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Reportagem desde Palestina

07.05.2010 | Fonte de informações:

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'Pegadas de uma terra interminavel'

Tres dias nos territorios ocupados de Cisjordania som suficientes para
decatar-se do significado que 'Lager' (campo de concentracom em alemam)
pode ter na sociedade do risco contemporanea. A anulacom do regime de
cidadania de umha povoacom enteira pola via da emergencia, e a
fragmentacom em arquipelagos dos territorios e afectos que constituem o
centro de qualquer comunidade humana, som rasgos centrais da politica
etnica israeli.


Na periferia atopamos os tres eixos transversais de umha dinamica colonial
profundamente ambivalente, sofisticada e rudimentaria de umha vez, a
saber: impedir de forma fisica e burocratica qualquer apendice de livre
mobilidade da povoacom arabe do 'West Bank' (cisjordania); controlar,
tutelar e apoderar-se da capacidade de produccom material da mesma e,
finalmente, substraer de forma continuada os seus recursos e bens comuns.

Pero apenas tres dias som tambem suficientes para percatarse do
exponencial ejercico de dignidade que, colectivamente, atravesam
diariamente miles de pessoas nas terras da Palestina Historica.
Venres 30 de abril, 09.00 da manha. Tras horas de viagem, controis,
fronteiras e interrogatorios, atopamo-nos de novo na terra 'Filastin'. A
paradoxal alegria que produz atravesar o Chekpoint de Qalandya para entrar
no maior campo de concentracom do planeta fala as claras do mundo de
contrastes que habita nestes preto de 5.600 km2 de terra (di)seccionada.
Qalandya Checkpoint e a principal barreira que impide o transito de miles
de palestinianxs desde Cisjordania (West bank) cara a Al Quds (Jerusalem),
a sua historica capital.


Finalmente, na manha, somos miles xs civis que atopamo-nos sorteando as
barreiras entre decenas de militares voluptuosamente armadxs. Atravesando
intuitivamente um checkpoint que funciona como vertice de confluencia do
muro ilegal e que fracciona -etnica e religiosamente- as vidas de preto de
3 milhons de pessoas.


Venres 30 de abril, chegamos a Bi'lin ( http://www.bilin-village.org/ ) para
participar da manifestacom semanal contra o muro da vergonha. Um muro de
segregacom que, acorde com a estrategia colonial de ocupacom, e empregado
polo estado de israel como ferramenta expiatoria para roubar
sistematicamente as melhores terras e recursos das pequenas vilas
palestinianas. Fronte a esta nova forma de violencia e humilhacom a
resposta das gentes de Bi'lin e clara: desobediencia civil. Desde ha pouco
mais de 5 anos, cada venres, umha plural mobilizacom nom violenta percorre
a vila ate as posicons do muro, ate os acampamentos das tropas israelis.
Cada semana novas mobilizacons singulares: convocadas por comites
populares autonomos som expressons publicas novedosas nas que povoadorxs,
internacionais e activistas israelies contra a ocupacom caminhamos a um
tempo em Bi'lim ou nas diversas demostracons que nascerom tras o ejemplo
da vila fronteirica.

Ni'lin, Yayus o Budrus som, desde ha meses vilas onde
se reproduz este ejemplo molesto, o da cooperacom civil contra o muro,
respostado punitivamente pola maquinaria de guerra do Tzahal
( http://miblog-shomer.blogspot.com/ ) que, com novos ordenamentos, declara
cada venres 'zona militar fechada' (umha sorte de toque de queda
posdemocratico) as vilas desobedientes.


Na tarde, asistimos a ilusionante mobilizacom de Sheikh Jarrah
( http://www.en.justjlm.org/ ) na que centenares de pessoas participam de
umha iniciativa novedosa, vital. Sheikh Jarrah, bairro arabe de jerusalem
leste, sofre desde ha meses a ocupacom de vivendas por parte de colonos
judeus inspirados num extremismo mais humano que divino, amparadxs na
connivencia da policia israeli. Ante isto, num gesto convertido em
desafecto, miles de israelies mostram cada venres umha repulsa -ao fim
activa- como parte demasiado cativa de umha sociedade, a israeli,
paralicada e inmobil ante a constante violacom de direitos que deriva do
seu hegemonico monopolio da violencia.


O exemplo das coordenacons autonomas contra o muro
( http://almubadara.org/ ) dos comites juvenis de saude
( http://www.hwc-pal.org/ ), ou das multiplas cooperativas de mulheres
( http://palestineembroidery.wordpress.com/ ) acompanham-nos na calida manha
dum domingo entre Nil'in ( http://www.nilin-palestine.org/en ) e Ramallah.

Finalmente Palestina, nom se traduz so (como diria John Berger) num som
mais forte que um ouveo, mais apremiante que o lamento. Palestina e,
singularmente, um mar de dignidade colectiva contra brutal avanco do
deserto. Ante as injusticas sistemicas, hoje em dia cumpre estar do lado
dxs que tomam parte. Tomar partido aqui significa retomar velhas palavras,
pero sobre todo, agora emprender fermosas practicas: parte e fim,
solidariedade.

Aquí, na falda das colinas, ante o ocaso
e as fauces do tempo,
junto as hortas de sombras arrancadas,
fazemos o que fam xs prisioneirxs,
o que fam xs sem trabalho:
alimentamos a esperanza.

De 'Estado de Sitio'
Mahmud Darwish, grande poeta palestiniano.

Desde algum ponto cerca do rio Jordam,
t. e h. por FugaEmRede.

Imagens da brigada de FugaEmRede 'palestina, terra e territorio':
http://www.flickr.com/photos/fugaemrede/

Video da manifestacom do 30/4/10 em Bi'lin:
http://www.bilin-village.org/english/videos/8109-April-30-2010-Demonstration

 
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