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Portugal: Uma caravela à deriva

09.01.2003 | Fonte de informações:

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96% do rendimento das famílias portuguesas está destinado a pagar dívidas, de acordo com o Observatório de Endividamento dos Consumidores. As falências aumentaram 20% em 2002, o desemprego vai subir em flecha em 2003 e a Comissão da União Europeia considera que 29% da população portuguesa viva abaixo do limiar de pobreza, com outros 16% em risco.

Portugal tem o pior poder de compra e o salário mínimo mais baixo da União Europeia, com o IVA mais alto. O Instituto Nacional de Estatística acaba de divulgar dados que pintam uma cena ainda mais negativa. O índice de confiança do consumidor está ao seu nível mais baixo de sempre. O desemprego não pára de aumentar, situando-se já em 5.1%, e vai subindo. No entanto, depende da maneira em que se contabiliza os desempregados. Uma parte substancial da força de trabalho em Portugal trabalha com contratos temporários, que podem ou não ser estendidos, o que quer dizer que o trabalhador nestas condições vive num clima permanente de dúvida, nunca sabendo se poderá assumir uma dívida com uma instituição financeira para comprar uma casa ou um carro.

Dados sobre as vendas de Natal mostram que o setor de comércio e retalho teve um Dezembro com o pior nível de vendas de sempre. Nunca houve um ambiente tão pessimista em Portugal, nunca houve tanta gente jovem a quererem sair do país, nunca houve um sentimento de pessimismo tão profundo a todos os níveis da sociedade.

Esta situação se deve inteiramente à falta de capacidade deste governo PSD/PP (Partido Social Democrata, que nem tem cariz social nem parece muito democrático nas suas atuações, e um Partido Popular que não tem nada a ver com o povo, nem popular é, ficando no último lugar nas sondagens) de injectar confiança na sociedade portuguesa. Foi o próprio Primeiro Ministro, José Manuel Durão Barroso, um homem monumentalmente mal preparado para o cargo, apesar de ter sido um excelente Ministro de Negócios Estrangeiros, que iniciou o ano passado com um discurso de “catástrofe” e “caos”. Nada fez para acalmar os ânimos, nada fez para criar um clima de confiança e de bem estar no país.

Ganhou as eleições, surpreendeu-se e agora se vê confrontado com a inépcia da sua equipa governamental em governar o país. Faltam três anos num processo normal para a realização de outras eleições. Quantos portugueses estarão a marcar os dias que faltam na parede da cozinha?

Cristina GARCIA PRAVDA.Ru COIMBRA PORTUGAL

 
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