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Ex-Agente da CIA: "Democracia Profundamente Fracassada" dos EUA

08.10.2016 | Fonte de informações:

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Ex-Agente da CIA:

Ex-Agente da CIA: "Democracia Profundamente Fracassada" dos EUA

John Kiriakou, premiado autor e ex-agente da CIA que passou dois anos na prisão por denunciar o programa de tortura Agência Central de Inteligência contra prisioneiros, concede outra entrevista exclusiva ao Jornal Pravda. Em junho, ele havia nos contado sobre sua vida, as torturas da CIA e sobre os ataques do 11 de Setembro.

Desta vez, ele fala da tensa na relação estadunidense com a Rússia, da guerra civil na Síria, do terrorismo internacional, das eleições presidenciais deste ano nos Estados Unidos , e do que ele chama de "democracia profundamente fracassada "em seu país. 

Abaixo, John Kiriakou comenta a política doméstica e externa dos Estados Unidos.

Edu Montesanti: Como o senhor avalia as acusações de que a Rússia está por trás da invasão aos computadores do Comitê Nacional Democrata (DNC), vazando correios eletrônicos de Hillary Clinton paraWikiLeaks?

John Kiriakou: Estou bastante decepcionado com as acusações de que a Rússia é responsável pela invasão ao Comitê Nacional Democrata. É ano eleitoral. É fácil fazer acusações. Mas absolutamente nenhuma prova foi apresentada.

Se fosse verdade que os russos haviam invadido o DNC com a finalidade de influenciar a eleição presidencial, teria sido um grave incidente internacional. Mostrem a prova. Caso contrário, as acusações são apenas palavras sem sentido.


Edu Montesanti: E como o senhor encara o fato de que muitos políticos norte-americanos, ecoados pela grande mídia, estejam tentando gerar um estado permanente de tensão com a Rússia? Você não acha que o Kremlin tem sido decisivamente eficiente no combate ao Estado Islamita, bem como sinceramente disposto a ser aliado dos Estados Unidos na Síria a fim de estabilizar a região? Tais fatos não são suficientes para que Washington seja aliado da Rússia no Oriente Médio, ou que pelo menos faça uma tentativa séria neste sentido?

John Kiriakou: Acredito que os Estados Unidos não têm uma política eficiente na Síria. Os militares russos foram convidado para se engajar na Síria pelo governo [local] internacionalmente reconhecido. Os russos têm todo o direito de estar na Síria.

Os militares russos têm sido eficazes na luta contra a Síria. Isto não é menos verdade apenas porque os Estados Unidos têm diferentes interesses na Síria.


Edu Montesanti: Por que acusar exatamente o Kremlin? Você acha que Washington esteja tentando promover uma nova Guerra Fria contra a Rússia?

John Kiriakou: Não acho que Washington esteja tentando promover uma nova Guerra Fria contra a Rússia. Ao contrário, este é um ano eleitoral normal para nós. Os democratas precisam de um "bode expiatório", e a Rússia é uma folha fácil easy foil. Afinal After all,, em Putin não se pode votar.


Edu Montesanti: O presidente sírio Bashar al-Assad representa mesmo ameaça à segurança dos Estados Unidos? Por que a Casa Branca tem Damasco como alvo hoje?

John Kiriakou: Não acredito Assad represente nenhuma ameaça aos Estados Unidos. Ele nunca foi uma ameaça no passado. Os Estados Unidos tomaram a decisão, em 2009, de se opor a Assad e apoiar uma "oposição moderada". Na verdade, nenhuma oposição deste tipo existe, e Washington está atolado em uma política fracassada.


Edu Montesanti: Bahsar al-Assad era aliado dos Estados Unidos no combate ao terrorismo antes da atual guerra civil, iniciada em 2013. Quais os interesses reais de Washington na Síria, então? E como a CIA desempenha seu papel nesta "erro" na Síria mencionado por você, já que a Agência Central de Inteligência acusou o presidente Assad de atacar com armas químicas, o que é absolutamente falso (os rebeldes "moderados", apoiados por Washington, fizeram isso de acordo com a relatórios das Nações Unidas, e segundo próprios memorandos do governo dos Estados Unidos)?

John Kiriakou: O Estados Unidos, francamente, tem pouquíssimos interesses nacionais na Síria, com excepção de contraterrorismo e estabilidade regional. A base do fracasso da política Estados Unidos na Síria é o fato de que não existe uma política real.

Como as coisas estão agora, um grupo apoiado pela CIA está lutando contra um grupo apoiado pelo Departamento de Defesa. Essa é uma receita para o fracasso.


Por favor, explique qual grupo é exatamente apoiado pela CIA e qual é apoiado pelo Departamento de Defesa, John, e precise por que isso ocorre.

Não tenho nenhuma informação de primeira mão sobre o grupo que a CIA apoia contra o Departamento de Defesa, mas a Imprensa norte-americana tem relatado que a CIA apoia a Jabhat al-Nusra. Muitas pessoas acreditam que este grupo tem ligações com a Al-Qaeda e, por essa razão, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos apoia forças curdas. 

Os curdos do Iraque e da Síria têm provado ser aliados confiáveis dos Estados Unidos, já a Frente al-Nasra, não. O argumento da CIA, que a situação exige alianças incomuns no campo de batalha, possui visão estreita e é equivocada. A diplomacia multilateral, incluindo russos, sírios e norte-americanos, é a única maneira de deter o combate.


Edu Montesanti: Você vê que o uso da força é eficiente para derrotar o terrorismo? Como o Estado Islamita poderia ser efetivamente derrotado?

John Kiriakou: O uso da força deve ser um componente de qualquer luta contra o terrorismo. Para derrotar o Estado Islamita, porém, se requer uma combinação de força com diplomacia, parceria com os poderes regionais e internacionais, e uma suspensão da venda de armas para a região.


Edu Montesanti: Você acha mesmo que os Estados Unidos têm sido sinceros na chamada "Guerra ao Terror"?

John Kiriakou: Acho que as pessoas responsáveis por "Guerra ao Terror" acreditam que têm feito a coisa certa. Eles têm estado amplamente equivocados.


Edu Montesanti: Após 15 anos de "erros" dos Estados Unidos no Oriente Médio, violando as leis internacionais e até mesmo a própria Constituição dos Estados Unidos ao declarar "guerras" preventivas contra Estados que não atacaram o país, ou melhor, invasões que, com base em crimes de guerra, têm custado milhões de vidas inocentes, John, você não acha que os responsáveis por esta "luta" sem fim que apenas espalha mais terroristas em todo o mundo são excessivamente incompetentes, ou agem motivados por interesses imperialistas e até mesmo por seus próprios interesses?

John Kiriakou: Percebo que os líderes norte-americanos responsáveis pelo naufrágio do país em guerras arbitrárias desde os ataques do 11 de Setembro devem ser chamados para prestar contas por suas ações. O Iraque, por exemplo, foi uma guerra arbitrária. 

Uma guerra de arbitrária é, por definição, uma guerra de agressão. Se George W. Bush, Richard Cheney, Donald Rumsfeld, Condoleeza Rice e outros fossem de qualquer outro país, eles poderiam estar sentados no banco dos réus em Haia.


Edu Montesanti: O FBI não conseguiu encontrar os 13 dispositivos utilizados pela candidata presidencial democrata Hillary Clinton, de onde enviou informações classificadas a partir de um servidor de correio eletrônico pessoal enquanto ela era secretária de Estado. Questionada pelo FBI se tinha sido avisada pelas pessoas com quem trabalhara para lidar com as informações de forma adequada, Hillary disse que não se lembra - 39 ocorrências de "não me lembro", de acordo com o relatório do FBI. Sua opinião, John.

John Kiriakou: Para dizer a verdade, depois de eu ter sido submetido a um grande processo judicial, havia muitos fatos que eu simplesmente não conseguia lembrar.

É muito, muito melhor dizer ao FBI que você não se lembra, do que está dizer algo errado, mudar a resposta mais tarde e ser acusado de ter dito perjúrio ou de fazer uma declaração falsa.


Edu Montesanti: Como você vê a atual cobertura da campanha presidencial dos Estados Unidos, por parte da mídia local?

John Kiriakou: A grande mídia tem dado a Donald Trump, literalmente, bilhões de dólares em cobertura gratuita ao mesmo tempo que tem ignorando legítimos terceiros candidatos, tais como Gary Johnson e Jill Stein. Trata-se de uma conspiração do sistema bipartidário.


Edu Montesanti: O que deve ser mudado no sistema eleitoral dos Estados Unidos, totalmente controlado pelo dinheiro de grandes corporações, em que candidatos de terceiros partidos não podem participar, com igualdade de condições, das campanhas e até mesmo das votações?

John Kiriakou: Precisamos de uma reforma eleitoral abrangente, incluindo o financiamento público, imediatamente. É a única maneira de fazer com que as corporações fiquem de fora de nossas eleições.


Edu Montesanti: A lista de doadores para a campanha de Clinton inclui muitas das mais poderosas instituições de comunicação no país - entre os doadores: Comcast (que detém a NBC e seus canais afiliados a cabo, tais como MSNBC); James Murdoch da News Corporation (dona da Fox News e suas subestações, entre muitas outras empresas de mídia); Time Warner (CNN, HBO, e dezenas de outros canais); Bloomberg; Reuters; Viacom; Howard Stringer (da CBS News); AOL (proprietária do Huffington Post); Google; Twitter; The Washington Post Company; George Stephanopoulos (hóspede de programa dominical da ABC News'); PBS; PRI; Hearst Corporation e outros. Antes deste fato, John, como você avalia apoiantes de Hillary Clinton afirma que a grande mídia está perseguindo o candidato democrata?

John Kiriakou: Os problemas de Hillary de Clinton são de sua própria responsabilidade. O povo norte-americano simplesmente não confia nela. Nenhuma quantidade de contribuições de campanha de instituições de mídia pode mudar isso.


Edu Montesanti: Dado o cenário atual, John, comente, por favor, sua perspectiva para o futuro.

John Kiriakou: O povo norte-americano está em uma ingrata posição, a de escolher entre dois candidatos profundamente fracassados. Hillary Clinton é visto como não confiável, e possivelmente como criminosa por causa do escândalo dos correios eletrônicos. Donald Trump é desequilibrado, polarizado, e raivoso.

Os norte-americanos vão eleger o menor entre dois males. E parece que este é Hillary Clinton.


Edu Montesanti: Suas palavras me fazem entender que o senhor não concorda com o mito de que os Estados Unidos têm a melhor democracia do mundo...

John Kiriakou: Nós temos uma democracia profundamente falha. Algumas pessoas argumentam que porque somos uma república, é que não temos uma verdadeira democracia, absolutamente. Basta olharmos para a eleição de 2000: aquilo, certamente, não foi democracia.


Edu Montesanti: Por que, exatamente, Hillary é mal menor em relação a Trump? O candidato republicano, apesar da histeria nazista contra muçulmanos e imigrantes, anuncia que se dedicaria ao diálogo com outras potências, especialmente com a Rússia, enquanto os discursos da candidata democrata evidenciam que ela é uma belicista, que aprofundaria profundamente a agressiva política externa de golpes, invasões e guerras. Como secretária de Estado, ela levou os Estados Unidos à invasão da Líbia, e quando seu esposo Bill Clinton era presidente, ela o apoiou para atacar a Iugoslávia. Internamente, Hillary é apoiada por grandes empresas em geral, que claramente odeiam Trump, assim como a grande mídia tendenciosa, totalmente pró-Clinton...

John Kiriakou: Para mim, os dois candidatos são terríveis, e por muitas das razões que você cita. Pessoalmente, estou apoiando o governador Gary Johnson, o candidato do Partido Libertário para presidente. É o único candidato em quem confio.


Edu Montesanti: Há muito tempo, os norte-americanos não têm escolha já que democratas e republicanos são dois lados da mesma moeda. A nação já não acredita mais em ambas as partes, há muito tempo. O que os cidadãos norte-americanos deveriam fazer, como devem agir a fim de mudar essa situação, se é que há alguma coisa a fazer enquanto subjugado por uma mídia corrupta, pela política suja, e pelo emburrecimento societário generalizado através do sistema "educacional", John?

John Kiriakou: Os terceiros partidos são a escolha mais eficaz para os Estados Unidos. Temos que parar de olhar para os terceiros partidos como "votos desperdiçados." Para mim, um voto desperdiçado é um voto para alguém que você não acredita. Lembre-se, o menor de dois males ainda é mal

 

 
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