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Eleição inflaciona mensalão

30.09.2005 | Fonte de informações:

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Pois é, o balcão de negociatas voltou novamente a funcionar no Planalto Central, com o presidente servindo cargos e ministérios, ministros oferecendo liberação de verbas, o governo oferecendo projetos especiais para o baixo clero e para a bancada evangélica, além de indicação de cargos para o segundo escalão e emendas no Orçamento para os proxenetas do voto. Enquanto isso, José Dirceu mais um punhadinho de cassáveis, acendiam o forno para assarem a pizza que seria partilhada entre os 300 picaretas, após o vergonhoso leilão da nossa pobre política nacional. Tudo feito sem a menor vergonha ou temor.

O mensalão, que tinha orçamento mensal fixo girando em torno de R$ 2 milhões, saltou, num só dia, para R$ 1,5 bilhão. Este é o preço que vale uma eleição de presidente da Câmara no Brasil. Inflação como esta, nem Dom Palocci explica.

E para que não haja dúvida quanto ao cardápio que será servido daqui alguns dias, nas sessões de cassações dos nobres deputados, e que nós vamos ter que engolir, aqui vai um número revelador: por apenas 15 votos, o candidato do governo, do Lula, da situação, bateu o candidato da oposição. Agora pergunto ao amigo leitor: Quantos são os deputados cassáveis do mensalão do PT e do Marcos Valério? Exatamente 15. Quem viu a euforia do Professor Lulazinho, José Mentor e João Paulo Cunha, sabe exatamente o que tanto eles comemoravam.

Aldo Rebelo é o Severino do alto clero, aquele que não tem elo algum com Deus e que sabe muito bem a qual senhor servir. O PL do Valdemar da Costa Netto, o PP de Severino Cavalcanti e o PTB de Roberto Jefferson vieram em fila, de boca aberta, receber sua hóstia - amassada sabe-se lá por quais mãos – ao pé do altar petista e repartir entre seus pares. Cada um pegou seu pedaço e silenciosamente rezou de joelhos, dando seu voto a um governo sem fé e esperança.

O pior é que estes processos vêm apenas aferir, patentear, que a moeda corrente entre nossos deputados não é mais o argumento, o ideário político, a determinação cívica. Mas sim o dinheiro, aquele mesmo que o comunista Marx afirmava destruir o que é belo, e profanar o que é divino. Estes são os valores do nosso tempo, em que a esperança de milhões vale apenas a traição de meia dúzia.

É por estas e outras que o Brasil caiu da 57º posição para o 65º lugar no Ranking de Competitividade do Fórum Econômico Mundial. Ao que se vê, o governo Lula está, em alguns quesitos, superando o de FHC. Tudo isso, resultado da mediocridade de um governo sem política social e identidade.

Brasil, qual é a sua cara? Até bem pouco tempo acreditava ser o Brasil o quintal dos EUA. Agora, depois das globais América e Bang-Bang, o Brasil não é mais o quintal do EUA, mas sim, o curral!

Petrônio Souza Gonçalves jornalista e escritor E-mail: belooriente@cidademais.com.br

 
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