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Diplomatas rejeitam a indicação do embaixador de Israel

09.01.2016 | Fonte de informações:

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Dani Dayan é rejeitado no Brasil e até em Israel

Embaixadores brasileiros divulgaram uma carta criticando a indicação de Dani Dayan, feita pelo governo de Israel, para assumir a embaixada do país no Brasil. Os diplomatas, todos com destacada atuação, inclusive como ministros de estado, apoiam a decisão do governo brasileiro de rejeitar a indicação. Em Israel também há rejeição à Dayan.

Por Inácio Carvalho

A indicação do líder do colono israelenses, Dani Dayan, para a Embaixado de Israel no Brasil tem gerado reações cada vez maiores. A mais recente foi uma carta assinada por 37 diplomatas brasileiros considerando inaceitável o ato do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, sem submeter anteriormente o indicado ao governo brasileiro, como é de praxe as relações diplomáticas. A carta lembra a memória do Embaixador Luís Martins de Sousa Dantas, responsável pelo salvamento de centenas de judeus do holocausto nazista. Os diplomatas ressaltam ainda que a Assembleia Geral da ONU que sancionou a criação de Israel foi presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha.

Em relação ao indicado, a carta destaca o fato de Dayan haver presidido o Conselho Yesha, responsável pelos assentamos de colonos na Cisjordânia, rejeitados pela comunidade internacional, além de ser contrário à criação do estado Palestino. Estas posições confrontam-se com a postura do Brasil, francamente favorável ao reconhecimento da Palestina, ao lado de mais de 70% dos membros nas Nações Unidas.

Ao final os embaixadores que subscrevem a nota apoiam a posição do governo brasileiro de não aceitar a indicação feita por Israel e esperam que o episódio seja superado para que as relações entre os dois países voltem à normalidade.

Entre os diplomatas que assinam a carta estão os ex-ministros Luiz Felipe Lampreia, Ronaldo Mota Sardenberg, José Viegas Filho e Marcílio Marques Moreira, além de Samuel Pinheiro Guimarães, José Maurício Bustani, Maria Celina Azevedo Rodrigues e outros tantos com reconhecida atuação nos meios diplomáticos.

Rejeição também em Israel

Além da posição dos diplomatas brasileiros, há reações também em Israel. No mês de setembro três importantes diplomatas daquele país tomaram posição pública contrária à indicação de Dani Dayan. Na ocasião os diplomatas aposentados Alon Liel, ex-diretor geral do Ministério das Relações Exteriores; Eli Barnavi e Ilan Baruch, ex-embaixadores na França e na África do Sul, respectivamente, afirmaram que o Brasil deveria recursar a indicação.

Entre os motivos anotados pelos diplomatas israelenses para recusar Dayan está o mesmo que os brasileiros levantam. Segundo eles o fato do indicado ser um colono, ex-presidente do Conselho Yesha representa uma indicação política de alguém "ideologicamente comprometido com o que é considerado internacionalmente, inclusive pelo Brasil, como um ato ilegal de usurpação de território pertencente ao povo palestino, tanto enquanto nação como, por vezes, de propriedades particulares de indivíduos, confiscadas para uso dos colonos".

Na carta os diplomatas afirmam ainda que "Dayan não acredita em segurança, paz e prosperidade através do fim da ocupação. Ele acredita que aos palestinos que vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental deveria ser dada uma escolha: ou imigração ou aceitação da hegemonia israelense, que enquanto possa aprimorar sua posição econômica e oportunidades de negócios, é indiferente às ignoradas, ainda que justas, aspirações de autodeterminação por meio de soberania e estado de direito".

A mensagem destaca o papel relevante do Brasil na busca da "Solução de Dois Estados" - Israel e Palestina - de modo a evitar que a região seja novamente conduzida ao que chamam de "caos sangrento". Os diplomatas acreditam que "que a comunidade internacional em geral, e o Brasil em particular, como uma das forças mais importantes do mundo, são obrigados a enviar uma mensagem inequívoca para Jerusalém, a de que a atual política do governo Netanyahu de aprofundar a ocupação por meio da expansão dos assentamentos está condenada e é perigosa".

Neste sentido a concordância com a indicação de Dayan por parte do Brasil seria um "sinal errado para a comunidade que apoia os dois estados, israelense e palestino, e uma vitória esmagadora para os que advogam por um estado binacional não-democrático. É ainda uma mensagem clara à comunidade internacional como um todo: "Podem esquecer a ideia dos Dois Estados; podem esquecer a ideia de um Estado Palestino."

Leia abaixo a íntegra da carta dos embaixadores brasileiros:

Nós, os diplomatas aposentados abaixo assinados, lembrando a memória do Embaixador Luís Martins de Sousa Dantas, que salvou centenas de judeus do Holocausto; orgulhosos do papel desempenhado pelo Brasil nas Nações Unidas quando, sendo Osvaldo Aranha Presidente da Assembleia Geral, foi sancionada a criação do estado de Israel,

Consideramos inaceitável que o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, haja anunciado publicamente o nome de quem pretendia indicar como novo embaixador de seu país no Brasil antes de submetê-lo, como é norma, a nosso governo. Essa quebra da praxe diplomática parece proposital, numa tentativa de criar fato consumado, uma vez que o indicado, Dani Dayan, ocupou entre 2007 e 2013 a presidência do Conselho Yesha, responsável pelos assentamentos na Cisjordânia considerados ilegais pela comunidade internacional, e já se declarou contrário à criação do Estado Palestino, que conta com o apoio do governo brasileiro e que já foi reconhecido por mais de 70% dos países membros das Nações Unidas.

Nessas condições, apoiamos a postura do governo brasileiro na matéria e fazemos votos de que o presente episódio seja superado prontamente a fim de podermos, em conjunto, reforçar os vínculos entre os dois países num momento histórico em que o espírito de conciliação se torna imperativo.

Adhemar Bahadian,

Amaury Porto de Oliveira,

Armando Victor Boisson Cardoso,

Brian Michael Fraser Neele,

Carlos Alberto Leite Barbosa,

Carlos Eduardo Alves de Souza,

Christiano Whitaker,

Edgar Telles Ribeiro,

Fernando Guimarães Reis,

Fernando Silva Alves,

Geraldo Holanda Cavalcanti,

Heloisa Vilhena de Araujo,

Hildebrando Tadeu Valladares,

Janine-Monique Bustani,

Joaquim A. Whitaker Salles,

Jorio Dauster,

José Maurício Bustani,

José Viegas Filho,

Julio Cesar Gomes dos Santos,

Luciano Rosa,

Luiz Augusto de Castro Neves,

Luiz Fachini-Gomes,

Luiz Felipe Lampreia,

Luiz Orlando Carone Gelio,

Marcílio Marques Moreira,

Marcio Dias,

Maria Celina Azevedo Rodrigues,

Oswaldo Portella, Roberto Abdenur,

Ronaldo Mota Sardenberg,

Samuel Pinheiro Guimarães,

Sergio Fernando Guarischi Bath,

Sergio A. Florencio Sobrinho,

Sergio Henrique Nabuco de Castro,

Sergio Serra,

Stelio Amarante,

Thereza Quintella, Vera Pedrosa,

Virgílio Moretzsohn de Andrade,

Washington Luis P. Sousa.

Do Portal Vermelho

 

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