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No Brasil, Justiça vai pedir à Suíça documentos contra chefão do futebol

12.10.2011 | Fonte de informações:

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Por ANTONIO CARLOS LACERDA

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No Brasil, Justiça vai pedir à Suíça documentos contra chefão do futebol. 15764.jpegBRASILIA-BRASIL - Suspeito de suborno, remessa ilegal de dinheiro e posando de bom moço, acima do bem e do mal, o Chefão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, finalmente entrou na alça de mira da Justiça Federal.

O procurador da República Marcelo Freire confirmou que vai enviar à Polícia Federal pedido de investigação contra Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa 2014, por remessa ilegal de dinheiro ao exterior.

Marcelo Freire não quis dar entrevista, mas sua assessoria confirmou que o pedido oficial deverá ser enviado à superintendência da Polícia Federal (PF), no Rio de Janeiro.

Como parte da apuração, todos os documentos mantidos pela Justiça suíça contra o chefão da CBF, Ricardo Teixeira, por suposto suborno, poderão ser requisitados pelos investigadores brasileiros para ajudar a esclarecer as denúncias contra o dirigente e agente oficial da Fifa.

Falando sob a condição de anonimato, um procurador da República de São Paulo confirmou que o processo suíço contra Teixeira, como agente da Fifa, também poderá ser requisitado para ajudar a fundamentar as denúncias de remessa ilegal de dinheiro.

"Temos convênio com a Justiça suíça e esses documentos serão fornecidos se a Procuradoria pedir. Hoje, eu diria que a Suíça é o pior lugar do mundo  para alguém fazer lavagem de dinheiro", adiantou o procurador.

Marcelo Freire conhece bem Ricardo Teixeira desde as investigações realizadas durante a CPI do futebol entre 2000 e 2002 na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O procurador da República chegou a abrir processo contra Teixeira, mas os casos pararam na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Na apuração feita pelo Senado Federal, aparecem empréstimos contraídos pela CBF, no valor de U$ 36 milhões.

Parte desse dinheiro veio do Delta Bank, que era dirigido por empresários brasileiros ligados a Teixeira, no Brasil. O empréstimo à CBF trouxe também o nome do homem que aceitou o desafio de ser o avalista da operação internacional: era o mesmo Ricardo Teixeira, que assinava como tomador, fiador e pagador de supostos juros de cerca de 50% ao ano. Nos anos 2000, a taxa de juro básica não chegava a 2% por cento ao no, nos Estados Unidos.

O pedido de investigação criminal de 2001 foi feito junto à Procuradoria Geral da República, em Brasília, em julho. Depois de análise feita pelo Grupo de Trabalho que reúne procuradores federais, representantes das 12 sedes da Copa 2014, decidiu-se pelo envio da petição ao Rio de Janeiro, cidade onde reside o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira.

A petição é assinada pelo presidente do Partido Republicano Brasileiro, Marcos Pereira. A bancada do PRB é formada majoritariamente por evangélicos. O partido usou a série de denúncias que a Rede Record levou ao ar contra os negócios de Teixeira dentro e fora do Brasil.

No Rio de Janeiro, foi tomada outra decisão para agilizar o processo: distribuir o caso para uma vara criminal e o contemplado acabou sendo o procurador Marcelo Freire.

Ricardo Teixeira também preside o Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, a ser realizada no Brasil. As denúncias contra ele são antigas - desde a saída de seu ex-sogro João Havelange nos 70. Há quase dez anos, foi formada no Senado uma Comissão Parlamentar de Inquérito para levantar as piores denúncias contra Teixeira e a CBF.

Interrogado pelos senadores, o presidente da CBF foi simplista: "Faço a mesma coisa que João Havelange fazia enquanto dirigia o futebol brasileiro".

Havelange deixou de dirigir o futebol brasileiro em 1974, quando assumiu a Fifa. Recentemente, a BBC de Londres fez uma série de reportagens sobre corrupção no futebol internacional. Parte das denúncias, segundo o jornalista escocês Andrew Jennings, atingiram Ricardo Teixeira e João Havelange.

Em visita ao Brasil, Jennings afirmou que os dois brasileiros teriam feito um acordo com a Justiça suíça para não serem incriminados. O jornalista garante que Havelange e Teixeira teriam devolvido cerca de US$ 9 milhões, recebidos supostamente como propinas eleitorais e negócios ilícitos.

Na lista de empresas que teriam recebido dinheiro ilegal por para da International Sports Leasure (ISL), parceira da Fifa desde os anos 80, com João Havelange na presidência, estão nomes bem conhecidos das pessoas que falam português: Beleza, Wando, Sanud (Dunas), Sicuretta e Seprocom. Sanud e Sicuretta têm remessas de mais de US$ 15 milhões entre 1980 e 1999.

A Justiça suíça trabalha com valores de caixa 2 que chegam a perto de U$$ 150 milhões, envolvendo vários dirigentes e ex-dirigentes da Fifa, em 20 anos. A investigação européia começou com a falência da ISL, especializada em vendas de direitos para transmissão dos jogos das copas do mundo.

Por trás das operações estavam a Adidas (50%) e a japonesa Dentsu (50%). Um oficial do grupo japonês também foi investigado pelos promotores europeus: Haraouyuki Takahashi seria o chefe de um grupo financeiro, com sede em Hong Kong, por onde transitou parte da dinheirama.

ANTONIO CARLOS LACERDA é correspondente internacional do PRAVDA.RU

 
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