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O VAZIO MAL PREENCHIDO?

15.07.2005 | Fonte de informações:

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O VAZIO MAL PREENCHIDO?

Por Paulo Fidalgo, dirigente da Renovação Comunista

O PCP anunciou o iminente lançamento de um candidato presidencial.

Porque o PS dá sinais de descontracção na refrega presidencial e parece resignar-se com a vitória de Cavaco Silva.

Até porque, dirão responsáveis mais conservadores do PS, Cavaco dá mostras de uma adaptação do discurso, bem ao jeito do Bloco Central. Para esses socialistas amantes do bloco central, Cavaco não colocará nada de muito irredutível a uma maioria PS que se porte dentro dos cânones desse mesmo bloco central.

E até, dirão as más línguas da esquerda, Cavaco seria uma espécie de anjo da guarda desse mesmo bloco central. Para o caso das políticas de ajustamento financeiro e de emagrecimento do Estado darem raia. E o próprio PS encontrar atrevimento e energias internas para inflectir políticas e procurar na esquerda a inspiração que lhe falta para conjurar a crise.

Convirá a alguma direita do PS um tal anjo da guarda.

Podemos mesmo assim adiantar que há gente bem iludida se pensa que certos anjos ajudarão o PS, no caso de um embaraço do actual governo do PS. Que esse angélico personagem lhes deitaria a mão para os salvar das pressões dos trabalhadores. Trabalhadores esses que, mais cedo ou mais tarde, acabarão certamente por exigir um Estado reformado, com maior qualidade de prestações sociais, uma maior justiça fiscal, e um crescimento económico que só a economia pública dá mostras de poder dinamizar.

Um tal anjo da guarda trataria, antes de tudo, de criar as condições para se formar um governo de Bloco Central mas com outros protagonistas, e com outra maioria, obviamente mais à direita. Num ano, dizem os apostadores, o PSD estaria outra vez a dirigir o governo, com o pretexto de supostamente alcançar a tal conjura da crise. E o país adiado por mais não se sabe quanto tempo.

Com a direcção do PCP não hesitamos em proclamar bem alto a gravidade que encerra a batalha presidencial. Para os destinos daquilo que os democratas mais ambicionam: montar os dispositivos que viabilizem uma alternativa de esquerda em Portugal!

E dizemos ao PS e aos seus responsáveis: cabe-vos a maior das responsabilidades na escolha de um candidato que una o pleno da esquerda e reproduza no plano das presidenciais a maioria esmagadora das últimas legislativas. E tenha condições para disputar e vencer, logo na primeira volta, as eleições presidenciais.

Na convocação dos dirigentes do PS ao seu sentido de responsabilidade acreditamos que estamos a exprimir pontos de vista que hoje grassam na própria base socialista de apoio.

É uma linha suicida, não o podemos esconder, insistir nos clichés dos economistas ortodoxos para lidar com a grave crise do país. Essa linha está a erosionar rapidamente a base de apoio do PS.

Pior emenda do que o soneto seria porém não só não emendarem a linha política que teimosamente procuram impor e ainda por cima procurem em Cavaco o guarda-chuva que os pusesse ao abrigo da tormenta social que desencadearam.

Poderemos antever que vai o PS sofrer um recuo brutal nos apoios que hoje tem nas classes trabalhadoras.

E que a direita surgirá com toda a sua demagogia, iludindo mais uma vez a possibilidade de o país romper com o seu atraso endémico.

Mas se toda esta análise do momento das presidenciais faz sentido, a verdade é que não se percebe como pode ajudar ao que quer que seja para obviar à vitória de Cavaco Silva, o lançamento de um candidato próprio, do PCP, de base partidária estreita!

Tudo parece indicar que a direcção da Soeiro Pereira Gomes, num momento tão crítico, como é a batalha das presidenciais, prefere ocupar o espaço deixado pelas hesitações dos socialistas, com uma figura que não preenche nem de perto nem de longe o vazio socialista. Prefere o «dar nas vistas» com um candidato que se faz notar por precisamente se constituir em facto político, mas que nunca conseguirá esconder a enormidade de espaço que não consegue agarrar.

Não se percebe de facto outra motivação que não seja a da competição meramente eleitoral, o inverso de uma táctica comunista.

Não é com certeza uma contribuição para unir a esquerda, pois que então se teria procurado construir uma candidatura abrangente.

Se é para fazer notar a identidade do PCP e criar depois condições para fazer convergir os votos com uma desistência, diremos que esse jogo só poderia resultar no caso de uma alta probabilidade de segunda volta. Ora, todos os cenários apontam para as presidenciais se resolverem imediatamente na primeira volta e por isso, parece brincar com o fogo quem lança candidaturas que podem até aumentar a hipótese de vitória do candidato da direita logo à primeira volta.

O Espaço político que pode servir para derrotar Cavaco Silva não se compadece com falsas partidas de candidaturas mais preocupadas com os primeiros metros do arranque.

O PCP não será sequer caso isolado pois que o BE dá também nesta matéria bastos sinais de nervosismo.

E muito menos é aceitável lançar candidaturas que não ajudem ao sprint que dará a vitória final.

 
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