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Corrigir o que está mal

06.01.2005 | Fonte de informações:

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Os que têm, têm uma responsabilidade maior do que aqueles que não têm, porque na grande maioria dos casos, os países mais ricos enriqueceram ao custo do saque dos recursos dos países menos desenvolvidos. Se podem gastar 200 bilhões de dólares em chacinar milhares de civis no Iraque, como é possível que não há recursos para auxiliar os 30.000 crianças que morrem diariamente de doenças tratáveis?

Se os países mais desenvolvidos acham que a História irá julgá-los com páginas cor-de-rosa, seria melhor pensarem outra vez. O livro da História não se escreve por contemporâneos, é escrito por gerações futuras que têm o benefício duma visão mais objectiva dos eventos.

Se os líderes dos países que participaram no acto criminoso de chacina que se chama a vendetta dos neo-conservadores norte-americanos contra o Iraque, pensam que o livro da História irá julgá-los como pessoas que defenderam o bem, enganam-se.

A resposta à calamidade colossal na Ásia depois do maremoto, que tirou a vida de talvez 200.000 pessoas, demonstra que tipo de ser a Humanidade se tornou. Um acto colectivo de dar palmadas nas costas e regozijar por causa de termos angariado 4 bilhões de dólares, que, por notável e nobre que seja, se dissipa na insignificância quando comparamos essa quantia com os 200 bilhões de dólares gastos no Iraque.

Jan Egeland, o coordenador das Nações Unidos para a emergência na Ásia, disse recentemente que todos os dias, 30.000 crianças morrem de doenças que seriam fáceis de tratar, devido ao facto que os recursos não são devidamente encaminhados dos que têm para os que não têm. Jan Egeland diz que é uma questão dos países mais desenvolvidos serem “incapazes ou com falta de vontade” de ajudar, fazendo o investimento necessário.

Evidentemente, é uma questão de falta de vontade e não falta de capacidade, porque se há recursos para manter um exército de ocupação no Iraque por tempo indefinido, travando uma guerra cada vez mais sangrenta contra um exército de libertação que conta com sensivelmente 200.000 efectivos (a crescer), então claro que há recursos para construir as infra-estruturas para canalizar água potável a aqueles que precisam.

Porém, as forças de Donald Rumsfeld acharam bem mais fácil esmagar as infra-estruturas do Iraque, escolhendo como alvos militares estações de electricidade, fornecimento de água e tratamento de resíduos num acto chocante de terrorismo de estado, em vez de canalizarem as suas energias para outras áreas de actividade, como salvar, e não tirar, vidas humanas.

30.000 crianças todos os dias contabiliza 210.000 por semana, todas as semanas, 24 horas por dia, sete dias por semana, todos os meses e todos os dias do ano, todos os anos.

Se as Humanidade julgar que faz bem, atirando 4 bilhões de dólares para o chapéu para financiar em parte a reconstrução das zonas devastadas pelo maremoto, enquanto Bush e seu clique de elitistas corporativos super-ricos esbanjam centenas de bilhões de dólares num acto de crueldade e destruição e enquanto, desde que o leitor começou este artigo, cerca de cem crianças perderam suas vidas (ou nunca as tiveram) devido a doenças facilmente tratáveis, então o livro da História irá julgar-nos, todos, pelo tipo de sociedade que criámos e em que aparentemente muitos se sentem bem aconchegadinhos.

O Ano Novo é uma altura para pensarmos bem e melhor sobre quem somos, o que somos, aonde vamos e se nos sentimos realmente felizes com aquilo que vemos no espelho.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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