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A Escola da Noite estreia NOIVAS

10.01.2005 | Fonte de informações:

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OFICINA MUNICIPAL DO TEATRO | COIMBRA | 12 a 29 de JANEIRO | TERÇA A SÁBADO | 21.30h

ESPECTÁCULO PARA MAIORES DE 12 ANOS | INFORMAÇÕES E RESERVAS PELO TELEFONE 239 718 238

“A acção dramática de 'Noivas' está concentrada em algumas poucas horas, confinada num ateliê de costura e gira em torno da encomenda do mítico vestido, que deverá (ou deveria) ser usado na cerimónia de casamento. Protagonizada por duas mulheres, a própria noiva e uma costureira, a quase cena única desse drama construído com máxima economia de recursos e, como não poderia deixar de ser, com máxima carga simbólica, desenvolve-se com rigor realista, mas culmina pela exposição acintosa do absurdo que orienta, numa circunstância tradicional mas ainda muito presente, as decisões e as cerimónias matrimoniais.” Eneida Leal Cunha, 2003 Na sequência de "Dois perdidos numa noite suja", de Plínio Marcos (encenação de Sílvia Brito, 2004), este projecto inscreve-se na linha de trabalho da companhia sobre a dramaturgia contemporânea de língua portuguesa.

"Noivas" foi escrito e encenado pela primeira vez em 1980, integrando uma trilogia intitulada “Desmemórias”, ao lado de outros dois textos curtos de autores baianos - "Sem eira nem beira", de Guido Guerra, e "Capitulação", de Ana Maria Pedreira Franco.

Considerada por alguns, à época, como um manifesto feminista, pela abordagem que propõe ao papel tradicionalmente reservado à mulher na instituição “casamento”, esta obra pode hoje ser lida como uma divertida reflexão sobre o nosso quotidiano e sobre a forma como lidamos com as normas (mesmo as mais triviais) às quais nos habituámos a conformar-nos.

Transpondo para o palco o “absurdo aprendido como natural”, a autora questiona, sob uma forma propositadamente rápida, leve e precisa, as próprias fronteiras e os fundamentos do conceito de normalidade, reintroduzindo, nas suas próprias palavras, “o esquecido e sufocado grito de ‘eu quero’ nas regras do jogo de viver”.

Cleise Mendes (Rio de Janeiro, 1948) é actriz, autora e professora de dramaturgia na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Estreou-se como dramaturga em 1975, desenvolvendo desde então um trabalho ininterrupto de criação e adaptação de textos para teatro, com dezenas de peças já encenadas. Para além de 'Noivas' (1980), destacam-se, entre outras, 'O bom cabrito berra' (1977), 'Castro Alves' (1994), 'Marmelada - uma comédia caseira' (1995) e 'Lábaro estrelado' (2000).

Várias vezes premiada como autora, foi escolhida pela Secretaria da Cultura e Turismo da Bahia para inaugurar a colecção “Dramaturgia da Bahia”, que reúne os nomes mais importantes do teatro contemporâneo daquele estado brasileiro.

“[Esta peça] apresenta uma situação-modelo recortada do sistema de relações pessoais que bem conhecemos, no qual o contrasenso é instituído como normalidade. Aliás, é uma peça sobre normas. E que obedece a normas.

Daí que, embora homens e mulheres estejam igualmente submetidos à trama dos comportamentos cristalizados, ao absurdo aprendido como ‘natural’, apenas a ela, à personagem noiva, foi dada ocasião de despertar e estranhar o ritual a que é conduzida como perfeito autómato - por exigências de construção, de síntese dramática, de extensão do texto.

No universo da obra, esse recorte do mundo, o modelo é dado, e descosturado; a composição súbito desafina, sob o toque de Lia, a costureira: o acaso, o inesperado, o insólito. E que reintroduz nas regras do jogo de viver o esquecido e sufocado grito de ‘eu quero’.”

Cleise Mendes, 1980

-- A Escola da Noite - Grupo de Teatro de Coimbra Rua Pedro Nunes, Oficina Municipal do Teatro Quinta da Nora 3030-199 COIMBRA

tel. +351.239.718238 fax +351.239.705367 http://www.aescoladanoite.pt

 
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