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Bush: Mais arrogância, mais beligerância, mais chauvinismo

03.02.2005 | Fonte de informações:

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Como declarou George Bush no seu discurso “Estado da União” na noite passada, “fomos colocados nos nossos postos pelo povo que nós servimos”. Precisamente. Finalmente ouvimos da boca deste presidente a verdade e não mentiras descaradas. Mas se esse Presidente se concentrasse mais em resolver os problemas daqueles que o elegeram, que foram os cidadãos dos EUA, não a comunidade internacional, aonde ele se intromete tão constantemente?

Por quê será que Washington tem um sentido tão exagerado da sua própria importância e já agora, exatamente quem é que o George Bush pensa que é? É Presidente dos Estados Unidos da América, ponto final e sua jurisdição termina nas fronteiras desse país. Iniciou o seu discurso com referências à Ucrânia (dizendo que a ajudou) e o Iraque e depois uma afirmação arrogante, nomeadamente que “Eu colocarei na prática as políticas para avançar esse ideal (liberdade) em casa e a volta do mundo”. Obrigado, mas nós não queremos sua liberdade, não queremos sua versão de democracia imperfeita, não queremos suas bombas de fragmentação, não queremos a chacina de crianças e não queremos o massacre de dezenas de milhares de civis enquanto procura suas elusivas Armas de Destruição Maciça.

As partes do discurso que referiam aos Estados Unidos não têm qualquer menção ou lugar neste artigo, pois se trata dum assunto que tem a ver com o Presidente e os cidadãos dos EUA e mais ninguém. De facto, um discurso que se chama o Estado da União em princípio deveria tratar-se dos assuntos que têm a ver com essa União, não devendo ser utilizado para lançar tsunamis geo-políticos e mais ondas de ódio fora das suas fronteiras.

É perfeitamente legítimo a afirmação do Presidente que ele tem a responsabilidade de deixar as futuras gerações com “uma América que é livre de perigo e protegida pela paz”. Contudo, a palavra “responsabilidade” deveria ser sublinhada. A responsabilidade em criar as condições para a segurança dos EUA não se passa por uma caça às bruxas, um acto de destruição e chacina numa escala brutal e vasta, tal como aquele perpetrado no Iraque.

“Responsabilidade” não passa por fazer afirmações falsas que o Iraque colocava uma ameaça imediata aos EUA e aos seus aliados através das suas ADM e depois lançar uma guerra assassina para justificar as mentiras. Não torna os EUA um país mais seguro, antes semeia as sementes de ódio não só no Médio Oriente mas nos corações e mentes dos cidadãos do mundo e torna a possibilidade duma segunda frente na guerra no Iraque – ataques terroristas nos Estados Unidos – muito mais prováveis e colaboração com esses elementos por pessoas que antes nem ter-la-iam considerado, bastante mais plausível. É precisamente a falta de responsabilidade, a incompetência e a arrogância deste Presidente, e do seu pai (que criou os Talebã) que torna os Estados Unidos mais vulnerável ao terrorismo e a comunidade internacional mais instável. Relativamente à afirmação “Os EUA não tem o direito, nem o desejo, nem a intenção de impor a nossa forma de governação sob os outros. É uma das principais diferenças entre nós e os nossos inimigos. Eles procuram impor e expandir um império de opressão em que um minúsculo grupo de líderes brutais e não eleitos controla cada aspecto de cada vida”, será que o Presidente consegue identificar um único país além do seu (e do pequeno grupo de seguidores, muitos dos quais enviaram um número simbólico das suas forças para o Iraque), que invadiu outro estado e anos recentes? Será que o Presidente consegue referir um único país, alem do seu, que tem campos de concentração onde são perpetrados actos de tortura e depravação sexual numa escala tão sistemática? Será que o Presidente consegue mencionar o nome de um único país, além do seu, que cometeu um acto de chacina, massacrando dezenas de milhares de civis numa guerra sem quaisquer fundamentos legais? Quem, então, é o tirano? Quem, então, perpetra actos de terrorismo de estado? Relativamente ao Irão, o que tem George Bush a ver com seu programa nuclear, se Moscovo e a AIEA declararam que esse programa é para fins pacíficos? Energia nuclear fornece electricidade para escolas, para hospitais, para lares. Sabemos muito bem que de vez em quando Washington gosta de tirar fotografias de tais instalações e depois diz na ONU que são fábricas de armas químicas mas que direito tem o Presidente dos EUA de interferir com os programas de Teerão? Algum iraniano o elegeu alguma vez?

De facto não, ninguém na comunidade internacional o elegeu nem sequer iria alguma vez pensar em elegê-lo.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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