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MOÇAMBICANIDADE

16.06.2005 | Fonte de informações:

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De Maputo, Beira e Nampula, leitores tem me sugerido propostas de vários temas. No início de Junho de 2005, Tanya, uma jovem Poetisa romântica, me enviou um e-mail interessante sugerindo-me o seguinte:

…”Gostaria igualmente de saber...o que pensas sobre a Moçambicanidade...de Moçambique para fora..... e de Moçambique para dentro...mais concretamente...o que faz as pessoas de fora nos identificarem como Moçambicanos.....e o que nós como Moçambicanos pensamos ser as características que nos unem”... de Tanya – Poetisa Moçambicana (Licenciada em Economia, e Pós- Graduada em Auditoria e Controlo de Gestão Pela Universidade Católica do Porto - Portugal).

A jovem Poetisa no entanto num estilo romântico só dela, avançou respostas (involuntariamente) –, palavras de belo efeito e cheias de intenção em que se podem adaptar para esse AMOR MAIOR (sem um egoísmo pela posse do outro) – o Amor pela nossa Terra – alguns outros chamam de Patriotismo ou Nacionalismo. Eis um excerto do seu Poema “Meu coração é teu”:

…”Meu coração é teu…já faz tempo…não me engano que nos pertencemos...e continuamos a crescer juntos…na diferença e diversidade que nos une e complementa.....Meu coração é teu...e continuo a beber de ti...como se fosse a última gota”…in Tanya TT (Tania Teresa Tomé), 02.06.2005, Maputo Moçambique.

Pois é; “Meu coração é teu, (minha Pátria Moçambique), já faz tempo”. É uma espécie de vocação ou de espírito de Missão de Amar – mesmo que a nossa Terra esteja na miséria. Mãe é Mãe. Trata-se de um doar-se a uma causa digna e com dignidade contribuindo para o desenvolvimento das nossas raízes telúricas. O ser humano é por natureza TELURIANO.

Apegado ao seu torrão natal mesmo longe dele. Estar-se sempre perto da Terra mesmo estando longe. Sentir os cheiros húmidos da nossa Terra de muito distante. Partir mas ficando, pois: - “continuamos a crescer juntos na diferença e na diversidade que nos une e complementa”. Acrescenta a nossa Poetisa e mais adiante enfatiza: - “Meu coração é teu...e continuo a beber de ti...como se fosse a última gota”. É esse o espírito – “que nós como Moçambicanos pensamos ser as características que nos unem” – (acrescentamos) – mesmo sem se darem conta. Aliás, aplicável a qualquer cidadão (que se preze) de qualquer outro País neste Planeta.

Se sentirmos bem dentro de nós o sentimento de SER Moçambicano com respeito e muita dignidade, enaltecendo as nossas raízes culturais da diversidade nos seus aspectos positivos e válidos, encontraremos o equilíbrio nesse todo diferente que nos unirá em torno da nossa Terra Mãe como uma floresta de diferentes árvores e plantas enriquecendo e fertilizando o solo neste caso da Pátria – Moçambique em “reciclagem ecológica” permanente.

“O que faz as pessoas de fora nos identificarem como Moçambicanos?” Questiona a Poetisa Tanya – Sem dúvida depende da nossa atitude – postura – presença, como nós Moçambicanos nos apresentamos perante essas pessoas de fora. Se com dignidade; conquistaremos o respeito deles. Se com complexos de inferioridade teremos o desprezo ou no mínimo olharão com paternalismo “minimalista” as nossas capacidades por demasiado servilismo (desses Moçambicanos) perante eles. Para que aconteça o respeito das pessoas de fora ao Moçambicano é necessário que saibamos quem somos, de onde viemos (a nossa História – raízes na Terra – iNtsindya – Mmisso Orripa) e para onde queremos ir – Modernidade ou estagnação conduzente à alienação, face à Globalização consumista, na assunção de que tudo que é estrangeiro é correcto por ser moderno (sem filtragens). Se esquecem das nossas origens.

Todavia, há que equilibrar com parcimónia os valores de um lado e de outro – o Moderno e o Tradicional. Abandonando certas práticas assumindo outras, mais consentâneas com a realidade e exigências hodiernas. Em súmula, a Moçambicanidade será também, um exercício de exorcismo ao Passado colonial; remoto e mais recente. É esse Passado que é necessário ser conhecido e “autopsiado” (analisado), sem complexos, assumindo-se uma nova maneira de estar na vida moldando a desejável Moçambicanidade idiossincrásica. No fundo, Moçambicanidade é uma acção de AMAR a Terra sem vergonha ou exacerbação, ou, em sintonia com o pulsar poético das palavras da Poetisa Tanya…“e renascer-me na mesma ousadia...louca(o) confesso de beber de ti…como se fosse sempre a última gota”...

 
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