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José Sá Fernandes...Lisboa

01.10.2005 | Fonte de informações:

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Boa noite,

A Campanha está agora a entrar na fase final e esta festa é vossa.

Antes de mais, quero agradecer aos Mercado Negro e ao Camané a sua presença aqui. Quero também agradecer a Francisco Louçã o apoio prestado hoje, como em outras oportunidades.

Com excepção de Manuel Maria Carrilho, todos os candidatos apresentaram os seus programas há bastante tempo, mas um candidato, o engenheiro Carmona Rodrigues, conseguiu uma proeza: depois de quatro anos na Câmara Municipal, porta-se como se tivesse acabado de chegar. Arregaça as mangas e diz que vai começar a trabalhar. Os quatro anos anteriores, supomos, foram apenas um aquecimento.

Estamos, definitivamente, perante um ilusionista. Nos seus dotes de mágica, fez mesmo desaparecer a sua colaboração com o anterior Presidente de Câmara, Pedro Santana Lopes, o pior Presidente de Câmara que Lisboa já conheceu. Um homem que em três anos só destruiu Lisboa e em três meses só destruiu o país. Carmona Rodrigues foi seu vice-presidente e o vereador com maiores responsabilidades no apocalíptico mandato.

Carmona é cúmplice e executor do desastre que foi este mandato de Santana Lopes.

Passados quatro anos de governação da dupla Santana Lopes/Carmona Rodrigues, herdamos um buraco financeiro, um buraco no Marquês, uma maquete para o Parque Mayer e todos os problemas da cidade agravados.

Depois de quatro anos de Santana e Carmona, a Câmara está sem dinheiro, a cidade como menos gente e a vida urbana mais caótica do que nunca.

Como sempre, Carmona Rodrigues desculpa-se com o falhanço dos outros. Queixa-se da situação financeira que ele e Santana Lopes herdaram. Mas é interessante ver que, como o trabalho tinha sido mau, resolveu convidar para as finanças o mesmo vereador que lhe deixara tão pesado legado: Fontão de Carvalho, um homem que, diga-se, em abono da verdade, tem um aguçado sentido de oportunidade. Com Abecassis foi do CDS, com João Soares foi do PS, com Santana e Carmona é do PSD.

Recentemente, o Presidente da Câmara teve o desplante de apresentar 309 medidas para os primeiros seis meses. São quase duas medidas por dia. Garante-nos que vai fazer em seis meses o que não fez em quatro anos. É caso para perguntar: porque deixou para amanhã o que podia ter feito ontem.

Mas se olharmos bem para as propostas, percebemos porque prevê Carmona tão súbita produtividade. Algumas das medidas não demorariam mais do que um minuto a aplicar, já que se resumem a ponderar a sua própria aplicação.

Carmona não diz que vai construir cresces. Diz que vai ponderar a possibilidade de as construir.

Não diz que vai construir uma escola do ensino básico. Diz que vai averiguar a viabilidade da sua construção.

Não diz que vai criar centros de dia. Diz que vai estudar a sua instalação.

Vale a pena ler esse programa. Para dizer a verdade, com propostas assim, até poderia ter apresentado as 309 medidas para os primeiros 309 minutos de mandato.

Ou seja, caso ganhasse, teríamos o mesmo presidente que tivemos: quatro anos a ponderar a possibilidade de vir a decidir fazer alguma coisa.

Mas, Carmona Rodrigues, tal como seu criador, Pedro Santana Lopes, não se limita a ponderar. Às vezes faz. E quando faz, vai tudo a eito. Quando os interesses são grandes ou a obra dá nas vistas, já não sente falta de estudos ou de averiguações. A ponderação que lhe merece a construção de uma cresce, já não serve para pagar milhões a um arquitecto ou para começar uma obra milionária para um túnel inútil. Tal como a Câmara que dirige, Carmona é tão cauteloso para a simples obra como generoso e ligeiro na grande obra inútil para a cidade.

O resto das propostas de Carmona Rodrigues vale o que todos sabemos. Há quatro anos todos assistimos ao leilão de promessas espalhados pela cidade:

Que iríamos ter um Parque Mayer renascido,

em todos os cantos piscinas,

a cidade a transbordar de jovens.

Passados quatro anos, há buracos, desilusão e uma câmara falida.

Carmona pode continuar a fingir que nada sabe, que nada sabia. Mas sabia, soube e foi responsável por esta tragédia. Pode ter vergonha disso. Até lhe fica bem. Pode esconder as suas responsabilidades e até o símbolo do partido pelo qual concorre. Compreende-se. Mas não nos esquecemos que estes quatro anos foram também obra sua.

Infelizmente, a alternativa que se apresenta à frente da lista do outro partido do bloco central não é famosa. Manuel Maria Carrilho, que se deu ao luxo de atravessar a quase totalidade da campanha sem programa, vende promessas a retalho: Táxis gratuitos, câmaras de vídeo em cada esquina, jardins em cada bairro, quilómetros de corredores BUS. É à vontade do freguês. Mas da sua campanha fica apenas a absoluta falta conteúdo. Porque Manuel Maria Carrilho é dos que acredita que com promessas e bolos se enganam os tolos.

Pior, não percebe que hoje os Lisboetas têm a possibilidade de escolher, nomeadamente por aqueles ou por aquelas candidaturas cujo único interesse é defendê-los, como a nossa candidatura.

Sem programa, a defesa que apresenta é a do mal menor, a do voto útil – é pouco, muito pouco – não é nada: resume-se a uma inqualificável chantagem política.

Nesta campanha, apresentámos as nossas propostas.

As nossas propostas para uma cidade ecológica e sustentada: A conclusão do Plano Verde de Gonçalo Ribeiro Teles, que os apetites imobiliários que mandam na nossa cidade têm destruído.

A criação de uma rede de transportes digna desse nome, decidida pelas câmaras da área metropolitana de Lisboa e pela da capital em particular.

A devolução dos passeios aos lisboetas.

Também apresentamos as nossas propostas para uma cidade reabilitada: Sem condomínios de luxo para ricos e bairros sociais para pobres.

Com o centro histórico tratado e a zona nova preparada para a vida das pessoas. Lugares que não sirvam apenas para dormir.

Também apresentamos as nossas propostas para uma cidade de proximidade. Socialmente justa, com escolas, com centros de saúde, preocupada com os idosos, com os excluídos, com todos.

E as nossas propostas para uma cidade transparente: para uma Câmara de mãos limpas, que não esteja tomada por negociatas.

A Câmara de Lisboa é hoje refém da cunha, do negócio, do favor. Muitos têm enriquecido à custa da nossa qualidade vida. Queremos devolver a Câmara Municipal de Lisboa aos lisboetas.

Hoje, mudar uma janela de uma casa é mais difícil do que construir uma urbanização. A Câmara é tão burocrática, discricionária e lenta para o cidadão comum como expedita, ligeira e transigente com os negociadores do lucro fácil.

É em nome da dignidade desta cidade que esta candidatura se apresenta. De mãos limpas. Às claras.

No dia 9 de Outubro, Lisboa decide o seu futuro. Se vai continuar a sua agonia, o desprezo pelos lisboetas, os favores e negócios, as ruas atulhadas de carros, os pobres amontoados em bairros sem nada que lhes dê vida, os ricos sitiados em condomínios que descaracterizam e matam o centro histórico. Ou se, pelo contrário, vai virar uma página e fazer desta cidade o que ela merece ser: um magnifico lugar para viver.

Temos tudo para isso, temos tido é azar com quem tem governado Lisboa.

Candidato-me, com uma equipa pronta para trabalhar. Candidato-me, com a mesma assinatura que sempre usei em todos os combates em que estive, por esta cidade: sou apenas um cidadão de Lisboa.

Com outros, lisboetas que amam esta cidade, candidatos à Câmara, à Assembleia Municipal e a todas as freguesias do nosso concelho, vou exigir que Lisboa volte a ser dos lisboetas. Esta cidade merece melhor do que lhe tem sido dado. No dia 9, vamos votar para salvar Lisboa.

José Sá Fernandes

 
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