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Igreja Católica quer sociedade mais aberta

20.01.2003 | Fonte de informações:

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O Presidente da Comissão Episcopal das Migrações e Turismo, D, Januário Torgal Ferreira, criticou a decisão do governo PSD/PP de expulsar entre 20,000 e 30,000 imigrantes sem documentos nos próximos meses, lambrando que dever-se-ia lembrar o contributo valoroso dos imigrantes à sociedade portuguesa.

Portugal tem cerca de 200,000 imigrantes do leste europeu, principalmente oriundos da Ucrânia e Moldávia, e uns 6,000 russos. Estes imigrantes, além dos brasileiros e dos PALOP, estão geralmente bem integrados mas alguns são vítimas de redes de trâfico humano.

Igor, ucraniano, explicou à Pravda.Ru: “Paga-se mil dólares na ucrãnia aos angariadores. Prometeram transporte para Portugal e um contrato de trabalho no norte deste país. Quando iniciámos a viagem, tiraram-nos os passaportes, dizendo que era para fins burocráticos. Na viagem, exigiram mais mil dólares. Houve um homem que se recusou a pagar. Partiram-lhe a perna, à frente de todos nós. Estas pessoas não têm escrúpulos, enganam os seus próprios compatriotas. São bem treinados, muitos são ex-militares.

É verdade que arranjaram o contrato e o trabalho mas no final de cada mês, no início, exigiram dinheiro ‘para apoiar outros compatriótas’. Às vezes era 50 dólares, às vezes mais. Conheço uma rapariga que veio para trabalhar numa loja. Era mentira. Foi forçada a prostituir-se num discotece. Há muitas mulheres enganadas desta maneira.”

Perguntámos ao igor se tinha algum concelho para os imigrantes. “Sim, sejam ucranianos ou brasileiros, porque também os há cá, enganados e escravos, têm de vir cá legalmente. O melhor é tentar obter a permissão de trabalho no país de origem. Senão, vindo como turista, têm de arranjar alguém que lhes dê um contrato. Não é facil. O melhor é vir chamado por um amigo ou familiar que conhece o país e que arranje o emprego. Desta forma não há máfias, nem problemas”.

Disse ainda que o grupo mafioso que o trouxe a Portugal desapareceu há seis meses, nem sabe porquê. É por causa de histórias destas que a Igreja Católica quer intervir, para proteger os imigrantes. D. Januário Torgal Ferreira disse que “Tem de haver lugar para uma maior solidariedade e justiça” em Portugal, lembrando ao governo que os imigrantes “têm feito aquilo que os portugueses não querem”.

Seria bom este governo também lembrar que os portugueses foram durante décadas um povo emigrador, que foi bem acolhido noutros países, nomeadamente a França, Luxemburgo, Suiça, Alemanha, Reino Unido, EUA, Canada, África do Sul, Austrália, entre outros. Não é por expulsar 30,000 pessoas que trabalham honestamente para melhorarem as suas vidas, como milhares de portugueses fizeram e continuam a fazer, que este governo vai ganhar mais respeito entre a comunidade imigrante em Portugal.

Cristina GARCIA PRAVDA.Ru COIMBRA PORTUGAL

 
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