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Portugal: Governo cai

30.11.2004 | Fonte de informações:

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O governo da coligação do PSD/PP caiu hoje quando Jorge Sampaio anunciou ao Primeiro-ministro Pedro Santana Lopes que iria dissolver a Assembleia da República e convocar eleições antecipadas.

A decisão foi comunicada ao país pelo próprio Primeiro-ministro de declarou que respeitava-a com “serenidade e calma”, embora discordando, porque “há uma maioria que quer governar”.

Eis a questão. A maioria representa a votação de há dois anos e meio atrás, quando a população caiu no engodo do então líder do PSD e depois Primeiro-ministro, José Barroso, que passou dois anos a destruir a imagem do seu partido, do seu governo e do seu país, fugindo depois para Bruxelas e passando a batata a Santana Lopes, que ainda não teve tempo “político” a deixar a sua marca, mas que tinha tido a astúcia política de se posicionar para ser Primeiro-ministro sem que ninguém o tinha eleito. Brilhante, e talvez um feito singular na história mundial da política.

No entanto, a maioria que está no parlamento não representa a maioria da vontade política no país, que dá, em sondagens, uns 49% de intenção de voto ao Partido Socialista, 32% ao PSD, 6,5% ao PCP (Comunistas), 6% ao Bloco de Esquerda e apenas 2.1% ao PP de Paulo Portas, que passou dois anos e meio como ministro ao custo do partido que tirou de Manuel Monteiro, que já tinha assegurado um espaço entre 10 e 15% das intenções de voto mas que destruiu o partido e o levou quase à extinção. Dois anos e meio, belo trabalho.

Paulo Portas, líder do PP, representa a pior espécie de oportunista político que grassa em Portugal, nomeadamente entre estes três partidos da direita: Partido Popular (conservador, extrema-direita), Partido Social Democrata (direita) e Partido Socialista (que se assume como centro-esquerda mas é de facto centro-direita).

Os dois partidos que representam a verdadeira vontade do povo português, nomeadamente políticas de esquerda numa altura de crise, mas também responsabilidade perante a massa associativa do país, são o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, que entra nas eleições como a Coligação Democrática Unitária, com o Partido ecológico, os Verdes (PEV).

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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