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Cova com dois mil cadáveres na Colômbia

02.02.2010 | Fonte de informações:

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Antonio Albiñana

No pequeno povoado de La Mararena, no estado do Meta, a 200 quilômetros ao sul de Bogotá, uma das zonas mais quentes do conflito colombiano, se está descobrendo a maior cova comum da história recente de Latino-américa, com uma cifra de cadáveres “NN”, sepultados sem serem identificados, cujo número poderia chegar aos 2.000, segundo diversas fontes e os próprios moradores. Desde o ano de 2005 o Exército, cujas forças de elite estão espalhadas nas áreas rurais do povoado, tem enterrado perto do cemitério centenas de cadáveres sem deixar identificação alguma.

Trata-se do maior sepultamento de vítimas de um conflito, do qual se tenha notícia no Continente. Haveria que se transladar até Holocausto nazi ou até a barbárie de Pol Pot em Camboja, para encontrar algo dessa dimensão.

O jurista Jairo Ramírez é secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia e acompanhou uma delegação de parlamentares ingleses ao lugar, há algumas semanas, quando teve início a descoberta a magnitude da cova de La Macarena. “O que vimos foi algo espantoso”, manifestou. “Infinidade de corpos e na superfície centenas de pequenas tábuas de madeira com a inscrição NN e com datas desde 2005 até hoje”

Ramírez acrescenta, “O comandante do Exército nas disse que eram guerrilheiros tombados em combate, mas os moradores da região falam de multitude de líderes sociais, camponeses e defensores comunitários que desapareceram sem deixar marcas.”

Enquanto a Fiscalia anuncia investigções “a partir de março”, depois das eleições legislativas e presidenciais, uma delegação parlamentar espanhola integrada por Jordi Pedret (PSOE), Inés Sabanés (IU), Francesc Canet (ERC), Joan-Josep Nuet (PCC), Carles Campuzano (CiU), Mikel Basabe (Aralar) e Marian Suárez (Eivissa pel Canví) chegou ontem à Colômbia para estudiar o caso e fazer um inf9orme para o Congresso e a Euro-câmara. A situação da mulher como a primeira vítima do conflito e a dos sindicalistas (em 2009 foram assassinados 41) serão incluídas no seu trabalho em diversas regiões do país.

Mais de mil covas no país

O horror de La Macarena tem confirmado que na Colômbia existem mais de mil covas comuns com cadáveres sem identificação. Até finais do ano passado os médicos forenses tinham listado uns 2.500 cadáveres, dos quais identificaram a perto de 600 e entregues seus corpos aos familiares.

A licalização desses cemitérios clandestinos tem sido possível graças às declarações em versão livre dos comandos meios presuntamente desmovilizados do paramilitarismo e acolhidos à controversa lei de justiá e paz que lhes garanta uma pena sombólica em troca da confisão de seus crimes.

A última dessas declarações tem sido a de John Jairo Renteria, alias Graxa, que acava de revelar ante o fiscal e os familiares das vítimas que ele e seus algozes enterraram “pelo menos 800 pessoas” na fazendo Vila Sandra, em Porto Asís, no estado de Putumayo. “Tinhamos que esquartejar as pessoas. Todos os paramilitares tinham que aprender isso e muitas vezes foram esquartejadas pessoas vivas” afirmou o chefe paramilitar à Promotora de Justiça e Paz.

"O Governo não quer investigar"

Alfredo Molano. Sociólogo y escritor, um dos colunistas mais influintes da Colômbia, tem recorrido o país como cronista da violência. Por causa disso foi para o exilio para escapar das ameaças dos militares e paramilitares.

¿Qual a situação das covas na Colômbia?

A própria Promotoria Geral da Nação fala de 25.000 “desaparecidos” que em algum lugar devem estar. É possível, também, que muitos corpos hajam sido incinerados assim como foi nos fornos crematórios do nazismo.

¿Essas covas têm a ver com os chamados “falsos positivos”?

Sim, todo isso pode estar relacinado com os “falsos positivos” [colombianos civis assassinados e apresentados como mortos em combate]. O exército os enterrava clandestinamente. Boa parte deles vão a ser encontrados nessas covas.

¿Qual a magnitude dessas covas descobertas?

Terrível. Nem nos anos cinqüenta houve na Colômbia tanta brutalidade como a que mostram essas ações dos paramilitares, mas o Governo não tem vontade de investigar, permitirá que sejam conhecidas algumas covas, só. Ademais, os prazos são imensos e as dificuldades técnicas para as identificações, provas químicas e ADN são enormes.

Fonte: http://www.prensarural.org

 
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