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Eleições antecipadas?

06.11.2004 | Fonte de informações:

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Enquanto o Partido Social Democrata – principal formação política na coligação de centro-direita (PSD) e conservadores (PP) – se prepara para uma reunião magna entre 12 e 14 de Novembro, a hipótese duma eleição antecipada foi postulado por um peso pesado do partido, nomeadamente Luís Filipe Menezes, Presidente da Câmara da Vila Nova da Gaia.

Se tivesse sido afirmado por alguém com menor peso, ninguém teria prestado atenção mas as palavras do autarca, que poderá acender a número dois no partido caso haja uma reformulação da Comissão Política, foram claras: “Se continuarmos acantonados com este discurso defensivo, mais vale convocar eleições para o início do próximo ano”, acrescentando que o governo “tem de deixar de defender com 11 jogadores dentro da área, porque assim acabam por perder o jogo”.

Pelo menos há alguém no PSD que admite que andam por aí a brincar. Pois bem. Como esta coligação poderia evitar de estar na defensiva, dado o seu registo de trabalho nos últimos três anos, desafia a lógica. Não só duplicaram o número de desempregados, as suas políticas empobreceram mais uma vez a classe média, viram subir em flecha os preços, substancialmente mais altos do que na vizinha Espanha, onde se ganha entre três e quatro vezes mais, e deixaram situações em que novos desempregados tiveram de esperar 7 meses para receber o primeiro cheque da Segurança Social.

O quê é que as pessoas são supostas a fazer? Roubarem? Prostituírem-se? Venderem droga?

Santana Lopes deve entender bem as palavras de Menezes evocando a gíria de futebol pois ele era outrora Presidente do Sporting Clube de Portugal e depois comentarista sobre o futebol na televisão, num programa de bisbilhotice semanal entre representantes de Sporting, Benfica e FC Porto. Peixeiradas todas as semanas.

Só que ele agora anda mais sério, pois tem três eleições pela frente: municipais, presidenciais e legislativas e terá de formar a Comissão Política mais moldado a ele e menos evocativo de Barroso, que fugiu para Bruxelas depois de deixar o país “de tanga”, onde anda a fazer dos seus. O problema de Santana Lopes é que herdou um péssimo legado de Barroso e com o passar dos meses, começa a surgir a noção que vai esgotar-lhe o tempo sem que ele tenha feito absolutamente nada. Terá que agir, para ter qualquer hipótese de ganhar a próxima eleição.

No maior partido da oposição, o novo líder José Sócrates começou a estudar quem tinha nas suas fileiras e depressa optou por chamar dezenas de independentes. Sócrates lançou o Fórum Novas Fronteiras para abrir o Partido Socialista ao exterior e para apresentar ao público uma equipa de pessoas competentes nas várias áreas de governação.

A viragem para os independentes não terá sido por acaso: o Partido Socialista é uma enorme formação com várias facções, normalmente três – à esquerda, à direita e contra o líder. O aparelho dos aparatchik fica adormecido neste partido até ele ganhar as eleições e depois começa a surgir, tomando refém o líder, cada facção impondo seus “protegidos” para liderar os ministérios de destaque.

António Guterres, o antigo líder do partido e Primeiro-ministro entre 1995 e 2001, depressa bateu com a porta quando apercebeu que estava a ser arrastado para esta areia-movediça. Por isso, a escolha dos independentes por Sócrates.

Entretanto, Os Jovens Comunistas celebram seu 25º aniversário esta semana. A Juventude Comunista Portuguesa conta com cerce de 8.000 membros com uma média de 18 anos de idade e vai assinalar o aniversário com 50 iniciativas culturais e políticas.

Depois dum estudo interno, a JCP decidiu reafirmar a sua lealdade ao Marxismo-Leninismo, entendendo que a analisa dialéctica seja fundamental para compreender o mundo de hoje.

O Bloco de Esquerda, uma formação política da esquerda mais fluida do que os Comunistas, sem líder definido mas com um grupo de liderança, criticou duramente o governo esta semana por ter proibido uma manifestação de estudantes, afirmando que mais uma vez, o governo cível de Lisboa viola a lei em não deixar se realizar manifestações que tinham um cariz completamente legal.

Primeiro, silenciaram os comentaristas políticos na televisão, a seguir, começaram a silenciar os jornalistas e agora os estudantes não podem manifestar as suas ideias? Bem vindos à União Europeia.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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