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DENÚNCIA

01.03.2004 | Fonte de informações:

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por Marcelo Larrea*

A cessão, em 1999, da estratégica base aérea de Manta e da soberania equatoriana ao Comando Sul dos Estados Unidos, foi o início de uma escalada de operações em todos os âmbitos, em que se traça o desaparecimento da República e sua transformação em uma marionete dos interesses geopolíticos de Washington.

O Comando Sul não é a DEA. Nem é sua tarefa essencial a luta contra os demônios das drogas, o terrorismo, o tráfico de armas, os seqüestros, que aparecem como a máscara moral do "Plano Colômbia".

Seus antecedentes são a história das operações executadas pela grande potência no "jardim dos fundos". Incluem a mutilação territorial do México; a provocação do Maine na baía de Havana e a guerra com Espanha para seu melhor domínio do Caribe; a capitulação de Porto Rico; desembarques sangrentos como os recentes na baía de Cochinos em Cuba, Granada e Panamá; a manutenção de ditadores sanguinários como Somoza, Batista, Trujillo, Pinochet ou Videla; de guerras sujas como as da Nicarágua, El Salvador e Guatemala; o apoio aberto a outras forças estrangeiras como o dado à Inglaterra na guerra das Malvinas; e incluindo sua alienação com Peru no conflito limítrofe com Equador e com Chile frente a Bolívia e Peru.

O Comando Sul é hoje o órgão militar da perspectiva de dominação continental pensada na doutrina Monroe, em 1824, conhecida por seu célebre tema "América para os Americanos", que reconhece como tais exclusivamente os estadunidenses, frente a qual nesse mesmo tempo-espaço histórico, em defesa da independência e da república e no caminho da Pátria Grande, o Libertador, Simón Bolívar, convocou o Congresso Anfictiónico do Panamá.

Hoje, suas operações no Equador e a denominada "matriz de seguridade", validada pelos governos de George W. Bush e Lucio Gutiérrez, não têm outras premissas, ainda que estas, obviamente, não constem explicitamente nos documentos.

A recente visita do chefe da Southcom, James Hill, permitiu ao diário El Comercio, revelar a estratégia dos EUA contida em uma matriz de segurança com 200 atividades, entre as que constam, operações de interdição aérea e marítima, que implicam o controle do espaço aéreo e marítimo do país, com facilidades de derrubar aviões e deter e abordar barcos. O controle e segurança da fronteira norte com a Colômbia. A construção de pistas de aterrissagem em todas as províncias da costa equatoriana do Pacífico e o equipamento e armamento para operações de invasão aérea. O desenvolvimento de uma aviação compartimentada e de facilidades portuárias nas ilhas Galápagos, que permitirão aos EUA, cumprir seu sonho de restabelecer o domínio militar do arquipélago que manteve durante a Segunda Guerra Mundial com sua base aérea na ilha de Baltra, expulsa há 50 anos pelo governo de Velasco Ibarra.

O estabelecimento de portos de inspeção em Machala, ao sul e Esmeraldas ao norte do país. O reforço e criação de batalhões de 720 membros e o melhoramento da infraestrutura das localidades antiterroristas em várias zonas críticas do país. O apoio com alta tecnologia às operações de inteligência militar; o treinamento pelos EUA do efetivo das Forças Armadas e da polícia equatoriana. Além disso, ações de caráter "social", como exercícios de engenharia e clínicas para atenção da saúde em zonas pobres.

A combinação de todos os elementos que conformam a matriz de segurança proposta pelo Comando Sul, expõe que seus objetivos transcendem os horizontes do Plano Colômbia, pois implicam assumir o controle das Forças Armadas e da polícia equatorianas, os principais órgãos de segurança do Estado, e com eles do Estado em seu conjunto. A aplicação deste modelo não implica outra coisa a não ser a suspensão da soberania e a virtual desaparição da República.

*Marcelo Larrea é correspondente da Adital no Equador e diretor da revista "El Sucre". Fonte: Adital

Diário Vermelho

 
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