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Kirchner, Robespierre sem guilhotina

05.06.2003 | Fonte de informações:

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Sabendo os desejos da população argentina, Nestor Kirchner iniciou a ofensiva contra o sector público com a pior reputação. Depois de reformas dezenas de generais do Exército, almirantes e comandantes da Força Aérea, o novo alvo é o Supremo Tribunal de Justiça, nomeado pelo Presidente Carlos Menem.

Numa entrevista televisiva, Presidente Kirchner pediu ao Congresso que acelerasse o processo de destituição de “alguns membros” do Tribunal, numa referência clara a aqueles membros que, após a sua nomeação por Menem, formaram o assim-chamado “maioria automática” (cinco dos nove juizes que apoiaram as decisões controversas de Menem durante a década de 90.

Contudo, o objectivo principal de Nestor Kirchner é tirar o Presidente do Supremo Tribunal, Julio nazareno, que tem ligações provadas a Menem. “Ele faz parte dum passado que não quer mudar”, disse Kirchner. Na Segunda-feira, Nazareno disse que não iria demitir-se e referiu a um número de decisões que ainda poderiam ser tomadas, que iriam desestabilizar o país. Falando deste assunto, Nestor Kirchner declarou “Nós precisamos do apoio dos cidadãos da Argentina. Precisamos de preservar as instituições dos homens que as põe em perigo”.

A ofensiva contra o Supremo Tribunal vem uma semana depois de o novo Presidente Ter decapitado o Exército, retirando 50 dos oficiais mais elevados, que usaram um processo de lobbying para proteger outros oficiais que eram acusados de abusos de direitos humanos. Também retirou dez oficiais da Polícia Federal das suas funções porque eram suspeitos de pertencerem a redes de crime organizada.

Há quem teme que o entusiasmo do Kirchner poderá levar a um confronto entre os poderes. Elisa Carrio, líder da coligação de centro-esquerda Argentinos para uma República de Iguais (ARI) pediu ao Presidente Kirchner que actuasse passo a passo e não lutar em todas as frentes na mesma altura.

Contudo, há pouco tempo na Argentina de hoje para criticar as políticas de Kirchner, porque as denúncias contra o Exército, a Polícia Federal e o Supremo Tribunal eram graves e consistentes. Por isso, é uma questão de métodos.

Tal como na França de 1793, quando a controvérsia sobre o destino de Luis XVI levou à discussão entre Robespierre e Condorcet sobre se o rei deveria ser morto imediatamente ou depois do devido processo legal, há uma situação parecida na Argentina. Não se discute o rei, a questão é se o Jacobinismo é suficientemente forte para sobreviver.

Hernan ETCHALECO PRAVDA.Ru BUENOS AIRES ARGENTINA

Traduzido por Olga SANTOS

 
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