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Futebol: Maracanaço

23.07.2007 | Fonte de informações:

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Sem levantar poeira uruguai comemorou 57 anos da maior fazanha da história, o Maracanaço. O 16 de julho não é mais uma data no pequeno país sul-americano.

Nos colégios as gerações do passado tinham extremamente claro quais eram os feriados pátrios que nunca foram trasladados no almanaque, seja segunda, terça, quarta, quinta ou sexta.

Porém a invenção dos feriadões trasladando aqueles marcados em vermelho nas terças, quartas ou quintas para segundas e sextas só acontece faz poucos anos.

Num mundo globalizado enforcar uma segunda ou sexta é negócio ótimo das novas gerações políticas que desde o Congresso acabam dando seu visto de olho sempre nessa folga que tudo o mundo anseia sem levar em consideração o conteúdo sentimental que envolve um feriado nacional.

Meninos e meninas que fazem parte do educandário da Escola primária na grande maioria nem sabe o que representa uma data como a Proclamação da Independencia, pelas famosas mudanças do gênios de MKT, tentando que o “povo” consiga dar um pulo até vizinha capital argentina de Buenos Aires fazendo decolar o grafinismo para cima dando uma de cara chique ou no mínimo que uma verba seja investida feita turismo no país que é bem melhor que ficar em casa.

Trasladando a situação para o Brasil, como se por acaso o Grito de Ipiranga fosse comemorado o 9 de setembro (p.e. o 7 acabou caindo numa quarta) e nem sempre ouvindo-se o hino nacional brasileiro no pátio das escolas.

Terrível !!!

Os pais são os “tios” de hoje passando em claro aos filhos o que quer dizer cada um dos feriados e colocando-lhes á par dos traslados, quais foram os verdadeiros e o seu conteúdo.

Isso tudo mudou…quase tudo…

Felizmente um acontecimento só não acabou mudando e foi o respeito pelo “feriado” nacional esportivo do Maracanaço.

O Brasil tem cinco datas marcantes no histórico do futebol e mesmo que para muito pessoal com os cabelos cinza o TRI do México ’70 é importante talvez o 17 de julho de 1994 tinha sido a hora “H” da camisa canarinha pois passaram 24 anos para voltar arvorar aquele caneco que pegou primeiro o Carlos Alberto no Estádio Azteca.

Para os uruguaios não á uma data tão importante quanto Maracanã 1950 pois foi em casa do local e dando uma virada.

Fora isso, até hoje não há seleção que tinha feito coisa semelhante.

Na época moderna, a Holanda no 1974 e 1978 perante Alemanha e Argentina, muito perto mas não concretizou no final.

Nem o Brasil na França no 1998 acabou conseguindo do jeito que Uruguai tinha feito.

Havendo clássico uruguaio, Peñarol-Nacional no Estádio Centenario com certeza o 90 % da população sabe com bastante antecedência que essa partida vai acontecer logo.

Uma vovozinha nonagésima saberia desse confronto e até poderia chutar um resultado e uma opinião do jogo.

O povo uruguaio é torcedor do futebol e isso faz como que na pior hipótese a data “H” do futebol “charrúa” trasmita-se de geração em geração como parte duma herança adorável.

Sendo ainda crianças os meninos começam ouvir as narrações barulhentas, desse 16 de Julho do ano 1950. que técnicamente poderiamos defini-las como “sujas” envolvendo “lembranças” que contamos e nem conseguimos vivir e curtir á toa pois estavamos muito longe de aparecer nesta terra.

Essas narrações dos dois gols do Juan Alberto Schiaffino empatando a partida e o chute feito facada mortal do Alcides Edgardo Ghiggia no minuto 79, agüentando e sofrendo 11 minutos insuportáveis, que logo foram uma eternidade para o povo brasileiro todo.

Ouvindo essa fazanha após dar uma virada no resultado sendo que o Brasil nem precisava vencer o Uruguai para ganhar o caneco de melhor das mãos do Jules Rimet.

Logo as imagens da tevê Branco e Preto ainda conseguem arrepiar a pele da meninada, dos moleques, adultos e idosos que contam como sofreram e logo gozaram as narrações do Carlos Solé, Cheto Pelicciari, Duilio De Feo e Heber Pinto sendo o caçulo desta turma de narradores que logo iam fazer história no Uruguai com inúmeras conquistas que nos últimos 12 anos pararam para sempre.

Os 31 vereadores de hoje e o Prefeito da Cidade de Montevidéu, Ricardo Ehrlich numa cerimônia, sem cerimônia, no Muséu do Futebol (localizado na rua que contorna o Estádio Centenario) na arquibancada Olímpica que sustenta a Torre das Homenagens sempre na frente da câmara principal da tevê nas partidas que emitem-se do Monumento Histórico do Futebol Mundial, declararam “Cidadões Ilustres” aos três sobreviventes dessa fazanha única.

Dois deles no plantão naquela final, Aníbal Paz como guardião (não compareceu pois sua saúde está muito fraca, sendo o representante o filho Germán Paz, ex Gerente da Pepsi-Cola e ex Presidente da Federação Uruguaia de Basquete), o Juan Carlos González (mora em Buenos Aires – Argentina agora) sendo um dos dois uruguaios Campeões que percorreram a pista Olímpica na Cerimônia de Abertura da Taça do Mundo Alemanha 2006.

O terceiro INESQUECÍVEL, para uruguaios e até para brasileiros pois foi o camisa sete que concretizou a fazanha do segundo gol vencendo o goleiro Barbosa chutando raso no único espaço que tinha disponível.

Alcides Edgardo Ghiggia, por incrível que pareça asemelha-se muito aquele que jogou a partida, 57 anos depois mas não é desses que tem apariência de idoso.

Ao resto da turma lá no céu “celeste” a gratidão do povo uruguaio que encurvo-se perante todos eles !!!

Disco é cultura…futebol e suas lembranças também são !!!

Correspondente PRAVDA.ru

Gustavo Espiñeira

Montevidéu – Uruguai

 
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