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ESPIRITO SANTO – O ESTADO ESQUECIDO

31.03.2006 | Fonte de informações:

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O pólo petroquímico que estava em disputa por alguns municípios do Rio de Janeiro como Campos será instalado em Itaborasí, cujo prefeito, a propósito, é do PT. Seguramente vai gerar milhares de empregos diretos e indiretos e aumentará conside4ravelmente o PIB do estado que já é o segundo maior do país.

O petróleo realmente tem sido muito generoso com o estado do Ro de Janeiro. A Bacia de Campos é o motivo da nossa quase auto-suficiência no combustível. Em troca desse pequeno favor que o estado presta ao país, o governo federal, através da Petrobrás dá em troca milhões e milhões de reis em royalties a municípios como Campos e Macaé que se tornam, como se pode ver nas últimas eleições campistas, objeto de desejo de muitos políticos como Anthony Garotinho, por exemplo..

Houve um fato curioso digno de ser registrado: o caso da estatal do petróleo venezuelana PDVSA do chacal Hugo Chavez de patrocinar escolas de samba, não foi o único.. O município de Campos, com os cofres cheios de dinheiro graças aos royalties do petróleo, patrocinou também uma escola de samba no carnaval de 2002 com a quantia de R$ 1 milhão, mas daquela vez a escola não foi campeã.

Esquecendo-se um pouco o Rio de Janeiro, lembra-se que há um estado que faz divisa com o próprio Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia que fica na Região Sudeste que é a mesma região em que estão a Minas, Gerais de Aécio Neves, o Rio de Janeiro de Garotinho e o São Paulo de Alckmin. Tem uma área de aproximadamente 46 mil quilômetros quadrados e cerca de 3 milhões de habitantes. Este estado chama-se Espírito Santo que alguns dizem servir apenas para tornar mais longo o caminho entre o Rio de janeiro e a Bahia.

O Espírito Santo, do peemedebista Paulo Hartung teve a sorte de ter um resquício do petróleo da Bacia de Campos em seu território o que faz com que tenha alguma importância, não só na produção de petróleo, mas também de gás natural o que ocasionou alguns investimentos federais no estado.

Se acaso o Espírito Santo tivesse alguma força política como seus vizinhos, poderia conseguir que o estado fosse lembrado quando houvesse a distribuição de investimentos federais ou mesmo de investimentos estrangeiros. Antonio Carlos Magalhães, por exemplo, conseguiu levar a fábrica da Ford para a Bahia.

Obviamente que há estados em situação pior que o Espírito Santo como a maioria dos estados nordestinos que apenas são realmente administrados até o agreste, deixando-se o sertão. Há ainda os esquecidos estados do norte como Amapá e Roraima. O que é de se admirar, entretanto, é como um estado que esteja numa região desenvolvida como o Sudeste; embora tenha uma área considerável no semi-árido; que possua um dos maiores portos do país responda apenas por cerca de 2 por cento do PIB nacional, estando na 13ª posição, embora o PIB per capita seja um dos maiores do país.

Talvez a explicação seja histórica: o Espírito Santo não foi o centro do poder como o Rio de Janeiro nem foi privilegiado com nenhuma política como a do café com leite, como Minas e São Paulo. Associado a isso, há uma cultura administrativa que faz com que os estados do sul, São Paulo, excetuando-se a capital e Minas Gerais em face de sua riqueza e da maior instrução de sua população, sejam sempre administrados de forma a que não haja grandes interferências na vida da população. Estes estados, portando, tornam-se “fáceis” de se administrar.

As populações do Rio de Janeiro, Espírito Santo e dos estados do norte, nordeste e centro-oeste, contudo, já se acostumaram a serem mal administrados. A população fluminense, por exemplo, mesmo com as riquezas provenientes do parque industrial e dos royalties do petróleo, vem sendo vitima de pífias administrações. È por estas e outras razões, por exemplo, que a estatal mineira de energia, Cemig está participando do consórcio para a aquisição da concessionária fluminense de energia, a Light o que a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho tentou a todo custo impedir, pois era desonroso demais.

Já o pobre estado do Espírito Santo, como é esquecido até mesmo pela imprensa, os governantes do país não se sentem na obrigação de socorrê-lo embora o presidente do País de Todos, Lula, se lembre do estado quando há uma inauguração ou uma comemoração como a visita no porto de Vitória. Além disso, também é vítima de más administrações em que todos os setores da atividade governamental têm deficiências e também no Espírito Santo, como nos outros estados afligidos pela seca, esta região é abandonada..

A força política de seus vizinhos, tão necessária ao Espírito Santo que poderia acontecer se a capixaba Rita Caamata, candidata a vice-presidente na chapa de José Serra em 2002, tivesse sido eleita, poderia, por exemplo, conseguir que fosse instalado em seu território, o pólo petroquímico que está para ser instalado em Itaboraí, como a Bahia de ACM conseguiu a instalação do pólo petroquímico de Camaçari, sendo que a produção de petróleo naquele estado não difere muito da capixaba.

Um pólo petroquímico no Espírito Santo iria naturalmente alavancar a economia do estado, pois geraria milhares de empregos diretos e indiretos, mas para isto acontecer, seria necessário que alguém poderoso em Brasília, além dos parlamentares capixabas, lembrasse que há um pedaço de território que não serve apenas para tornar mais longo o caminho entre o Rio e a Bahia.

* Os artigos de opinião são colocados, respeitando a nossa política de liberdade de expressão. Não coincidem necessáriamente com a linha editorial do jornal.

Jose Schettini Petrópolis BRASIL

 
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