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A GUERRA DO GÁS DA BOLÍVIA

02.10.2003 | Fonte de informações:

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Sindicatos de esquerda, estudantes universitários e trabalhadores rurais índios começaram uma greve na segunda-feira para bloquear a decisão governamental de exportar gás natural - o principal produto do país - para os Estados Unidos através de portos chilenos.

Os protestantes foram às ruas para expressar sua indignação contra a decisão do presidente Gonzalo Sanchez de Lozada, que veem o Chile como inimigo nacional. O Estado vizinho tomou a costa da Bolívia na "Guerra do Pacífico" de 1879.

O debate sobre se o gás viajará através do Chile convulsionou a capital La Paz e seus arredores nos últimos 10 dias, com oponentes bloqueando as estradas que levam à capital e provocando um confronto que deixou seis mortos. Depois dos tiroteios, a Confederação de Trabalhadores da Bolívia iniciou uma greve geral na segunda-feira, e que continuará até que o governo abandone sua decisão, disseram os sindicalistas. Observadores acreditam que por trás da greve há a intenção oculta de usar a controvérsia sobre o gás para derrubar o governo do presidente Sanchez de Lozada, que tem um tênue suporte no poder. A questão tornou-se um catalizador para todas as controvérsias da Bolívia. Agricultores têm estado lutando por anos para poder cultivar legalmente a folha de coca, mas a elite bem-educada que controla o país quer destruir sua produção.

Sanchez de Lozada disse que irá esperar até dezembro para tomar uma decisão definitiva sobre a questão do gás. No entanto, analistas dizem que o Chile é a rota natural para levar as imensas reservas de gás do país para os portos norte-americanos - o único canal factível para um comércio de 5 bilhões de dólares que poderia ajudar a Bolívia a reduzir a fome e criar empregos nesta nação sul-americana há muito tempo empobrecida.

Os protestantes encheram as ruas cantando músicas anti-chilenas e carregando cartazes com slogans contra o governo: "O Chile irá roubar nosso gás", "O Chile é nosso inimigo" eram alguns dos favoritos. Eles dizem que o governo receberá apenas 18% do lucro bruto, já que a produção e a exportação do gás é controlada por companhias estrangeiras como a British Gas, Repsol-YPF (Espanha e Argentina) e Pan American Energy (EUA). Os grevistas demandam a construção de uma indústria petroquímica no território boliviano para liquefazer o gás, atualmente processado fora do país.

O governo teme a falta de produtos essencias, já que grupos de índios estão bloqueando as principais estradas ao norte e resistem contra a ordem da polícia. Embora os preços tenham subido na terça-feira, espera-se que a comida chegará a La Paz através das rodovias ao sul, controladas pelas autoridades.

A Bolívia é o país mais pobre da América do sul. Mais de 70% de sua população vive abaixo da linha de pobreza, quase o mesmo índice do tempo em que era colônia espanhola, nos séculos XVIII e XIX. Como naquela época, a elite européia - meros 10% da população - controla um país majoritariamente povoado por agricultores indígenas.

A Bolívia tem uma longa tradição de exploração externa, começando com os senhores espanhóis que mandavam para suas casas as riquezas das minas de prata de Potosi, deixando-as exauridas. O antagonismo boliviano contra o Chile é tradicional, já que o acesso à costa perdido é a maior derrota que seu povo já sofreu. Muitas de suas terras ao sul também foram perdidas. Hernan ETCHALECO Traduzido por Carlo MOIANA Pravda.Ru MG Brasil

 
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