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O Brasil vai a leilão

30.11.2004 | Fonte de informações:

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A suposta necessidade de tal reforma seria a de acomodar no executivo, membros de partidos da base aliada do governo, em retribuição ao apoio concedido nos projetos de lei de interesse do mesmo, embora, desta feita, seja apenas uma manobra para que o PMDB não deixe a aliança e seja apenas um ajuste de cargos no governo e não uma reforma.

Esta prática é comum nos governos do período do pluripartidarismo, especialmente em governos pouco comprometidos com a coisa pública como tem sido o caso de todos, desde então, começando pelo Brasil Tudo pelo Social, de Sarney, passando pelo Brasil em Ação, de Fernando Henrique e finalmente, o Brasil de todos de Lula. Collor, por não ter seguido esta cartilha e não querer dividir o bolo, foi removido do cargo. A conveniência sempre falou mais alto que a competência.

È compreensível tal ato por parte destes governos, pois o executivo necessita de ter maioria no legislativo para aprovar suas propostas como Fernando Henrique necessitou disto para aprovar a emenda da reeleição. Sendo assim, nada mais justo que o governo retribua o favor. O preço exigido como pagamento, no entanto, é alto e não negociável:.cargos no primeiro escalão do executivo que tenham representatividade e possam ser utilizados como uma alavanca para futuras aspirações como o governo de um estado, por exemplo. Os aspirantes a tais vagas não se satisfazem com ministérios como o da Pesca ou do Turismo que não têm seu nome em evidência e não são dotados de um grande orçamento. È necessário que haja um mínimo de ação.

O ex-presidente Fernando Henrique que, como o atual, não era mais que um fantoche, foi um dos governantes mais generosos com os aliados. Cedeu ao PFL, diga-se, ao senador Antônio Carlos Magalhães, que à época era o presidente do Congresso e tinha poderes comparáveis aos de um primeiro-ministro. o ministério do Trabalho e o da Previdência Social. Estes, ocupados por elementos diretamente ligados a ACM, como Waldeck Ornellas, na previdência. A propósito, ambos caíram juntamente com seu mentor quando este teve de renunciar por força de sua participação na fraude no painel eletrônico do Senado. Também cedeu ao PMDB, seu maior aliado o Ministério da Justiça ocupado pelo ex-braço direito de Collor e aspirante ao governo de Alagoas, Renan Calheiros que demonstrou toda a sua virilidade no caso da greve de fome dos seqüestradores de Abílio Diniz, onde quase implorou aos mesmos que interrompessem a greve pois estava arranhando sua imagem. A propósito, a deportação dos seqüestradores que foram considerados, convenientemente, prisioneiros políticos foi mais um motivo de vergonha para o nosso Brasilzinho.

Este procedimento é compreensível, entretanto, não moralmente justificável, Os ministérios deveriam ser ocupados por técnicos como é sempre o caso do Ministério da Fazenda e não por políticos. Isto impediria que ministérios fossem utilizados como plataforma de lançamento de candidaturas. O Ministério da Saúde, por exemplo, deveria ser ocupado por um diretor de hospital particular, preferencialmente, para que o mesmo, sem ambições políticas, preocupe-se exclusivamente, em gastar a verba do orçamento a que tem direito, na melhoria do falido sistema de saúde pública no Brasil e não em campanhas publicitárias para dizer ao público, que o ministro está fazendo o melhor e que se ainda há deficiência no atendimento dos hospitais públicos não é por sua culpa.

Não obstante, há que se fazer justiça, com os ministros da saúde, eis que na verdade, têm sido os ministros da pasta da educação que tem se ocupado em torrar seu orçamento em publicidade. O ministro da educação de Fernando Henrique, Paulo Renato Souza, por exemplo, foi o maior responsável pelo gasto de quase 1 bilhão de reais anuais do governo com publicidade, promovendo comerciais como o que instigava a população a atentar mais para a sinalização de trânsito, mas vinculado ao |Ministério da Educação, não ao dos Transportes. O ministro Tarso Genro, aparentemente, segue a mesma cartilha e também gastou milhões para informar ao povo que terminou o censo junto aos professores e em comemoração ao Dia do Professor.

O ministério de Lula foi elaborado de forma a não deixar nenhum companheiro desamparado. O Ministério das Cidades foi criado para Olívio Dutra que não tinha vencido a convenção para disputar o governo de seu estado e o extinto Ministério da Segurança Alimentar, para Benedita da Silva, também desempregada e assim também ocorreu com Nilmário Miranda e Tarso Genro que a propósito, foi o que desempregou Olívio Dutra. Um ministério essencialmente petista, contudo, embora fosse esse o desejo de Lula Genuíno e Dirceu, o PT não pode governar sozinho e agora para acalmar o PMDB terá de ceder um ministério. Por sorte há uma pasta vaga no Planejamento mas o Ministro do Planejamento aparece pouco na mídia. Não vai servir. .

O problema de Lula agora consiste em oferecer um cargo que tenha representatividade. Se ao menos o Ministério da Segurança Alimentar, não tivesse sido incorporado ao Ministério do Desenvolvimento Social, haveria mais um ministério para ceder. O desmembramento também seria uma ótima solução para Lula que, com toda a sapiência que lhe é peculiar, declarou quando questionado sobre reforma ministerial, que indica e “desindica” quem quiser. Se o Ministério da Pesca, por exemplo, fosse desmembrado em Pesca Fluvial e Pesca Marítima e o Ministério das Cidades fosse desmembrado em Cidades Pequenas e Grandes, Lula não precisaria “desindeicar” ninguém. .

Enquanto isso, os brasileiros que amam e se preocupam com este país, aparentemente, ainda terão de testemunhar estes procedimentos imorais ainda por muito tempo, eis que não se vislumbra no fim do túnel da incompreensão que assola a maioria esmagadora do povo brasileiro., uma luz.

Jose Schettini, Petrópolis, BRASIL

jschett@uol.com.br

 
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