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Estratégia da FARC é construir uma grande convergência

17.11.2017 | Fonte de informações:

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A estratégia da FARC é construir uma grande convergência pela reconciliação e as mudanças

Escolhidos os candidatos que ocuparão as cadeiras da FARC para o próximo período legislativo, e anunciada a candidatura presidencial de Rodrigo Londoño e Imelda Daza, se dá um passo fundamental para a paz, não só na implementação como também no espírito dos acordos: a abertura democrática.


A última vez que as FARC estiveram em praça pública buscando votos foi com o nascimento da União Patriótica, UP, em meados da década dos oitenta. Desde essa época não se via a comandantes guerrilheiros buscando votos para apoiar sua proposta política. A UP alcançou uma representação parlamentar e um considerável número de prefeituras e câmaras de vereadores, mormente nos territórios esquecidos da Colômbia. Depois veio o genocídio contra essa coletividade e a decisão dos comandantes guerrilheiros foi preservar sua vida e voltar às montanhas.
 
Os candidatos
Três décadas depois, o Conselho Nacional Eleitoral entrega personalidade jurídica ao partido FARC, e arranca em firme o exercício da política sem armas; com a premissa de construir um diálogo político com outras forças. Para isso se lançaram a incrementar seu capital político nos maiores centros de votação do país: Bogotá, com seu candidato Byron Yepes; em Medellín estará Olmedo Ruíz; pelo Valle del Cauca, Marco León Calarcá; em Atlântico, Jesús Santrich; e em Bucaramanga, Jairo Quintero. No resto de estados esperam concretizar alianças com candidatos que tenham em comum um enraizamento muito popular.
No Senado da República o partido FARC estará representado por Iván Márquez, quem repete cadeira, pois foi parlamentar pela UP no ano de 1986, Pablo Catatumbo, Carlos Antonio Lozada e duas mulheres destacadas, Victoria Sandino e Sandra Ramírez. O nome de Benkos Biojó será o sexto na lista, porém não tem garantida sua cadeira, pois segundo os acordos somente têm direito a cinco representações na câmara alta.
 
Estratégia de unidade
A FARC se mostrou aberta a construir alianças mais além de buscar votos para suas listas. Falam da possibilidade de se somar a um governo de transição, ideia apresentada por Rodrigo Londoño, desde a firma dos acordos de paz do Teatro Colón de Bogotá.
“O governo de transição é chave. Serão bem-vind@s tod@s @s homens e mulheres que se somem à proposta de um governo que dirija o país da guerra para a paz, que implemente ao pé da letra os acordos de paz e abra a porta às transformações sociais. Não nos fechamos às possibilidades que nos dá a política de dialogar com outras forças antes de depositar os votos nas urnas no próximo ano”, indicou Rodrigo Granda, membro da direção da FARC.
Para essa possibilidade a FARC tornou pública sua decisão de se encontrar com distintos setores econômicos e forças políticas com o ânimo de pôr em marcha uma reconciliação nacional que dê as boas-vindas a uma democratização real do país.


Para isso põe à disposição sua proposta política. Pretendem que distintos setores se somem a ela: grêmios da produção, empresários, igrejas, movimentos cívicos e comunais, entre outras forças sociais. Querem construir uma proposta política de amplitude a partir de uma plataforma mínima.


O próprio Rodrigo Granda diz que as próximas eleições não são fundamentais para o destino da Colômbia, porém, sim, está certo de que marcarão o início de uma nova correlação de forças que permita à esquerda revolucionária, progressistas e forças democráticas a possibilidade de governar a Colômbia.


“A próxima campanha não vai definir o destino da pátria porém vai ser determinante. A luta apenas começa e nós vamos ser governo e vamos ser poder. Isso está demonstrado pela história e para isso necessitamos dessa amplitude. Colômbia está dando passos nessa direção: as mudanças sociais profundas. O mundo mudou e a política é dinâmica, nossa mente se nos abriu, não somos rígidos nem verticais, estamos em modo de diálogo e mão estendida para a reconciliação”, sublinhou Granda.
 
Propostas
Do leque de propostas para o país que o partido das FARC lançou na apresentação de seus candidatos se destaca a econômica. Os setores políticos da extrema-direita já iniciaram uma contraofensiva à proposta política fariana. Para porta-vozes de Cambio Radical as FARC pretendem levar a Colômbia pelo modelo econômico de Venezuela. A resposta tem sido contundente. De uma parte, não vão permitir que os problemas da Colômbia, fruto da corrupção e da classe política tradicional, se trasladem a um segundo plano e seja a autodeterminação do povo do país vizinho e a soberania desse Estado a que se imponha na agenda midiática e política nacional.


Por isso assinalaram: “Não aspiramos a reproduzir nem a experimentar modelos econômicos aplicados em outros países. Quando se fala de uma redefinição do modelo econômico se refere a uma modificação substancial das políticas econômicas que conduziram a uma destruição de uma produção nacional, por isso queremos recuperar o aparato produtivo do país. Se fala de uma redefinição das políticas mineiro-extrativistas que estão esgotando os recursos naturais e provocando múltiplos protestos cidadãos, étnicos e indígenas. E nesse sentido aspiramos a gerar uma economia concebida para resolver os problemas essenciais da população. Uma economia para as pessoas humildes e não para aprofundar as desigualdades existentes no país”, assinalou o diretor do tanque de pensamento do partido FARC, Jairo Estrada.


Para a candidata vice-presidencial Imelda Daza, a proposta fariana inclui a maioria de colombianos que se situa abaixo da linha de pobreza e miséria. Adverte que não lhes interessa mudar o modelo econômico, porém sim modificá-lo para um mais inclusivo, humano e que garanta a eliminação da pobreza, o fim da desnutrição infantil, o fim da desatenção aos jovens sem educação, saúde e emprego.

“Eu, particularmente, por minha condição de mulher e vítima, quero me referir à mulher colombiana, dadora de vida, construtora de paz, as mães e avós da Colômbia dissemos que não parimos filhos para a guerra. Não vai mais à guerra em Colômbia. Nós representamos a metade da população, porém ademais somos as mamães da outra metade. A elas vai dirigida a mensagem para nos comprometermos a fundo com a defesa do processo”, concluiu Imelda Daza, destacada líder da UP e representante de Vozes de Paz.
 
Rodrigo Londoño
“Agradeço a confiança que depositou em mim a direção do partido FARC ao atribuir-me a tarefa de representar aos do Comum”, foi o brado que desde Cuba o candidato presidencial da Força do Comum, Rodrigo Londoño fez conhecer. O máximo dirigente fariano se encontra em período de recuperação à espera da alta médica que lhe permita regressar ao país para enfrentar a campanha pela primeira magistratura da nação.


 “A carga é pesada, porém é mais leve trabalhando ao lado de Imelda Daza e do povo colombiano. E tenham a certeza de que a tarefa de ser candidato presidencial que o partido me delegou a desempenharei com amor, entusiasmo e fé na vitória”, indicou Rodrigo Londoño.
Tradução > Joaquim Lisboa Neto

 
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