Pravda.ru

Notícias » Mundo


Plano de Ação Brasil-EUA contra o Racismo

07.05.2009 | Fonte de informações:

Pravda.ru

 
Pages: 12
Plano de Ação Brasil-EUA contra o Racismo

Reunidos na sede do Departamento de Estado dos EUA, representantes dos governos, do setor privado e da sociedade civil brasileira e norte-americana realizaram na última quarta e quinta-feira (28 e 29/04) uma nova rodada de debates do Plano Brasil-Estados Unidos de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial.


O Plano de Ação, assinado em março do ano passado pelo ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, e pela então secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, tem o objetivo de estimular a colaboração para eliminar a discriminação étnica e racial e promover a equidade de oportunidades em ambos os países. Entre os eixos de cooperação, com orçamento de U$ 5 milhões, estão: preservação da memória, trabalho e renda, habitação, e acesso à justiça e ao crédito, com foco na educação.


As atividades tiveram início com apresentações do ministro Edson Santos, do embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota, e do secretário assistente para o Hemisfério Sul dos EUA, Thomas Shannon. Além do grupo de trabalho formado pelo tripé governo-empresariado-sociedade civil, estavam presentes à abertura congressistas americanos, e estudantes negros da Bahia e do Rio de Janeiro que participam nos Estados Unidos do programa de intercâmbio LEVANTAMOS – iniciativa integrante do Plano, com ênfase em relações empresariais.


Memória – O primeiro painel tratou da preservação da memória da Diáspora africana nas Américas. A participação brasileira foi garantida pela representante do Museu Afro-Brasil, Lygia Ferreira. Fundado pelo artista plástico Emanoel Araújo, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, o Museu possui o maior acervo afro das Américas, com mais de 4.500 peças dos séculos XVIII, XIX e XX. Em sua fala, Lygia Ferreira afirmou que a expectativa da instituição é ampliar a cooperação com os museus americanos, trabalhando com perspectivas comparadas.


“A luta contra o racismo será fruto do conhecimento sobre nós mesmos no processo de construção de nossos países, sejamos negros ou não”, afirmou a brasileira, na mesa ao lado do representante de um centro de cultura afro-americana em Nova Iorque, Hart Howard, e da presidente do centro Afro-caribenho de Cultura de Porto Rico, Martha Moreno. Durante o debate, o ministro Edson Santos sugeriu que o grupo trabalhe para a criação de um museu da história da Diáspora nas América, defendendo, além da criação de uma instituição física, o investimento em ferramentas virtuais, por sua maior capilaridade e capacidade de democratizar as informações para pessoas de todos os países do continente.


Cuba e Haiti – Durante intervalo nos trabalhos, em entrevista coletiva à imprensa, o ministro Edson Santos foi questionado se a experiência do Plano de Ação será estendida a outros parceiros. Ele respondeu que, além do trabalho já desenvolvido no campo da promoção da igualdade racial junto aos membros do Mercosul e outros países das Américas, a SEPPIR pretende firmar parcerias preferenciais com o Haiti, país no qual o Brasil desenvolve uma ação humanitária, e com Cuba. “Temos muito a aprender com Cuba, país no qual embora sejam minoria, os negros estão muito bem representados nos espaços de poder, como, por exemplo, à frente dos tribunais”, afirmou o ministro.


Comunicação – O painel seguinte reuniu David Sanders, da ONG Unidade Africana de Washington, e Antonio Carlos Malaquias, da ONG brasileira CEERT. A discussão girou em torno do uso de novas tecnologias de comunicação virtual – como facebooks, twiters e outras – para o combate à discriminação racial. Em suas manifestações, pessoas que estavam na platéia defenderam que as entidades “bombardeiem” os veículos de comunicação com mensagens sobre assuntos ignorados por estes órgãos, além de pressionar os anunciantes para que a imprensa incorpore os valores da diversidade.


Ao debater o papel da mídia brasileira no trato da discriminação, Malaquias avaliou que a cobertura é parcial no que tange à aplicação de ações afirmativas, como as cotas raciais para o acesso às universidades públicas. O que, no seu entender, se deve ao caráter “oligárquico” dos grupos que controlam os veículos de comunicação, que são “os mesmos que atualmente tem acesso às vagas nas universidades”.


Justiça – No período da tarde de quarta-feira, os trabalhos tiveram continuidade no Centro para Estudos Estratégicos Internacionais (CSIS), no centro de Washington, com a realização de um painel sobre Acesso à Justiça e Combate à Discriminação. Participaram da mesa o ministro Edson Santos, o representante do Conselho de Lideranças dos Direitos Civis (LCCR), Wade Henderson, a assessora do Ministério da Justiça brasileiro, Fernanda do Vale Caribé Schuknel, o representante da ONG CEERT, Antonio Carlos Malaquias, e a advogada norte-americana Elaine Jones, que há 30 anos se dedica à causa dos direitos civis nos tribunais norte americanos.


Os estadunidenses reconheceram o quadro de desigualdade entre negros e brancos nos EUA, várias formas veladas de discriminação e alguns casos de agressão aberta aos afro-americanos.

 
Pages: 12
9868
Loading. Please wait...

Fotos popular