 1582 – 1663), muitas destas mulheres ganharam suas posições através do direito de nascimento e não mérito individual.

Mais recente e frequentemente, o continente africano produziu maior número de mulheres nos círculos governativos (Carmen Pereira, Chefe de Estado Interina da Guiné-Bissau, 1984; Primeira Ministra Sylvie Kinigi de Burundi, 1993/4; Primeira Ministra Agathe Uwilingiymana de Rwanda, 1993/4; Vice-Presidente Dr. Wandira Kagibwe de Uganda, 1994-2003; Primeira Ministra Mame Boye de Senegal, 2001/2; Primeira Ministra Luisa Diogo de Moçambique, desde 2004; Vice-Presidente Phumzile Mlambo-Ngcuka da África do Sul, desde 2005; Vice-Presidente Alice Nzomukunda, Burundi, desde 2005 e as Primeiras Ministras são-tomenses, Maria das Neves, 2002/4 e Maria do Carmo Silveira, desde 2005), um belo comentário sobre este processo do gradual aumento do estatuto da mulher na sociedade moderna.

Contudo, há que aceitar este 8 de Março que há ainda muito por fazer se quisermos dizer que a nossa espécie criou uma sociedade civilizada. Em vastas regiões da África e Ásia, muitas raparigas são esforçadas a desistir da escola para ajudar com as tarefas domésticas e em muitas áreas da África, são as raparigas que são supostas a apoiar o resto da família se um ou dois dos país faltarem. Mesmo que as taxas de escolarização para raparigas tenham melhorado, enquanto não sejam iguais às taxas para rapazes, é uma situação inaceitável.

Também não seria justo lembrarmos do dia 8 de Março sem lembrarmos da situação das mulheres em países onde lhes é atribuído o estatuto de um objecto, ou pouco mais. Enquanto se deve resistir a tentação de julgar outras culturas com valores alheios, não pode estar certo que mulheres sejam decapitadas em público por não usarem o véu, que é o caso no Iraque após Saddam Hussein.

Num país onde os direitos da mulher eram garantidos pelo governo do Presidente Saddam Hussein, e onde eram livres a trabalhar, ou caminhar, ou adorar Deus onde e como quiseram, a invasão liderada pelos EUA enviou este país para trás dois séculos em três anos. A Organização Iraquiana da Liberdade da Mulher (OWFI) realça que o regime fantoche criado pelos Estados Unidos em Bagdade apoia a lei de Sharia e este movimento celebra o 8 de Março de 2006 a clamar por secularismo, igualdade e liberdade para as mulheres no Iraque.

O regime fantoche de Washington em Bagdade até passou legislação que permite aos maridos baterem nas mulheres que “se portam mal”. Houzan Mahmoud, representante da OWFI em Londres, declara que, “A ocupação dos EUA/Reino Unido enviou a sociedade iraquiana para trás, para um mundo medieval onde a matança por honra, decapitação, uso esforçado do véu e servidão sexual fazem parte agora da vida quotidiana”.

A intrusão do regime de Bush numa área tão sensível do globo criou o resultado em que “uma guerra e uma ocupação que foram vendidas ao resto do mundo como liberdade e democracia, tem sido uma mão cheia de extremistas políticos de segunda e anciãos tribais, impostos sobre a sociedade iraquiana por um pseudo-parlamento e uma constituição que torna as mulheres iraquianas cidadãs de segunda”, diz Houzan Mahmoud.

Enquanto as mulheres iraquianas lutam para garantir sua própria liberdade, está certo que assinalemos este dia por lembrarmos delas, e tantas outras, e fazer o que podemos para no próximo futuro conseguirmos dizer que a Humanidade criou uma sociedade egalitária baseada em mérito individual e não o direito de nascimento. Isso passa pelas pessoas informarem-se sobre o que fazem os movimentos que apoiam os direitos das mulheres e apoiarem suas iniciativas.

O Organização das Nações Unidas recentemente elogiou o progresso desde a IV Conferência sobre a Mulher em Beijing há onze anos. Talvez a ONU constitua outro “primeiro” por eleger uma mulher para a primeira Secretária-Geral num futuro próximo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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