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Dois perdidos numa noite suja

29.10.2004 | Fonte de informações:

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ESTREIA 29 DE OUTUBRO DE 2004

OFICINA MUNICIPAL DO TEATRO | COIMBRA 29 DE OUTUBRO A 27 DE NOVEMBRO | QUARTA A SÁBADO | 21.30h ESPECTÁCULO PARA MAIORES DE 16 ANOS INFORMAÇÕES E RESERVAS PELO TELEFONE 239 718 238

Plínio Marcos

Um dos mais importantes autores brasileiros da segunda metade do século XX, Plínio Marcos (Santos, 1935 - São Paulo, 1999) é considerado um renovador dos padrões dramatúrgicos, através do enfoque quase naturalista que imprime aos diálogos e situações, sempre cortantes e carregados de gírias de personagens oriundas das camadas sociais periféricas.

Tendo iniciado a sua carreira no circo, como palhaço, escreve e encena o seu primeiro texto para teatro, ainda como amador, em 1959 - Barrela, que decorre numa cela de prisão e é imediatamente proibido pela censura, após a primeira (e única, até 1980) apresentação pública.

Estreia-se como profissional em 1966, com a apresentação de Dois perdidos numa noite suja, onde desempenha o papel de Paco, iniciando uma carreira de mais de trinta anos e com perto de duas dezenas de peças escritas, entre as quais se destacam ainda Navalha na carne, Oração para um pé de chinelo, Abajur lilás ou A mancha roxa.

Perseguido pela censura, que proíbe a apresentação de vários dos seus espectáculos, auto-proclama-se um “autor maldito”, distinguindo-se sempre pela crueza com que aborda os temas da marginalidade e da exclusão social (também ao nível da linguagem que empresta aos seus personagens) e pela luta constante a favor da liberdade de expressão.

Várias vezes premiado e homenageado como autor de teatro (o Teatro Nacional de Brasília tem o seu nome), escreveu também guiões para cinema, poemas, letras de canções, crónicas e reportagens. Os seus textos estão traduzidos e publicados e foram encenados em francês, espanhol, inglês e alemão.

Dois perdidos numa noite suja

Escrito e apresentado pela primeira vez em 1966 num bar de São Paulo, este espectáculo marca a estreia de Plínio Marcos como profissional. Inspirado num conto de Alberto Moravia (“O terror de roma”), é extraordinariamente bem acolhido pela crítica, o que motiva a sua transferência para o Teatro Arena e, no ano seguinte, a sua remontagem no Rio de Janeiro.

Num quarto de pensão, dois homens dialogam sobre as duras condições em que sobrevivem, num clima de aspereza, tensão e desespero crescentes que culmina na agressão física. Nas palavras do crítico Alberto D’Aversa, “há no conflito entre Dois Perdidos uma evolução crítica sobre a dissolução das classes (…) uma linguagem emocionante, despojada, termostática nas graduações da temperatura social e dramática, em que a palavra sobe e desce para determinar as situações humanas, levadas de limite em limite até ao extremo fatal e inexorável de uma realidade que condena. Impiedoso. Cruel. Anti-romântico”.

Para além de ser provavelmente o texto de Plínio Marcos que mais vezes foi remontado, no Brasil e fora dele, Dois perdidos… foi também (tal como Navalha na carne) adaptado para cinema, por duas vezes, em 1970 e em 2003.

Dois perdidos e A Escola da Noite

A extraordinária riqueza da moderna dramaturgia brasileira exerce desde sempre uma grande atracção sobre A Escola da Noite, constituindo uma das nossas principais linhas de trabalho. Paralelamente ao reportório, onde incluímos já A serpente, de Nelson Rodrigues (estreado em 1998), tivemos oportunidade de organizar ou de colaborar em diversas iniciativas neste âmbito, quer no campo da formação, quer no acolhimento de grupos e espectáculos brasileiros no nosso espaço, como o Grupo Tapa, de São Paulo, que em 2000 apresentou, no Pátio da Inquisição, Navalha na carne, A serpente e Corpo a corpo, de Oduvaldo Viana Filho.

Surgiu agora a oportunidade de trabalhar um dos mais marcantes textos de Plínio Marcos, aquele que assinala o início da carreira profissional de um autor incontornável entre a vasta dramaturgia brasileira da segunda metade do século XX.

Depois de Farsa de Inês Pereira (1994), Bonhard (1994, com António Augusto Barros), Jacques e o seu amo (1999), Além as estrelas são a nossa casa (2000, com António Augusto Barros) e Almocreves e outras cousas que em Coimbra se fizeram em 1527 (2003), Sílvia Brito assina agora a sua sexta encenação, área que vem desenvolvendo paralelamente à sua carreira de actriz na companhia desde 1992.

O elenco é composto por dois jovens actores - Carlos Marques e Ricardo Correia - que começaram n’A Escola da Noite, em 2002, o seu percurso profissional. Desde então, e para além dos quatro espectáculos vicentinos intergrados no projecto Vicente n’A Escola, participaram ainda em O Horácio, de Heiner Müller, Além do infinito, de Abel Neves, e O cerejal, de Anton Tchekhov.

A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra Rua Pedro Nunes, Oficina Municipal do Teatro Quinta da Nora 3030-199 COIMBRA

tel. +351.239.718238 fax +351.239.705367 http://www.aescoladanoite.pt

 
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