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Relações russo-paquistanesas

04.02.2003 | Fonte de informações:

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PERGUNTA: Como se iam desenvolvendo as relações russo-paquistanesas nos últimos anos? A.YAKOVENKO: O Paquistão ocupa um lugar importante nas prioridades da política externa da Rússia, determinadas tanto pela influência que este país tem na região limítrofe com as fronteiras dos países da Comunidade de Estados Independentes, como no mundo islâmico em geral. A parte russa destaca com satisfação a intensificação dos contactos russo-paquistaneses em todos os níveis incluindo o mais alto que se tem verificado nestes últimos anos. Durante a cimeira da Conferência sobre a cooperação e as medidas de confiança na Ásia (CCMCA), celebrada em Alma-Ata em Junho de 2002, os presidentes da Federação Russa e do Paquistão - Vladimir Putin e Pervez Musharraf, respectivamente - estabeleceram um diálogo político construtivo. Durante a visita actual de Pervez Musharraf à Rússia as partes planeiam dar continuidade a este diálogo e abordarão um vasto leque de problemas bilaterais, regionais e internacionais.

Também em diante a Rússia propõe-se cooperar com o Paquistão com vista a suprimir todas as divergências que ainda existem e fomentar vínculos frutíferos em todas as vertentes, evidentemente que não seja em prejuízo às relações com os parceiros tradicionais da Rússia. O nosso ponto de partida é o seguinte: o melhoramento e aprofundamento do diálogo construtivo com o Paquistão têm de contribuir para estruturar uma ordem mundial multipolar que garanta a toda a comunidade mundial a estabilidade estratégica e segurança, sobretudo tendo em conta a eleição do Paquistão a membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU para os próximos dois anos.

PERGUNTA: E quais são as prioridades no diálogo entre a Rússia e o Paquistão no momento actual?

A.YAKOVENKO: Nos contactos bilaterais a parte russa dá ênfase à situação existente na Ásia Meridional. Opinamos que a normalização das relações entre a Índia e o Paquistão corresponde aos interesses dos dois países e contribui para a consolidação da estabilidade e da segurança nesta parte do vasto continente asiático. Se o Paquistão cumprir à risca os compromissos assumidos no sentido de impedir a infiltração dos terroristas através da Linha de Controlo para o Estado de Jamu e Caxemira, se desmantelar as infra-estruturas terroristas em seu território, tudo isso criaria as premissas indispensáveis para a retomada do diálogo entre os dois países em litígio.

Com o Paquistão estamos a tratar também os assuntos relacionados com a normalização da vida no Afeganistão pós-guerra, as formas de regularização global da situação em torno do Iraque, a situação no Médio Oriente sempre à luz das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e com o papel de protagonista desta organização internacional. Em Islamabad conhecem as nossas preocupações relacionadas com os desafios e perigos do terrorismo, extremismo e narcotráfico provenientes da zona afegano-paquistanesa. Temos o reconhecimento e valorizamos a participação do Paquistão na operação antiterrorista conduzida no Afeganistão e as medidas que adopta a Administração de Pervez Musharraf para neutralizar as actividades das organizações islâmicas belicosas no Paquistão propriamente dito. Esperamos que o cumprimento correcto dos compromissos de reprimir o terrorismo assumidos por Islamabad perante a comunidade mundial virão a pôr fim à fuga dos terroristas a outros países, na tentativa de evitar o castigo justo e merecido.

PERGUNTA: E que importância atribuem na Rússia à cooperação com o Paquistão na esfera económica?

A.YAKOVENKO: No nosso diálogo dispensamos especial atenção ao estado actual e às perspectivas da cooperação económica. A parte russa está convencida de que o intercâmbio comercial actual - que se expressou no ano de 2002 em 100 milhões de dólares - está longe de corresponder às potencialidades realmente existentes. Temos outra margem considerável para aumentar a cooperação técnica. Tenho aqui em mente as fábricas e empresas construídas no Paquistão com a nossa assistência, como é o caso da unidade metalúrgica em Carachi. Esperamos que num futuro próximo chegaremos a definir, conjuntamente, as vertentes prometedoras da nossa cooperação bilateral, sobretudo nos sectores energético, aeroespacial, metalúrgico e siderúrgico, as telecomunicações, assim como na elaboração e concretização de vários projectos relacionados com o desenvolvimento das infra-estruturas.

© RIAN

 
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