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Brasil 1 Holanda 2

02.07.2010 | Fonte de informações:

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Perde-se muita coisa por estupidez, mas quando se trata de uma acumulação de idiotice coletiva, atinge-se uma massa crítica com resultados exponenciais e isso se viu esta tarde em Nelson Mandela Bay, onde o Brasil sai desta copa de forma extremamente precoce (para um penta-campeão) simplesmente e apenas porque seus jogadores tiveram a mania que o rei estava na barriga.

A estatística do jogo demonstra de forma clara que o Brasil não estava inferior à Holanda: 15 remates contra 10 da Holanda, 8 escanteios/cantos contra 4. O golo de Robinho marcou a presença brasileira na semi-final, frente a Uruguai ou Gana, no minuto 10’, conectando de forma letal com um belo passe que dividiu a defesa holandesa. Holanda parecia não ter quaisquer opções no final da primeira parte, que viu ainda uma defesa brilhante de Stekelenburg, negando Kaká, além de remates ligeiramente por cima de Juan e Luís Fabiano. Júlio César foi chamado para intervir aos 11’ (Kuyt) e aos 36’ (Sneijder).

Esse nome, Sneijder, sairia do túnel depois do intervalo com ambição talhada na cara, tal como o resto da equipa holandesa enquanto o escrete deixou no balneário o senso comum, a vontade de pensar, a capacidade de se concentrar e aquilo que se chama jogar em equipa. Tinha apenas de gerir o resultado, fechando o centro e as alas, não dando espaço aos holandeses e sem cometer falhas defensivas. Nada impossível para um penta-campeão.

Foram precisamente estas coisas que o Brasil não só teimou em não fazer, mas pior, fez monumentais confusões na área, dando ânimo à equipa laranja e enviando ondas de choque pelos seus próprios jogadores. Se Júlio César saia da sua área, ele sabia (pelo menos é pago o suficiente) que quando se sai, é para conectar com a bola, ou então fica na baliza. Fez isso duas vezes. A primeira foi aos 53’, quando Filipe Melo fez o primeiro de dois favores para seus colegas, nomeadamente introduzindo a bola na própria baliza e como se isso não fosse o suficiente, conseguiu ser expulso aos 73’, numa jogada infantil, enterrando os pitões na perna de um adversário, estendido no chão. Vê-se logo que esse Filipe não deve ser muito boa pessoa, não. A segunda saída do goleiro brasileiro foi acompanhada por mais uma falha total de comunicação entre a defesa, que assistiu impávida e serena a entrada de Sneijder, rematando de cabeça na sequência de um escanteio. 1-2.

Muitas vezes, dez contra onze jogam mais unidos. O Brasil fez o contrário. Parecia um jogo de solteiros contra barrigudos depois do bar na tarde de um Domingo qualquer regado com cachaça. Nunca parecia capaz de marcar o segundo gol, e assim terminou a segunda parte com Holanda mais perto do terceiro do que o Brasil do segundo.

Sendo assim, vamos todos torcer por Uruguai, a não ser que de Assunción, ouvimos, de viva voz, a declaração: “El campeón, soy yo!”

Brasil: Julio Cesar, Maicon, Lucio, Juan, Felipe Melo, M. Bastos (Gilberto Melo), G. Silva, L. Fabiano (Nilmar), Kaká, Robinho, D. Alves
Holanda: Stekelenburg, Van der Wiel, Heitinga, V. Bronckhurst, V. Bommel, Kuyt, de Jong, Van Persie (Huntelaar), Sneijder Robben, Ooijer

Timothy BANCROFT-HINCHEY

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