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EUA e Reino Unido mentiram à ONU

02.04.2003 | Fonte de informações:

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Não deixa de crescer a lista de crimes cometidos pelos Estados Unidos da América e o Reino Unido. Antes do ataque criminoso contra um estado soberano, em que crimes de guerra estão a ser cometidos diariamente, estes dois países tinham desesperadamente tentado criar um causus belli onde não existia nenhum.

Primeiro, tínhamos a “evidência sólida” de Colin Powell, baseada em relatórios dos serviços secretos do Reino Unido, que não eram mais do que uma cópia fiel tirada do Internet, duma tese de doutoramento escrito sensivelmente 12 anos antes, tão fiel que até continha os mesmos erros ortográficos. Pode ter convencido a administração Bush, o que não seria difícil, mas mais ninguém.

Agora veio a luz o facto que estes dois países passaram documentos à Agência Internacional de Energia Atómica entre Dezembro e Março, alegando que houve contacto entre os governos do Iraque e Niger, para programar a exportação de urânio. Muhamad El Baradei, Director deste organismo da ONU, declarou que estes documentos eram falsificados.

Em Dezembro de 2002, a administração norte-americana proclamou em público que dois anos antes, os governos de Niger e Iraque tinham assinado um acordo em que 500 toneladas métricas de urânio concentrado (“yellowcake”, ou “bolo amarelo”) seriam vendidos ao Iraque, enquanto o governo britânico apresentou “Nigerian State Documents” à AIEA, fundamentando a evidência norte-americana, embora Nigéria e Niger são dois países diferentes. Tão desesperadas eram as tentativas de apresentar provas contra o Iraque, que até se enganaram no país.

O que estes dois governos estavam a tentar fazer era provar que o Iraque tinha um programa nuclear activo, como afirmou Colin Powell inúmeras vezes, o que é simplesmente uma mentira descarada. Nos anos 1980, mais especificamente em 1981 e 1982, Niger forneceu material nuclear ao Iraque para o seu programa nuclear, mas nos anos 1980, era legal. Só foi ilegalizado o comércio de materiais nucleares ao Iraque em 1991.

Os documentos apresentados pelos EUA e Reino Unido insinuaram que o governo de Niger estava a tentar continuar o fornecimento dos materiais, o que foi classificado como “mentira” pelo antigo Ministro de Minas e Energia da Niger, que acrescentou que Niger sempre actuou com o conhecimento da AIEA. De qualquer forma, seria impossível fazer quaisquer vendas de urânio sem o conhecimento da companhia francesa, Cogema.

Mohamad El-Baradei, depois de ter estudado a documentação, declarou que não era autêntica e por isso, “as alegações específicas são sem base”. Por outras palavras, os EUA e Reino Unido falsificaram a documentação em Londres e Washington e apresentou-a à ONU.

A linha de pensamento seguida foi o seguinte: Niger é o terceiro maior produtor de urânio, depois de Canadá e Austrália. Niger é um país muçulmano, por isso está a colaborar com o regime de Bagdade. O papel oficial das cartas era diferente ao que é utilizado pelo governo de Niger, nem as assinaturas pareciam as verdadeiras. Depois de estudar “a forma, formato, conteúdo e assinaturas”, Mohamad El-Baradei concluiu que eram falsificações.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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