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Esse não é Saddam Hussein

07.07.2004 | Fonte de informações:

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Quando o mentiroso é inteligente e cuidadoso, ele convence porque é plausível e encobre as pistas da mentira. Contudo, quanto mais tempo a mentira for divulgada, mais pistas são deixadas. O regime de Bush nem foi inteligente, nem cuidadoso nem plausível na conduta da sua política em torno ao Iraque, que culmina agora na exposição ao mundo dum homem num tribunal no Iraque que afirmam ser “Saddam”. Se for, com certeza, não é o Saddam Hussein, ex-Presidente do Iraque.

As primeiras tentativas em justificar o acto ilegal de chacina chamado a Segunda Guerra do Golfo começaram em Dezembro de 2002, quando elementos dos serviços secretos dos EUA e Reino Unido forjaram documentos, tentando criar um elo entre Bagdade e Níger, que supostamente estava a vender urânio “yellowcake” para o “programa nuclear activo “ de Saddam Hussein. Mohammed El Baradei, Director da Agência Internacional para a Energia Atômica, imediatamente viu que os documentos eram falsificados, pois nem o tipo de letra, nem as assinaturas, nem os nomes batiam certo.

O resultado foi um encolher de ombros por Washington e Londres e um silêncio profundo.

De repente, Washington deixou de referir o programa nuclear de Bagdade, concentrando-se no Programa para Desenvolver Armas de Destruição Maciça e posteriormente, as ADM em si, armas químicas e biológicas, que constituíam uma ameaça imediata aos EUA e aos seus aliados.

Colin Powell apresentou “inteligência magnífica” ao Conselho de Segurança da ONU, com maquetes de plástico e fotografias de satélite de “facilidades químicas móveis”. Pouco depois, quando as equipas da UNMOVIC se demonstraram incapazes de encontrar este armamento, Washington declarou que “sabemos onde estão”.

Então se lançou o acto de chacina. Nunca encontraram ADM simplesmente porque nunca havia, nem as facilidades de produção e com certeza, nenhum programa nuclear. No entanto, estas mentiras foram esquecidas e já ninguém fala nelas. Que conveniente.

A seguir veio aquela história sobre o assassínio dos filhos de Saddam, quando uma frota de helicópteros e algumas centenas de tropas especiais travaram uma dura batalha com Ouday, Qusay, outro homem e um rapaz numa quinta no meio duma planície ao Oeste de Bagdade durante várias horas…. Pelo amor de Deus. Os corpos foram levados e só depois de um dia é que vieram as fotografias, mas pouca gente que as viu considerou que eram as fotografias dos filhos de Saddam (sendo quase irreconhecíveis).

Parece a história do rapaz que tenta justificar o facto que se esqueceu de fazer os deveres, dizendo que o cachorro os comeu, houve um incêndio em casa, caiu um helicóptero sobre seu quarto durante a noite e que seu saco escolar foi roubado quando entrou no recinto.

Depois, as fotografias do até então orgulhoso, meticuloso, limpíssimo, articulado Saddam Hussein a sair dum buraco como se fosse um vagabundo qualquer, com uma barba longa, cabelo de maluco e imundo…em Dezembro, mas com as tamareiras carregadas com frutos, que só acontece em Agosto??

Mais uma coincidência estranha.

A seguir, o “Saddam” mostrado ao mundo por Paul Bremer, cuja pausa “Senhoras e senhores….ahhhh….apanhámo-lo” traiu o sinal “vou mentir”.

Depois, sua mulher foi levada a visitá-lo em Qatar e ao vê-lo se riu, declarando que não era o marido dela.

Os norte-americanos conseguiram enganar-se a eles próprios, ou um grupo de norte-americanos estava a enganar os outros?

O “Saddam” do tribunal tem barba, enquanto Saddam Hussein nunca a usou. Por quê? Para tapar as provas? Para encobrir a linha da mandíbula ou outros ossos da face?

Agora, a gralha sagrada foi oferecida por Joe Vialls, que enviou seu artigo “Shaddam Shaddam’s new Vaudeville Scam” (“Falso Saddam e as novas tretas”) à redacção da PRAVDA.Ru, em que afirma que os fotógrafos foram proibidos de tirar imagens de “Saddam” no tribunal mas que pouco depois, uma fotógrafa, Christiane Amanpour da CNN, foi permitida entrar na sala e tirar centenas de metros de filme em vídeo e fazer fotografias a partir desta metragem.

Mas aqui foi o erro principal. Como Vialls aponta, o verdadeiro Saddam Hussein tinha uma dentição perfeita, em que os dentes superiores fecharam sobre os inferiores. A figura no tribunal, no entanto, demonstra os dentes inferiores muito irregulares e uma condição rara, em que os dentes inferiores fecham sobre os superiores.

Parece o Saddam, fala como Saddam. Pois, foi ensinado durante muito tempo.

No entanto, o registo dental não mente como Washington. A dentição do Presidente Saddam Hussein e a dentição do homem naquele tribunal não são iguais. Aquele homem detido pelos norte-americanos naquele tribunal não é Saddam Hussein.

Quanto mais baixo pode o regime de Bush cair?

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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