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Al-Qaeda perto da bomba

05.05.2008 | Fonte de informações:

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Ontem, Kazai, presidente do Afeganistão, escapou de atentado assistindo num palanque a um desfile de sua tropa. Ao seu lado estavam embaixadores e visitantes de vários países. Na hora do tiroteio e explosões a tropa correu sem controle. Foi na capital, Kabul, sete anos depois de invasão E guerra de americanos contra o Talibã que governava o pais.


O Afeganistão foi criado no século 18 por um sheik guerreiro. São mais de 600 mil quilômetros de extensão sem saída para o mar. Tem fronteiras com os países vizinhos, parte deles antigas repúblicas da União Soviética, e China, Paquistão, Irã. Mas desde os seus primeiros dias quem governava em Kabul, a capital, jamais mandou em todo o país cujo domínio de fato foi e continua dividido entre chefes e tribos. Foi conquistado mas jamais dominado.


São inesquecíveis e incontáveis as histórias das batalhas enfrentadas pelas tribos entre elas e invasores. Foi incluída no império britânico do qual se tornou independente em 1919 pois era trabalho demais tentar controlar as tribos. Teve rei, suposta democracia, guerra civil. Em 1979 um sistema comunista assumiu e recebeu apoio direto de forças soviéticas. O povo de religiosidade extrema via o comunismo como o inimigo de Ala (Deus). Revoltou-se. E as inúmeras facções e tribos partiram para a guerra de guerrilhas nas quais eram e são mestres.


A CIA americana ajudou as guerrilhas com armas e assessores militares usando da fronteira com o Paquistão como ponto de passagem. Em 1989 os russos comunistas se retiraram desmoralizados e derrotados. O retorno da tropa contribuiu para a queda da União Soviética. E as tribos e facções entraram em guerra civil disputando o poder. Ganharam os Talibãs, palavra que significa estudantes, os dedicados aos escritos sagrados. Aqueles que cumprem as leis conforme reveladas por Alá a Maomé, o profeta e mensageiro, cumprem ao pé da letra.


O interesse americano foi o de enfraquecer a União Soviética. Eram os anos da "guerra fria", do equilíbrio do poder atômico que inviabilizava guerra direta. A luta se fazia por meios indiretos. A tática era a de fortalecer organizações simpáticas a cada lado. Assim, Fidel derrotou um ditador pró-americano em Cuba e logo recebeu qualificação de intocável aliado soviético. Não raro, na perseguição de objetivos claros também chegam resultados não desejados. Bin Laden, jovem milionário saudita ultra-religioso, voluntário na guerra do Afeganistão contra os comunistas, também é contra a cultura ocidental pois quer o Islã, sua fé, praticado em toda a sua pureza.


Implantou o Al-Qaeda (organização) no Afeganistão sob a proteção do Talibã. Em setembro de 2002 promoveu um dos mais mortíferos e bem organizados atos de sabotagem. O ataque e destruição das Torres Gêmeas de Nova Iorque. Bush declarou sua guerra ao terrorismo e invadiu o Afeganistão.Suas tropas tomaram Kabul. Vitória? Anunciada como total. Foi parcial. O Talibã se reorganizou, rearmou e domina de fato boa parte do país. O Al -Qaeda tem suas teias por todos o mundo. A luta prossegue diariamente sem sinais de findar. A audácia e perfeita execução do atentado a Kasai foi mais uma demonstração de que ainda não se tem a doutrina militar correta para enfrentar e destruir os grupos que não devem obediência a lei alguma a não ser a de seus interesses.


A força militar não se impôs no Iraque. O Hamas palestino (organização de resistência islâmica) continua sua guerra a partir da Faixa de Gaza. O Hezbolah xiita, libanês, é um poder temível. Da Somália partem piratas que atacam e capturam navios modernos. O terrorismo escolhe seus alvos e momentos para atacar.


Onde está Bin Laden? E o Paquistão vizinho que tem arsenal de armas nucleares promete expulsar os cerca de dois e meio milhões de afgãs refugiados no país que são pesada carga de problemas de todos os tipos. E, pouco se diz, mas o Al-Qaeda e grupos afins, com amplos recursos advindos, no caso do afegã, da maior produção mundial de coca, pagariam o que fosse por uma bomba. Em dinheiro ou vidas. Empregariam –na. É o que se teme.

Por Nahum Sirotsky em Israel
Último Segundo - IG

Fonte: http://www.guiasaojose.com.br/novo/coluna/index_novo.asp?id=914

 
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