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A Semana Revista

02.05.2004 | Fonte de informações:

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Chernobyl

No dia 26 de Abril marcou o 18º aniversário desta tragédia, que deixou quase 90% dos residentes nas imediações de Chernobyl doentes. O Ministério da Saúde da Ucrânia afirmou recentemente que “os indicadores da taxa de mortalidade das vítimas de Chernobyl aumentaram drasticamente nos anos recentes. A mortalidade entre os que lutaram contra o desastre está a aumentar também. A taxa de mortalidade mais alta é entre os adultos que viviam na região do desastre”.

Entretanto, o governo da Ucrânia providencia somente 1% dos bilhetes necessários para entrar numa clínica para tratamento, enquanto envia soldados para o Iraque. Primeiro as guerras de Washington, que tenta interferir em Kiev, contra Moscovo, depois os cidadãos nacionais.

Quantas pessoas mais que vivem nos países da CEI vão ser assimiladas por Washington, onde o dólar é o Rei da festa?

União Europeia tem 450 milhões de pessoas

A União Europeia deu as boas-vindas no dia 1 de Maio a mais dez estados membros, nomeadamente Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa.

As diferenças entre a UE e a Federação Russa sobre a perca de comércio sofrida por Moscovo nesta região do leste da Europa foram o tema de debates durante esta semana e foram resolvidas as questões mais importantes. No dia 26 teve lugar a reunião do Concelho Permanente Rússia-União Europeia, onde se discutiu um Acordo sobre a Parceria e Cooperação entre as partes.

Na Europa já se fez várias tentativas de formar um bloco único, desde os tempos do Império Romano, depois Charlemagne, Napoleão e mais recentemente, Hitler. Nunca se conseguiu manter a unidade neste continente, talvez porque noutras tentativas, houve a predominância duma parte sobre as outras. Agora não. A União Europeia é uma família de nações, baseada num conceito de fraternidade, liberdade e igualdade. Napoleão teria tido muito orgulho disso.

Mas desta vez, a Europa negoceia com Moscovo, em vez de invadir.

Autoridade da Bacia do Rio Níger

Nove países se juntaram no dia 26 de Abril para discutir seu futuro e fazer parcerias sobre a gestão do recurso mais precioso do ser humano, a água. Benin, Burkina Faso, Camarões, Chade, Guiné, Costa de Marfim, Mali, Níger e Nigéria, que têm uma população conjunta de 100 milhões de pessoas, reuniram na Autoridade da Bacia do Rio Níger, sob a égide da ONU.

Assim deram uma lição de civilização e de democracia aos Estados Unidos da América, que fizeram notícias pelas piores razões neste final de semana.

As Forças do Mal

Comportamento tipo Gestapo pelas Forças Armadas norte-americanas

As imagens chocantes dos soldados norte-americanos a sorrirem e rirem e gozarem e a darem o sinal OK (com o dedo polegar para cima) com a tortura de prisioneiros iraquianos como pano de fundo, não constitui surpresa nenhuma. A surpresa é que levou tanto tempo para esta história chegar a eclodir. Por quê? Porque houve uma tentativa de encobrir o acontecido pela Rainha das Mentiras, Washington.

CBS News demonstrou considerável coragem em desafiar as autoridades dos Estados Unidos da América, que não praticam uma política de imprensa livre e que tentaram impedir que esta história chegasse ao público. CBS News mostrou cenas horríficas que estariam mais ajustadas a uma câmara de tortura medieval do que a uma operação de inteligência militar nos dias de hoje, supostamente conduzida por pessoas civilizadas oriundas dum país civilizado.

Esse não é o caso duma bofetada na cara dum prisioneiro obtuso, nem foi um murro no ventre, dado por um sargento cansado que tinha sido cuspido. Pessoas iraquianas foram esforçadas a tirarem suas roupas e foram espancadas – um homem foi espancado até à morte, só que as imagens são chocantes demais para mostrar – um foi fotografado com um cachorro a atacá-lo, outros foram esforçados a praticarem actos sexuais nojentos e pervertidos, tais como esforçar os homens a chuparem os pénis dos outros, outros foram esforçados a sofrer actos de sodomia perpetrados por soldados norte-americanos, enquanto a cena foi fotografada, outros foram esforçados a formarem uma pirâmide humana, nus, um foi esforçado a ficar de pé numa caixa com fios eléctricos a volta dos seus testículos e pénis.

Não foi este um incidente isolado, perpetrado por um elemento irresponsável, doente ou diminuído mental. Não foi este um caso de um ou dois soldados que foram longe demais, sem supervisão. Não é o caso de dois ou três soldados que quebraram a Convenção de Genebra, nem de quatro, nem de cinco, nem de seis, nem de sete, nem de oito, nem de nove. Nem dez, nem onze, nem doze.

Nem treze, nem catorze, nem quinze. Nada menos que dezassete soldados norte-americanos foram suspensos dos seus deveres depois que estes actos de tortura vierem à luz do dia, meses depois de terem sido perpetrados no final do ano passado. Levanta assim a ideia que estes dezassete casos são a ponta do iceberg, depois de tais actos terem sido perpetrados por outros soldados norte-americanos (e possivelmente britânicos) durante largos meses, escondidos da imprensa e do público pelo regime maldoso, criminoso, assassino e mentiroso de Bush.

Mas o quê é que se há-de esperar dum regime que propositadamente deita bombas de fragmentação em áreas civis? O quê é que se há-de esperar dum regime que faz um espectáculo acerca do tratamento médico dum rapaz de dez anos, iraquiano, nos EUA, mas só depois das forças armadas dos EUA terem obliteradas suas pernas e braços e terem assassinado sua família toda, em deitarem uma bomba na sua casa?

O quê é que se há-de esperar dum regime cujos soldados utilizam como defesa o facto que não lhes foi dado nenhuma informação sobre como conduzir uma investigação? Então, as pessoas boas e civilizadas dos Estados Unidos da América se comportam assim quando não lhes dizem para não perpetrar actos de sodomia contra os prisioneiros, quando não lhes dizem para não atarem fios eléctricos a volta dos testículos e dos pénis dos mesmos, quando não lhes dizem expressamente para não lhes espancaram até à morte?

O quê é que se há-de esperar dum regime que mente ao seu próprio povo, mente ao mundo, desrespeita a lei fundamental internacional e perpetra um acto chocante de chacina que massacrou dez mil cidadãos iraquianos, que feriu ou mutilou mais trinta e cinco mil pessoas e que deixa mil crianças sem braços ou pernas ou olhos porque apanharam os fragmentos coloridos dos “bombons” que foram deitados bem pertinho das suas casas, só que eram fragmentos das bombas que explodiram nas suas caras, tirando seus rostos e futuros e olhos e vidas?

O quê é que se há-de esperar dum regime que é liderado pelo único Presidente dos EUA que tem um registo criminal, que fica com um lábio cortado e um olho negro quando come uma bolacha e cujo controlo da gramática básica da sua língua materna é ridicularizado em tantas aulas da língua inglesa em escolas primárias a volta do globo? O quê é que se há-de esperar dum regime que tem como chefe do Pentágono a versão na vida real do Coringa (o Riddler dos filmes de Batman), Donald Rumsfeld, que mal consegue dizer uma frase que faz sentido?

Este regime tem como chefes, criminosos de guerra, assassinos, matadores, cujas forças militares cometem actos de tortura institucionalizada. Não estamos a falar da Inquisição, não estamos a falar do Coliseu em Roma antiga, não estamos a falar duma câmara de tortura do Gestapo, nem de Dachau, nem de Auschwitz. Nem estamos a falar das ditas câmaras de tortura de Saddam Hussein (os prisioneiros norte-americanos foram torturados pelos iraquianos? A Jessica Lynch foi torturada?) nem estamos a falar de Hitler nem de Himmler nem de Goebbels.

Estamos a falar do regime maldoso liderado por George Bush, Donald Rumsfeld, Condoleeza Rice, Colin Powell e por Richard Cheney, conhecido por “Dick” (caralho, em inglês). Estes elementos fizeram que os Estados Unidos da América seja o país mais odiado na face da Terra. Por isso, culpem o Bush.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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