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Exílio

29.09.2018 | Fonte de informações:

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Exílio

  

Escrever

É meu autoexílio.

  

Perdoem as ilhas de fantasia.

  

Vejo o mundo

como um peixe no liquidificador

Vê a mão

Que aperta o botão.

  

Sou insolúvel.

  

Escrevendo tiro a aura

Para dançar.

  

Escrevivo

para existir-me (um pouco melhor)

Numa realidade substituta.

  

Não me sinto bem,

entre humanos.

  

Sou um caco de vidro de espelho

no cérebro de minha solidão-coivara.

  

Às vezes me simplifico

para tentar conviver com os outros.

  

Tenho medo do humano pouco humano; os outros.

  

Não procuro rimas. Mas endorfina.

Não escrevo estrofes. Mas placebos.

  

Que insulina é a POESIA na minha triste amargura?

  

Existir é tão pouco, não faz sentido...

  

Preciso tomar comprimidos para acordar?

  

Leio as vísceras da civilização.

Para isso fomos feitos?

  

Caço o que fazer. A rotina mente e empareda.

  

Escrevo feito um surto-circuito. Perdoem os endereços.

  

Somos todas cobaias do inferno.

Morrer é a única saída.

  

No exilio de minhas escritas, dissipo escuridões e abismos, e me imanto; me neutralizo...

  

Às vezes escrever é uma prancha terminal de navio pirata.

Outras vezes ilha, sextante e bússola,

onde me encontro com o que resta,

  

De minha sanidade possível.

  

-0-

Silas Corrêa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.artistasdeitarare.blogspot.com/

 

 
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