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Entrevista com Edgar Welker

06.10.2010 | Fonte de informações:

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Sul-americana – Tabelião Edgar Welker - Vice-Presidente do Peñarol chefia a delegação rumo a Goiânia para o jogo perante o Goiás

O tabelião Edgar Welker, Vice-Presidente do Peñarol viaja como Presidente da Delegação junto com o Sr. Rachetti que faz parte da Diretoria do clube e o Gerente Esportivo, Osvaldo Giménez, na Segunda 11 de Outubro para o jogo perante o Goiás Esporte Clube no primeiro round do mata-mata que terá último capítulo no Estádio Centenario de Montevidéu na Quarta 20.

PRAVDA: Faz quanto tempo na Diretoria do Peñarol?

WELKER: Na última oportunidade, faz ano e oito meses, junto com o Presidente Juan Pedro Damiani num instante muito difícil do Peñarol; regredindo alguns anos, foi no ano 1993 até 1997 e logo de 2006 até 2007.

P: Então da para perceber que foi parte da Diretoria sob Presidência do Contador José Pedro Damiani, pai do atual Presidente. Qual foi o ensino que ele conseguiu transmiti-lhe pois tratou se bem mais que um ícone nem só no Peñarol senão no próprio futebol uruguaio?

WELKER: Com certeza. Foi por causa dele que acabei dando o primeiro mergulho na Diretoria de 1993. O Contador Damiani foi referência nem só no Peñarol senão no país. O ensino que ele deixou como herança para mim foi fundamental para continuar neste ambiente do futebol até hoje. Foi uma pessoa com «raça» e personalidade muito forte com estilo de direção que não daria para desenvolver, hoje, no futebol uruguaio mas nessa data foi o epicentro do Peñarol com inúmeros sucessos sob a chefia dele na Presidência do clube. Na verdade, foi extremamente importante para mim no futebol, ensinando-me como teria que ser o relacionamento com a turma de jogadores, treinadores, estafe técnica e como ir mexendo nesse ambiente dos agentes que hoje é muito duro para qualquer uma das Diretorias.

P: O estilo do filho do Contador e atual Presidente, Juan Pedro Damiani parece ter mudado um bocado quanto ao do pai. Agora até conseguindo o sucesso do último Torneio Uruguaio.

WELKER: Houve mudanças, sim. Juan Pedro, juntou-se com pessoal ou poderíamos dizer que ficou contornado por pessoas com cabeça empresarial bem distante daquilo que fazia o pai que era muito absorvente tentando ficar rodeado por pessoas sem aquele brilho e volume. Da para entender? Então, a visão do Juan Pedro é extremamente diferente quanto tem a ver com o estilo de chefiar um clube e levando em consideração que a visão do pai salientou a figura dele próprio como número um, o Juan Pedro já na poltrona do Presidente, reconhece o posicionamento mas se rodeia de pessoas que participam de jeito constante nas decisões do clube, negócio que não acontecia no passado.

P: O grande projeto do Contador José Pedro Damiani foi e agora a nova Diretoria continua tentando desenvolver esse tal projeto que é o estádio próprio. Tem localizado no mapa esse famoso estádio? Caso ter batizado o estádio...será que o nome vai ser José Pedro Damiani?

WELKER: Está tudo muito bem encaminhado. De jeito específico, na Sexta 1º de Outubro, tivemos uma reunião com a empresa construtora que está acabando o plano de negócios, um investimento muito importante, no mínimo no Uruguai pois está no eixo dos 20 – 25 milhões de dólares que fica distante das possibilidades financeiras de um clube. Temos a possibilidade que inversores façam progredir este investimento e na Sexta tivemos uma apresentação da empresa SACEEM que ficaria com a construção do estádio e tudo isso faz que nossa vontade aumente a cada dia. Nos temos esse sonho na cabeça faz muitos anos, Peñarol quer e precisa ter o estádio próprio e agora é a primeira oportunidade que temos um projeto sério na frente com inversores de empresas importantes que poderia concretizar numa realidade esse tal sonho. Quanto tem a ver com a localização do estádio, trabalhamos de mão dadas com a Prefeitura de Canalones (Estado vizinho de Montevidéu), com o Prefeito e médico Marcos Carámbula e destaques de nosso governo nacional que caso concretizar a construção, o estádio ficaria localizado na Cidade da Costa, nalguns espaços interessantes e que ficam como apropriados para localizar o estádio. O nome do Estádio não é o do Contador Damiani sendo esse assunto mais um que vai se negociar com alguma empresa importante pois o conceito é de «Arena» bem mais que do «Estádio». O nome do estádio seria uma das formas de arrecadar que teriam os inversores.

P: A lotação do Estádio?

WELKER: Na prévia a nossa previsão é de 35 á 40 mil pessoas. Desejamos atingir essa cimeira de 40 mil pois dessa forma vamos conseguir hospedar a grande maioria das partidas até os próprios «Clássicos». Aliás, como o nosso negócio não é o setor da construção qual é a diferença entre 35 e 40 mil, então a empresa está tentando que essa marcação de 40 mil acabe sendo uma realidade, ultrapassando os planos originais de 35 mil.

P: O Joseph Blatter, Presidente da FIFA, acabou confirmando na Colômbia que Uruguai e Argentina iam ser sedes da Copa do Mundo em 2030. A partir desses comentários, estão fazendo uma forcinha superior para que a lotação alcance os 40 mil de olho na Copa 2030?

WELKER: Com certeza. O projeto do estádio está planejado gradativamente, tendo diferentes etapas. Uma primeira poderia ser essas 35 á 40 mil pessoas e de olho em 2030 que Uruguai e Montevidéu de jeito específico vai precisar de um estádio «aggiornado» fora que o Estádio Centenario é um grande estádio e Monumento Histórico também vai precisar de mudanças. Por enquanto, caso Uruguai e Argentina forem confirmadas como sedes da Copa do Mundo 2030, acredito que este o nosso estádio vai ser importante quanto à infra-estrutura para que esse Mundial seja organizado em Montevidéu ou como neste caso nas redondezas de Montevidéu. Acho importante salientar que Peñarol contribuiu com aquele estádio do Bairro Pocitos de Montevidéu em 1930 e fora que agora foi derrubado ficando ainda algumas referências como a cidadela aonde aconteceu o primeiro gol do torneio. Embora, seria maravilhoso que o Peñarol fosse parte desse próximo Mundial 2030 contribuindo com mais um estádio.

P: Qual é o orçamento do Peñarol quanto tem a ver com turma dos grandes destaques? E como se faz para importar um grande do futebol mundial como Santiago «Indiecito» Solari fora que está comemorando 34 anos daqui a poucos dias?

WELKER: O orçamento atual do Peñarol, que tentamos diminuir desde o dia que começou a nossa gestão na Diretoria do clube, está no eixo dos 450 mil dólares que neste ambiente uruguaio é muita verba investida fora que no mundo futebolístico poderíamos dizer que são «gorjetas». É bom remarcar que na hora que nos seguramos esta responsabilidade a situação financeira do clube e do futebol uruguaio todo era muito difícil. O nosso grande projeto foi tornar todas ás áreas do clube profissionais e concretizamos esse primeiro alvo. Contratamos um Gerente profissional que dá atendimento a Gerência Geral, um outro profissional de olho na Gerência de MKT, um outro profissional importante atendendo a Gerência Esportiva e isso tudo foi concretizando aquele objetivo que a instituição Peñarol ganhasse aquele corpão. Tem que levar em consideração que Peñarol ficou numa fase de sossego por falta de gestão e hoje sem ter virado a página quanto aos problemas financeiros a gente está numa outra fase. No início da nossa gestão tínhamos uns 12 mil sócios e agora acrescentou para 27 mil e isso acarreia uma verba boa. No segmento esportivo, logo ter ultrapassado essa etapa de falta de Campeonatos conquistados, temos arvorado o último caneco uruguaio e de braços dados com a boa tarefa dessa turma que cativou muitos fãs nas arquibancadas no decorrer do torneio, a nossa conta corrente aprimorou bastante fazendo que o nosso dia-a-dia financeiro fosse bem mais tranqüilo. O negócio do Solari...vamos ver...para o nosso futebol trazer um destaque desse tamanho mundial é muito difícil mas acabou se dando uma situação bastante especial pois o Atlante e o Presidente do Atlante de México que aprecia muito ao jogador e Solari tinha vontade de sair do México e após muitos telefonemas que mantive com o Presidente do Atlante, que na realidade foi quem acabou dando um jeito para que este negócio tocasse na frente pois ele colocou uma grana importante para que o Solari vestisse a camisa jalde-negra do Peñarol no decorrer deste ano e Peñarol completou com mais uma graninha para que o Solari não perdesse nada do salário de lá.

P: O que poderia refletir quanto á nomeação de Campeão do Século XX na América e quais são as façanhas que o senhor lembra que com certeza acabaram contribuindo para que o dedo apontador caísse acima do Peñarol?

WELKER: Grandíssimo orgulho que o Peñarol fosse reconhecido com essa nomeação ímpar e maravilhosa e para todos aqueles que levamos no coração esse tal sentimento que como «fala» uma faixa que a cada jogo fica pendurada num dos anéis da arquibancada, é inexplicável, pois é inexplicável para todos nós, ficamos orgulhosos pelo reconhecimento desse tamanho. Está certo que essa nomeação de Campeão do Século XX é um reconhecimento que cai bem pois é mesmo Campão do Século pois temos tido grandíssimas façanhas internacionais. As primeiras que vou lembrando foram aquelas Finais da Taça Libertadores de América perante o River Plate argentino em 1966 no Estádio Nacional de Santiago, sendo salientadas como as vitórias mais importantes do histórico do futebol uruguaio todo. Lembro de cor mesmo. Tendo completado 14 anos fiquei ouvindo o jogo no Largo que está na frente do edifício da Prefeitura de Montevidéu pelos alto-falantes que nesse cantinho da cidade foram instalados e acompanhando a narração do famoso Carlos Solé que cativou uma multidão de ouvintes. Um outro narrador que concorria com o Solé foi o Heber Pinto pela rádio-emissora CX 10 – Rádio Ariel. Foi uma bagunça pois era uma mistura de narrações pelos alto-falantes. Impossível se esquecer desse jogo, a alegria do povão, o jeito espontâneo de agir de todos aqueles que ficamos comemorando pela cidade toda, a terceira Taça Libertadores conquistada. Pois foi façanha mesmo!!! Acabamos dando uma virada 4 – 2 no tempo suplementar logo o início 0 – 2 do River Plate. Acho que após a Final da Copa do Mundo em Maracanã em 1950, confirmado por inúmeros jornalistas esportivos, essa vitória do Peñarol perante o River Plate em Santiago foi a maior conquista do futebol uruguaio todo. Logo chegaram as finais perante o Real Madrid, como vitórias nos dois jogos do mata-mata primeiro em Montevidéu e logo no Estádio de Chamartín (hoje Santiago Bernabéu) de Madri, incríveis. Foram 5 Taças Libertadores de América, 3 Inter-Continentais, uma Supercopa e no ambiente local acho que são 47 Campeonatos Uruguaios. Ao meu ver, esses canecos ganhos todos, fizeram dessa nomeação, justiça absoluta.

P: Fernando Morena, um artilheiro ímpar no decênio de 1970 foi um dos que junto com o Nestor «Tito» Goncalvez, um meia que vestiu sempre a camisa do Peñarol no decorrer de 14 anos de 1957 – 1970 e o Presidente Juan Pedro Damiani receberam o Prêmio do Campeão do Século na Inglaterra faz alguns meses. Chute quanto aos nomes desses jogadores.

WELKER: São duas marcações no histórico do clube, sem dúvidas. O «Tito» Goncalvez foi o grande Capitão das grandes façanhas do Peñarol do decênio de 1960, que pula desde os sucessos no Uruguai até os internacionais. Ele é o Grande Capitão das conquistas mais maravilhosas do Peñarol e felizmente hoje continua conosco e viajaram junto com o Fernando e o Presidente da instituição nessa celebridade de honra para o nosso clube. Quanto ao Fernando Morena, meu grande ídolo como jogador pois tive o privilegio de assistir á grande maioria dos jogos e maravilhas que o Morena acabou concretizando em campo. O grande artilheiro do futebol uruguaio que derrubou quanto recorde houve no passado. Agora temos abraçado o Morena mais uma vez no clube desde o cargo de Diretor de Relações Institucionais e Esportivas, um cargo que no Uruguai não tem antecedentes, semelhante ao do Emilio «Abutre» Butragueño no Real Madrid. Faz algumas semanas ocorreu o jogo dos Campeões do Século XX, Sul-Americano e Européio no Estádio Santiago Bernabéu, o Peñarol e o Real Madrid. Estivéramos com o Butragueño e confirmamos que o cargo dele é semelhante desse que acabou de assumir o Fernando Morena no clube. O lançamento do Morena neste cargo foi o dia do aniversário 119 do Peñarol (nasceu o 28 de Setembro de 1891) no Palácio Contador Gastón Güelfi, bem mais conhecido como Palácio Peñarol (sede do clube). Aí deu para perceber quanto os torcedores adoram o Fernando, aquele herói no gramado voltando ao Peñarol. Ele vai nós dar uma imagem muito importante pois trata-se de uma pessoa extremamente conhecida no mundo esportivo todo. Porém, acredito que tem muito para contribuir com o clube nesse cargo que vai desenvolver sendo que junta-se á estrutura do clube um destaque e tanto que vai permitir o nosso crescimento institucional que é o grande alvo do clube.

P: Sábado 2 de Outubro o Peñarol homenageou o ex goleiro Luis María Maidana, Campeão da Taça Libertadores de América 1960 e 1961 e do Mundo 1961, perante o Benfica na estréia internacional do Eusébio. Tem mudado a política do Peñarol com os Campeões do passado?

WELKER: Sem dúvida. Temos que agradecer aos grandes craques que foram progredindo até virar craques tornando o Peñarol um grandão. No caso do Luis merece pois foi um goleiro com roteiro esportivo brilhante no Peñarol jogando até no próprio Palmeiras de São Paulo. Acho que o Peñarol tinha sido muito ingrato com aqueles que foram glórias no clube e hoje tentamos consertar o assunto mantendo a imagem deles bem alta, fora que acredito que essa imagem nunca foi fraca pois a história do clube foi montada por todos eles. O Peñarol grandão foi fabricado pelos jogadores e agora tentamos retribuir com esses reconhecimentos.

P: Nos próximos dias o Peñarol vai viajar para Goiânia abrindo o primeiro jogo do mata-mata perante o Goiás Esporte Clube pela Sul-Americana. Quem vai chefiar a delegação?

WELKER: Vamos viajar o Sr. Rachetti e eu como parte da Diretoria e com certeza o Gerente Esportivo, Osvaldo Giménez. Estamos avaliando a possibilidade que o Fernando Morena seja parte dessa delegação. Vamos decolar rumo a Goiânia, Segunda 11 de Outubro, num vôo charter da PLUNA (Primeiras Linhas Uruguaias de Navegação Aérea) para a partida perante o Goiás e voltamos assim que o jogo acabar.

P: Faz um mês o Goiás esteve último na classificação do Brasileirão mas acabou conquistando algumas vitórias importantes que acho mudam o panorama agora. Está a par de tudo quanto acontece com o rival? Qual é a chance do Peñarol progredir nessa fase da Sul-Americana agora?

WELKER: Estou a par, claro. Os confrontos dos times uruguaios com times brasileiros foram sempre muito difíceis no histórico, tornando-se um desafio mesmo. Este time de jeito específico que se falava estava ruim, nos últimos jogos tem conseguido resultados importantes, vencendo alguns dos famosos times brasileiros, ou seja, tem pulado por cima da barreira que tinha na frente que começava incomodá-lo. Já é um outro instante para eles...um mês ou mês e meio antes tivéssemos encontrado um Goiás diferente ao atual. É um jogo de muito risco para o Peñarol e como visitantes pior ainda. Estamos muito confiantes na turma do Peñarol pois fazem parte dela bons jogadores, a equipe técnica é muito experiente e acho que montando uma boa estratégia no gramado o Peñarol poderia conquistar um resultado que encaminhe o segundo jogo do mata-mata em Montevidéu duma forma diferente na procura do alvo da classificação na próxima fase da Sul-Americana. É importante salientar que estamos tentando conquistar o título de Campeão Uruguaio como acontece a cada ano para um grande do mundo como o Peñarol senão voltar no ambiente internacional após alguns anos com grande sucesso que seria que o nosso capitão bracejasse o caneco de Campeão da Sul-Americana.

P: Uma mensagem para a Diretoria do Goiás Esporte Clube do olho neste mata-mata dos próximos dias?

WELKER: Minha mensagem é simples. Tomara que os jogos entre nós sejam uma festa esportiva que é o alvo de todos, que as arquibancadas estejam lotadas dando para apreciar um espetáculo que corra em paralelo com o prestígio das instituições. Nós temos tido relacionamento com outros times do Brasil mas neste caso do Goiás Esporte Clube é a nossa primeira experiência. Acredito que relacionamento entre as Diretorias dos dois times vai ser ótima. Por enquanto, só isso.

Foto: Tabelião Edgar Welker

Gustavo Espiñeira

Correspondente PRAVDA.ru

Montevidéu – Uruguai

 
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