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Entrevista com Chefe da Comissão Internacional das FARC-EP

06.04.2005 | Fonte de informações:

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01. Qual o segredo para manter 40 anos de resistência armada na Colômbia ? R/ Acreditamos que não se trata de segredo qualquer, mas de feitos concretos que têm tecido nossa história de resistência e de luta, cujo objetivo final é a construção de uma Pátria com governo e instituições, baseados nas idéias de nossos próceres para poder alcançar o grau de desenvolvimento que nos leve a viver em paz com justiça social e integrados profundamente à nossa Grande Pátria América Latina. Claro que nosso Exército Revolucionário conta com a condução de excelentes quadros, sendo o mais destacado o Comandante em Chefe Manuel Marulanda Vélez, o mais grande mestre e condutor na arte da guerra de guerrilhas móveis que existe atualmente. Esse pode ser um dos segredos. 02. Qual a principal vitória das FARC neste período e qual sua principal derrota ? R/ Ter já um Exército revolucionário, inspirado em Simón Bolívar, presente em todo o território nacional, com simpatia e apoio de grande parte da população ; integrado por camponeses, operários, estudantes, sacerdotes, profissionais das mais variadas categorias, indígenas e afro-descendentes. É de destacar a participação da mulher. Nosso Exército tem criado uma estrutura própria, inspirada no Estatuto, o Regime Disciplinário e as Normas de Comando que regulam a vida guerrilheira ; porta armas visivelmente, permanece fardado, tem Comando centralizado, normas muito precisas tanto para as relações com a população como para o respeito pleno dos capturados em combate e que passam a ser prisioneiros de guerra. Nossas armas e bandeiras representam uma alternativa real de Poder. Em poucas palavras, temos todos os requisitos políticos para ser reconhecidos internacionalmente como Força Beligerante. Sendo nossa Força armada muito pequena ainda, sofremos um duro fracasso consistente em que perdemos o setenta por cento dos homens e as armas. Isto foi em 1966, depois da Segunda Conferencia constitutiva das FARC. Só na Quinta Conferencia expressou o Comandante Manuel Marulanda: “Já nos reparamos do mal que quase nos acaba” 03. Que parte do território da Colômbia controlam hoje as FARC? R/ Indicamos já que temos presença em todo o território nacional. Ademais, incidimos na vida social, política e cultural em geral. Em inúmeros municípios a população em vez de se apoiar no juiz, na Polícia e outras autoridades guvernamentais para resolver seus problemas, procura a guerrilha das FARC porque sabe que ela ajuda com sua mediação a solucionar as dificuldades através do diálogo entre as partes. Quando os diálogos com Pastrana, tivemos a oportunidade de administrar os 42.000 quilômetros quadrados, que foram desmilitarizados. Aí organizamos uma espécie de Ministério da Justiça nomeado Escritório de Queixas e Reclamos, que junto a outras atividades administrativas, foi uma experiência bem sucedida. Se esse processo não tivesse sido ferido de morte pelo governo e o Império de América do Norte, com certeza Colômbia não estaria padecendo a guerra que sofremos hoje, cujos níveis são cada dia maiores. 04. Que relações têm as FARC com partidos políticos dentro e fora da Colômbia? Contamos com a simpatia e apoio solidário de partidos e movimentos políticos de América Latina e de outras partes do mundo. Claro que não somos moedinha de ouro, mas receber o apoio político de estruturas partidárias grandes e pequenas, eqüivale a dizer que eles entendem nossa luta e que são válidas as razões para estar em armas. Quem esquece o genocídio contra a União Patriótica, os magnicídios, os três milhões de enxotados dentro de nosso país... Não podemos esquecer a lição apreendida! Por isto e para evitar que o massacre seja repetido, temos organizado o Partido Comunista Clandestino e o Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, para que o povo se organize e lute, na clandestinidade. Nisto avançamos pouco a pouco, porque na Colômbia é política do Terrorismo de Estado assassinar, perseguir, torturar, enxotar os revolucionários e as demais pessoas que lutam pelas transformações que precisa nosso país. Aqui estão criminalizadas a protesta social e política. Isto, em um grau muito maior de perversidade está fazendo o atual governo narcoparamilitar. O mesmo Uribe não se incomoda quando é chamado de “paramilitar” 05. Aqui em Brasil as FARC transferiram já dinheiro para políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT)? R/ Nunca hemos entregado dinheiro a partido de qualquer país nem patrocinado campanhas eleitorais no estrangeiro. A reportagem apresentado por uma revista nesse país vizinho é totalmente infeliz, insana, ofende a honra da verdade, da ética jornalística e o direito do povo brasileiro de estar bem informado. Parecera que essa montagem forme parte de uma campanha desesperada de quem vêem que o povo latino-americano e caribenho está-se empenhando em conquistar novos espaços democráticos nos que possa ser o ator principal do processo de transformações profundas que lhe gerem progresso, bem estar e paz. 06. Qual a avaliação das FARC sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva? Para as FARC seu governo apresenta soluções para as questões sociais e econômicas em América Latina? R/ Seguimos com atenção a trajetória de vários governos cujos povos têm eleito presidentes no entendido de que seu mandato abrirá a porta para a solução dos graves problemas que padecem. Esses processos precisam de uma consciência política baseada no conhecimento da nossa história comum, da organização popular e do trabalho pela unidade com sentido estratégico. Corresponde ao povo brasileiro, a suas organizações e partidos avaliar a gestão de seu presidente. Nós, desde as FARC desejamos que seu governo alcance como disse Bolívar o maior grau de felicidade para seu povo. 07. Em 29 deste mês o presidente Lula se encontrará com os presidentes da Colômbia, Álvaro Uribe, o da Venezuela, Hugo Chávez e com o Primeiro Ministro de Espanha, José Luís Rodríguez Zapatero. Que mensagem gostaria às FARC enviar a estes quatro presidentes ? R/ Que nas FARC-Exército do Povo lutamos pela Paz com Justiça Social dentro do território colombiano, com vontade política para a solução dialogada do conflito. Continuamos mantendo a proposta da desmilitarização dos municípios Pradera e Florida no Departamento (Estado) do Valle del Cauca aqui em Colômbia para fazer e assinar com os enviados do governo a Troca dos prisioneiros em poder das duas partes. O governo receberia tanto os prisioneiros de guerra quanto os prisioneiros políticos a câmbio de que nos devolva todas as guerrilheiras e guerrilheiros encarcerados, incluídos Sônia, Simón Trinidad e Ricardo. 08. Como poderia ajudar o governo brasileiro no intento de solucionar o conflito entre as FARC e o governo da Colômbia ? R/. Hemos proposto a criação de um grupo de países amigos, incluído o Brasil, dada sua vontade de ajudar a facilitar a procura de uma saída à crise de nosso país que não seja a guerra, coisa na que estamos totalmente de acordo, já que ela não soluciona os problemas que padece o povo e pelo contrário os agrava mais ainda. Da mesma maneira lhe hemos proposto à ONU que nos receba oficialmente para poder expor aos países membros desta importante organização nossa opinião sobre o conflito social e armado assim como nossas propostas concretas em relação com sua solução. 09. Tiveram as FARC participação no seqüestro e assassinato da filha do ex-presidente Raúl Cubas, Cecília Cubas ? R/. Isto já foi explicado pela Comissão Internacional em um Comunicado que expedimos recentemente. O Império dos Estados Unidos de Norte América tem como objetivo colocar a opinião contra as FARC através de operações psicológicas e de tempo em tempo está circulando nos meios afetos a esta política suja, de diferentes países, propaganda cujo conteúdo falta à verdade e tem fins geoestratégicos. A tal ponto chega sua ingerência que através da propaganda têm criado um cenário político que até no Congresso dos Estados Unidos os democratas e republicanos têm aprovado orçamentos para a guerra aberta e encoberta. Aí estão os Planos Colômbia e Patriota, e de velha data, desde a Escola das Américas, com orçamentos e instrução para os oficiais de inteligência colombianos, para a mais assassina força paramilitar, que desde os anos 70 dessangra o país. Dos sindicalistas assassinados no mundo, o 98% deles tem sido na Colômbia. Acrescentemos a isto a eliminação física da União Patriótica para tira-la do cenário político permitido pela Constituição e a política de enxotar colombianos, cujo número supera os três milhões de pessoas. E o mais grave atualmente é a legalização dos verdugos narcoparamilitares por Álvaro Uribe Vélez para institucionalizar a impunidade dos crimes de Estado na Colômbia. 10. As FARC reconhecem que algumas de suas ações podem ser qualificadas de terroristas? R/. Na guerra é possível que se apresentem errores, mas em nosso caso isto nada tem a ver com a linha política. Em câmbio, o Terrorismo de Estado, convertido em espinha dorsal dos sucessivos governos que tem tido Colômbia, não é mirado como terrorismo, mas como defesa da democracia. Desta forma é apresentado pelos donos do poder. Uma das conseqüências deste Terrorismo de Estado é que ao povo colombiano e especialmente aos revolucionários em armas, através de falcatruas jurídicas lhes eliminaram o direito à rebelião, à insubordinação contra a violência oficial e contra a barbárie governamental. Tem-se chegado ao ponto de sacar ilegalmente de Colômbia a guerrilheiros para que sejam julgados em outro país, na mais descarada violação da soberania nacional. Acusações? Não, montagens jurídicos da pior espécie. Antes do 11 de setembro, incluso no governo de Pastrana se nos reconhecia como força política de oposição ao Estado. Hoje continuamos sendo porque somos alternativa real de Poder. A partir de essa data começaram a nos chamar de terroristas. Por que? Porque EUA necessita pretextos para fazer a guerra em defesa da “democracia”, entenda-se, seus interesses. 11; Qual é o sentimento de vocês nas FARC quando guerreiam contra seus próprios cidadãos da Colômbia? R/ Afirmamos que não fazemos a guerra pela guerra, mas que obrigados pelas circunstancias políticas nos vimos na necessidade de enfrentar armas com armas. Nos a impõem os que têm-se apropriado do poder e seu maior suporte é a ingerência escancarada de EUA. Hoje não existe governo colombiano porque a oligarquia faz o que diga a Casa Branca, vale dizer, o FMI, as transnacionais e seu aliado estratégico, o Pentágono. Vamos para 41 anos enfrentando operações de extermínio. Basta lembrar que em Marquetalia duas mulheres e 46 homens enfrentaram uma operação militar de 16.000 soldados. EUA montou o Plano chamado Latin América Sequrity Operation (LASO) financiando, assessorando e armando o exército agressor, igual a como faz hoje com os Planos Colômbia e Patriota. Como sabemos que Colômbia tem saídas distintas da confrontação armada, sempre hemos tentado aclimatar propostas concretas, mas as respostas recebidas têm tido um denominador comum: Mais guerra contra o povo. Isto o sabem governos, parlamentos, organizações sociais e organismos internacionais. E aqui voltamos a repetir que os problemas da Colômbia se resolvem por caminhos distintos à guerra. 12. Em Colômbia cada cidadão é um país estrangeiro, diria o grande escritor Gabriel Garcia Márquez. As FARC têm uma explicação para tanta divisão dentro de um território? R/. Percorrer a pé um pais como Colômbia, falar e falar com tantas pessoas no dia a dia, nas comunidades, regiões, povoados, cidades grandes e pequenas, compartir tantas e tão variadas culturas, conhecer seus problemas e ouvir sua voz plena de esperança, compartir seus sentimentos, alegrias e tristezas buscar saídas para aquilo que lhes tem negado e que por direito lhes corresponde, assumir o compromisso de obter a vitória, nos leva a afirmar que em cada colombiano honesto e em pé de luta, há uma semente da Nova Colômbia. Essa realidade que vivemos todos os dias está longe do que você diz sobre Garcia Márquez. 13; Existe algum tipo de relação entre as FARC e o MST ou com outros movimentos sociais do Brasil? R/. Com movimentos de outros países temos elementos em comum como a luta pela Reforma Agrária, pela educação, a melhoria tecnológica, assistência técnica e o apoio financeiro para a produção agropecuária e a investigação científica, a promoção integral dos povos indígenas, a luta contra a ALCA e a dívida externa e o neoliberalismo. Ademais hemos tido a oportunidade de cumprimentar em encontros internacionais importantes lideranças desses movimentos com conhecimentos que admiramos. Nós estudamos as experiências geradas por outras lutas para fortalecer nossos conhecimentos. Possivelmente eles farão algo similar. Todo isto porque em cada país o povo vai fazendo sua própria experiência, que sem dúvida nos levará rumo a aquilo que todos esperamos: Uma América Latina unida e soberana! Para lá vamos... 14. De onde as FARC tiram dinheiro para seu sustento? Com quê recursos compra comida para tantas tropas? R/. Governos anteriores aprovaram uma lei que nomearam “Imposto para a guerra” na qual toda pessoa com capital a partir de 80 milhões de pesos deve contribuir para a guerra. Então, nas FARC aprovamos duas leis. Uma, estabelecendo um “Imposto para a Paz” indicando que toda pessoa com capital a partir de um milhão de dólares deve aportar às arcas das FARC o 10% sobre o monto do capital e se a pessoa tenta sonegar, a porcentagem pode ser aumentado. A outra é a lei “Anti-corrupção”, segundo a qual a pessoa que pegue indevidamente recursos do erário público, será chamada a prestar contas e obrigada a fazer o reembolso do dinheiro. Se não cumpre o estipulado na lei, poderá ser privada da liberdade até que pague. Por outra parte, recebemos apoio de caráter voluntário de pequenos e médios empresários, comerciantes, fazendeiros, assim como doações de pessoas de poucos recursos. Essas últimas têm para nós significado especial. Também produzimos, pois as guerrilheiras e guerrilheiros logo de estar na linha de fogo, passam a estudar e trabalhar a terra por determinado tempo. Ou seja, temos planes de produção para a autosustentação. 15. As FARC plantam coca? Protegem plantadores de coca? Protegem narcotraficantes? Recebem dinheiro de pedágios dos narcotraficantes? R/. Em 1984 chegou em Colômbia o ex-diretor da CIA Lewis Tamb como embaixador dos ianques. Um de seus “bons ofícios” consistiu em buscar um pretexto para a partir daí atacar s FARC através de uma das campanhas mais sujas vista até hoje, visando golpear a imagem e o prestígio da nossa Organização. Tem sido uma operação psicológica sem trégua e de caráter mundial, impedindo que muitas pessoas possam ter conhecimento real do que somos. Assim tem sido sempre. O narcotráfico é um problema do Estado. Movimenta muito dinheiro e dele participam pessoas importantes e os paramilitares, coisa sabida pelas autoridades civis e militares, corpos de inteligência nacionais e estrangeiros. Atualmente, em Santa Fe del Ralito, o governo está legalizado as imensas riquezas obtidas através desse negócio ilícito e ilegal, cobrindo com a mais vergonhosa impunidade os paramilitares que são os responsáveis de crimes de lesa humanidade e ajeitando a reeleição de Uribe Vélez. O control do paramilitarismo está nas mãos das Forças Armadas, assessoradas por corpos de inteligência norte-americanos e não tem parado desde que o Capitão Tarazona e o Tenente Ariel Otero no município de Porto Boyacá pactuados com os sicarios do cartel de Medellín, iniciaram tão macabra tarefa. 16. Realmente, as FARC negociaram com o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, cambiando drogas por armas? R/. As armas são consideradas atualmente como o primeiro rubro da economia mundial, cuja produção está sob estrito controle militar e sua compra e venda está também regulada por políticas internacionais através de agentes oficialmente acreditados pelos países que têm multinacionais deste negócio. Que se conheça, Beira-Mar não tem sido mencionado como ligado a multinacional qualquer produtora de armas e essas não tem informado sobre negócios com Beira-Mar. Dá para entender que esse senhor ande por aí vendendo ou cambiando armas por droga para as multinacionais? 17. Que propostas têm as FARC para acabar definitivamente com os conflitos dentro de Colômbia? R/. Temos uma Plataforma para um Governo de Reconstrução e Reconciliação Nacional para alcançar a Paz com Justiça Social. Para isto é fundamental ter entre as partes vontade política para sentarmos a dialogar com um governo que nos reconheça o caráter político alcançado nos mais de 40 anos de luta. Hemos proposto isto sempre e seguimos insistindo nessa solução incruenta. Se chegarmos a um Acordo, este deve ser ratificado pelo povo mediante um mecanismo idôneo, como uma Constituinte. Este seria um primeiro passo para a partir daí solucionar todas as causas que originaram o conflito. 18. A concentração de venenos usados para erradicar plantações de coca que efeitos tem provocado nas populações das regiões controladas pelas FARC? R/. Antes de iniciar a guerra química no Sul do país, EE. UU. construiu acampamentos para refugiados colombianos em Sucumbios, município que fica no Norte do Equador, porque o objetivo estratégico não é acabar as plantas de coca e sim enxotar toda a população para que fiquem a vontade as multinacionais norte-americanas nessas ricas regiões. O glifosato, veneno proibido nos EE; UU. é vendido e reforçado na capacidade destrutiva pela multinacional Monsanto. As fumigações arrasam plantios de café, cana, mandioca, milho, banana, arroz, todo o que os camponeses plantam. Matam gado, aves de curral, peixes y, geram doenças desconhecidas nas pessoas, sendo as miais prejudicadas as mulheres grávidas e as crianças. Muitas pessoas tem morrido. Com a guerra química chegou o Terror paramilitar do Estado assassinando pessoas indicadas pela inteligência militar. Os verdugos lhes injetavam glifosato nas artérias diante de muitos moradores para que presenciaram o suplício de seus amigos até a morte. Tão macabra operação está en andamento em outras áreas do país, perjudicando enormemente a biodiversidade e as comunidades camponesas em uma absurda violação da soberania e dos Direitos Humanos. 19. As fumigações com este veneno têm contaminado em grande medida os rios que entram no Estado do Amazonas causando a morte de peixes? R/. Hemos denunciado a guerra química que é uma agressão à biodiversidade da Amazônia com o uso do fuxarium oxisporum, o glifosato modificado e reforçado na sua capacidade destrutora, pragas manipuladas em laboratórios como o verme “clinton”. Quando os diálogos em San Vicente del Caguán foram apresentadas pessoas com doenças estranhas, conseqüência das fumigações. Todo isto forma parte dos Planos Colômbia e Patriota, primos irmãos da ALCA. Essa guerra química avança junto com o paramilitarismo, o enxotamento dos camponeses, a expropriação de terras dos nativos pelo latifúndio para as grandes plantações de palma oleaginosa, cria de gado da Federação de pecuaristas (FEDEGAN). Se trata de uma recolonização paramilitar e a implantação do negócio do sêculo de interesse geoestratégico feito pelas multinacionais, dadas as grandes riquezas existentes na região. 20. O Plano Patriota, a mais recente operação militar na Colômbia, poderá derrotar as FARC? R/. A guerra na Colômbia está causando mais mortes em combate que a guerra no Iraque. Colômbia é o terceiro país depois de Egito e Israel, onde EUA mais investem na guerra. O Plano Patriota é até hoje a maior operação militar jamais vista. Tem mais de 800 assessores militares norte-americanos e mais de 1.600 técnicos que trabalham para multinacionais dedicadas à guerra. Modificaram a estrutura das forças para operar sob comando único. Porém, esse Plano não tem dado os resultados esperados e por isto o governo, o alto Comando e os grandes meios de comunicação têm-se dedicado a enganar a opinião nacional e internacional apresentando as coisas como se estivessem ganhado a guerra. Nossos boletins de guerra mostram o duro que está sendo a confrontação e a demencial atitude do governo de acabar com a oposição na Colômbia. 21. Quantos prisioneiros de guerra têm as FRAC hoje? Há brasileiros na lista? Que condições pedem as FARC para a troca de prisioneiros? Concordam em que outros países ajudem? R/. Temos comandos do Exército e da Polícia. Na lista dos políticos estão os 12 Deputados Estaduais do Departamento do Valle del Cauca, alguns congressistas, el ex-governador Alan Jara, o ex-ministro de Estado Fernando Araujo, aexcandidata presidencial Ingrid Betancourt e sua assessora Clara Rojas. Estrangeiros temos somente os três oficiais da CIA, que estão incluídos na lista. Com nossa proposta de acordo queremos responder ao clamor nacional pela troca e esperamos que o governo tenha igual sensibilidade. Hemos dito que a facilitação pode se concretar a partir do apoio que países amigos nos possam dar. 22. Existe a possibilidade de que algum dia as FARC ocupem alguma área do território brasileiro? R/. As FARC-Exército do Povo em sua Oitava Conferência definiu claramente que nosso acionar é dentro das fronteiras da Colômbia e definiu claramente que nosso acionar militar é dentro das fronteriras da Colômbia e de respeito dos territórios, povos e autoridades dos países vizinhos. Dizemos também que esperamos reciprocidade. 23. Como avaliam as FARC a política dos EUA em relação com Colômbia? R/ Como brutal e infame, dada a ingerência aberta e/ou encoberta através de seus agentes. O responsável principal da situação de guerra que vivemos está na Casa Branca. Seu plano consiste em impedir que o povo colombiano alcance sua libertação nacional. Por isto tanto crime, tanta violência, desde magnicídios até crimes de lesa humanidade. Junto a isto estão as imposições do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das transnacionais, especialmente as norte-americanas. E como o povo tem o direito de se defender da agressão, tem organizado a resistência e continua resistindo. O ideal seria que a luta política fosse sem guerra, ou seja, através de outros caminhos que existem, mas o atual presidente não quer saber de diálogo, de paz, de tolerância política nem democracia real, mas de guerra contra o povo.

Raúl Reyes, chefe da Comissão Internacional das FARC-Exército do Povo. Montanhas da Colômbia, março de 2005 Com a cortesia do Jornal do Brasil

 
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