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CONVOCAÇÃO AOS SINDICALISTAS

29.09.2005 | Fonte de informações:

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O documento “Convocação aos sindicalistas” já tem 30 signatários iniciais ligados a diversas entidades sindicais.

Na próxima segunda-feira (3), haverá nova reunião entre os articuladores do documento e a definição de uma data para um grande ato público de sindicalistas, com filiação e refiliação simbólica de dirigentes e lideranças ao Partido dos Trabalhadores.

“Esta é uma iniciativa de um grupo de sindicalistas preocupados com a maneira como o partido tem sido tratado. Resolvemos mostrar que o PT tem base social, e que o movimento sindical está no centro dessa base. É uma atitude não só de apoio ao governo Lula, mas de uma nova postura do sindicalismo”, afirma José Lopez Feijoó, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e um dos articuladores do movimento.

Confira a íntegra do documento, seguida da lista de signatários iniciais do documento.

CONVOCAÇÃO AOS SINDICALISTAS (Sujeito a alterações de redação)

Diante da crise política atual, que produz forte impacto sobre o PT, que tem raízes no meio sindical e desempenhou papel central na reconquista da democracia, convocamos dirigentes e lideranças sindicais de todo o País a discutir e articular uma intervenção em torno dos seguintes eixos:

1. Defesa do Partido dos Trabalhadores como patrimônio histórico e instrumento político de organização da classe trabalhadora brasileira, que ao longo de 25 anos desafiou o poder das elites dominantes e assegurou, em conjunto com outras forças populares, avanços palpáveis na afirmação do Brasil como nação democrática que busca combater as desigualdades sociais e estender os direitos de cidadania aos milhões de excluídos.

2. Essa defesa se desdobra em duas frentes. A primeira, responde à necessidade de reagir ao ataque virulento, farsante e reacionário que a direita conservadora e veículos da mídia desfecham hoje contra o PT e o Governo Lula. O objetivo evidente das forças de direita é derrotá-los e promover violento ajuste de contas para anular conquistas obtidas pelo campo democrático e popular no último quarto de século e bloquear futuros avanços. Nesse sentido, a defesa do PT não é tarefa exclusiva dos petistas, mas desafia todos os brasileiros comprometidos com a luta pela justiça, igualdade, soberania e liberdade, elos de ligação entre as idéias democráticas e socialistas.

3. Na outra frente, a defesa do PT exige uma séria, profunda e corajosa discussão para localizar todos os erros políticos coletivos, bem como os comportamentos individuais, os desvios de conduta, as irregularidades e até eventuais delitos praticados por qualquer de seus membros, causadores da vulnerabilidade hoje oferecida ao ataque da direita. Cabe responsabilizar, punir e mesmo expulsar todos os que comprovadamente tenham contribuído para os danos sofridos pelo PT em termos políticos e simbólicos.

4. Nesse processo de rediscussão do PT – seja ele denominado reestruturação, reorganização, reconstrução, re-fundação, renovação ou qualquer termo que evite a ilusória perspectiva de retorno à infância – não podemos perder de vista que o movimento sindical e os movimentos sociais tiveram papel fundamental na construção do partido e em seu fortalecimento histórico. Para vencer a crise de hoje, é igualmente fundamental garantir o seu engajamento, a sua presença, a sua voz e a sua energia em todas as mudanças adotadas. Somos alma do partido, não apêndice.

5. Qualquer que seja o resultado do processo eleitoral interno do partido (PED), sua recomposição política exige reafirmar e renovar o pacto de pluralidade de idéias com unidade política, que já estava presente na proposta de fundação do PT e que hoje se torna mais necessário do que nunca. Quando uma força dirigente impõe sempre e unicamente pelo voto sua maioria numérica, não existe hegemonia autêntica. Quando as diferentes facções priorizam e levam ao extremo a disputa interna, desaparece a unidade que é indispensável para vencer o ataque inimigo.

6. As mudanças necessárias na vida orgânica do PT devem colocar em primeiro plano o vínculo entre partido e movimentos sociais. Na fundação do partido, a relação estreita com o movimento sindical, com associações de bairro e comunidades religiosas, com a defesa da Reforma Agrária, com a luta das mulheres, dos negros, estudantes, intelectuais e muitos outros segmentos constituiu-se em verdadeiro pilar de sua proposta inovadora. Com o passar do tempo, esse vínculo perdeu força, burocratizou-se em setoriais sem voz nem peso, até converter-se, muitas vezes, em mero discurso vazio.

7. Por representar uma vitória histórica da classe trabalhadora brasileira e pelas mudanças que vem introduzindo na correlação de forças, cabe defender sem vacilações o Governo Lula. Discordâncias e críticas quanto a certas áreas são naturais e necessárias na convivência democrática. Mas não podem romper o limite do alinhamento claro e da unidade contra adversários que vêm demonstrando verdadeiro ódio de classe contra tudo o que nós representamos. Esse apoio deve se concretizar no engajamento firme na batalha pela reeleição de Lula, que a nova direita tenta bloquear por todos os meios.

8. Para que um segundo mandato não esteja condenado a repetir o mesmo cenário de cerco, cabe repensar toda a política de alianças que provocou o desastre de hoje. As alianças amplas continuarão sendo necessárias para viabilizar sustentação no Legislativo. Mas não podem desrespeitar os limites da ética que o PT sempre proclamou, nem resultar em um pragmatismo irresponsável, que termina rebaixando ainda mais a qualidade da representação parlamentar no Brasil. É inadiável a implementação de abrangente reforma política que tenha como eixo o fortalecimento dos mecanismos de democracia participativa, bem como reordene ética e organicamente nosso sistema partidário, condições necessárias para viabilizar um patamar superior de governabilidade e construir novas barreiras contra as práticas de corrupção. É também inadiável a retomada da bandeira da democratização dos meios de comunicação de massa, sem o que o campo popular seguirá exposto à repetição de massacres midiáticos como o observado nos dias de hoje.

9. A disputa institucional não deve ser entendida como item secundário ou complementar na vida do partido. Mas também não pode se converter em foco único de atenção e acumulação, como vem ocorrendo nos últimos anos. A conjugação entre luta institucional e mobilizações sociais – como a história já comprovou tantas vezes – cria condições para que uma base parlamentar aguerrida garanta mais vitórias que as possíveis através de qualquer maioria amorfa, mantida mediante emprego de métodos fisiológicos tradicionais.

10. Se a luta pela conquista e pelo exercício do poder é vocação natural de todo partido político, cabe lembrar que um partido de esquerda também tem como vocação educar politicamente e organizar as bases para uma disputa de longo prazo, num ciclo onde as vitórias e derrotas se alternarão sempre. O Brasil não mudou porque Lula venceu. Lula venceu porque o Brasil já havia mudado. O Brasil havia mudado porque as transformações históricas mais profundas sempre nascem da própria sociedade. Continuaremos mudando o Brasil na mesma direção, seja exercendo funções de governo, seja pressionando como oposição política.

11. Por invejáveis que sejam os resultados econômicos produzidos pelo Governo Lula, sobretudo quando feita uma comparação com os indicadores do período FHC, é urgente articular alternativas mais consistentes de crescimento sustentado. As taxas de juros e o superávit primário praticados trouxeram cortes orçamentários que bloqueiam as outras áreas ministeriais, inviabilizando metas de reforma agrária, a recuperação consistente do salário mínimo, a correção da tabela de Imposto de Renda, a universalização da Educação e da Saúde, a proteção eficaz do Meio Ambiente etc. Mantida essa linha, a estabilidade macro-econômica estará sempre asfixiada pelo crescimento da dívida pública. Além disso, a base popular que assegurou a vitória de Lula terá dificuldades em se engajar de modo incondicional na defesa de seu governo e da reeleição. Entendemos necessário aprofundar a política de crescimento econômico com geração de emprego e renda, ancorada no combate à exclusão social e num modelo de desenvolvimento que seja ambientalmente sustentável.

12. A gravidade da crise atual faz com que o risco de fragmentação partidária seja muito alto. É previsível que alguns setores se afastem, guiados pelo cálculo eleitoral oportunista e precipitado, ou para aderir a projetos políticos marcados pelo sectarismo ideológico que é próprio de agrupamentos restritos. Nesse ambiente, reafirmamos a importância do fator unidade como elemento crucial para viabilizar as conquistas da classe trabalhadora perante o Estado e perante as classes que detêm força hegemônica sobre ele. Por isso, nosso chamamento é para uma discussão franca, aberta e responsável, onde tenhamos humildade para reconhecer erros e generosidade para retomar com vigor o pacto de unidade na diversidade que nos permitiu construir um ciclo histórico de avanços inéditos.

13. Na medida em que a vida sindical obriga a um contato cotidiano com nossas próprias bases, a presença mais articulada dos sindicalistas no PT ajudará a trazer para o partido sensibilidades e demandas que se tornaram mais agudas no atual contexto de crise. Cabe trabalhar para que o partido não apenas se abra para absorver esse sangue novo nas instâncias reservadas aos filiados, mas crie também dispositivos orgânicos regulares para ouvir e incorporar sugestões dos que não militam no partido mas contribuem de alguma forma para seu fortalecimento. Só dessa maneira será possível resgatar o engajamento militante que marcou desde o princípio a vida partidária, antes de ser lamentavelmente substituído pela profissionalização crescente da estrutura partidária, pela hipertrofia dos mandatos parlamentares e até mesmo pela contratação generalizada de cabos eleitorais.

Esses 13 pontos não esgotam – como é óbvio – toda a pauta de discussão e de iniciativas necessárias para vencer a crise atual. Mas servem como ponto de partida para estimular um novo patamar de intervenção qualificada dos dirigentes e das lideranças sindicais na vida do PT, presença essa que deve ser planejada com definição de quais são nossos objetivos de curto, médio e longo prazos.

No curto prazo, convocamos os companheiros sindicalistas de todos os Estados a organizarem reuniões, plenárias, debates, seminários, fóruns e conferências que promovam um impacto positivo de revigoramento da vida partidária, prevendo atos de filiação ou re-filiação em escala. Só assim conseguiremos expressar que a classe trabalhadora brasileira está decidida a impedir que as elites dominantes destruam uma de nossas mais importantes ferramentas de organização e participação política.

São Paulo, 19 de setembro de 2005

Signatários:

Adi dos Santos Lima - presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos-CUT/SP. Antonio Carlos Spis - Executiva Nacional da CUT. Artur Henrique da Silva Santos - Executiva Nacional da CUT. Carlos Alberto Grana - presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos/CUT. Carlos Ramiro de Castro - presidente da PEOESP. Célia Regina Costa - presidente SindSaúde/SP. Cláudio da Silva Gomes - presidente da Federação Solidária da Construção e Mobiliário/CUT-SP. Denise Motta Dau - Executiva Nacional da CUT. Djalma de Oliveira - presidente do Sinergia/CUT - SP. Edilson de Paula - presidente da CUT Estadual de São Paulo. Francisca Trajano Rocha (Cida) - presidente do Sindicato das Costureiras do ABC. Francisco França da Silva - presidente da Federação Estadual dos Trabalhadores Transporte/CUT-SP. Henrique da Mota Barbosa - presidente da Federação da Agricultura Familiar/CUT-SP. Isaias Carrara - presidente do Sindicato dos Gráficos do ABC. Izidio de Brito Correia - presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba. João Felício - presidente nacional da CUT. João Vaccari Neto - Executiva Nacional da CUT. José Lopez Feijóo - presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Leandro Valquer de Oliveira - presidente do Sindicato dos Municipais de São Paulo. Lucinei Paes de Lima - Rurais/Executiva Estadual da CUT-SP. Luis Antonio da Silva - presidente do Sindicato dos Bancários de Taubaté. Luiz Cláudio Marcolino - presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Neusa Santana Alves - presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Centro Paula Souza. Paulo Lage - presidente do Sindicato dos Químicos do ABC. Sebastião Cardoso - presidente da Federação Estadual dos Bancários/CUT-SP. Vagner de Castro - presidente do Sindicato dos Bancários do ABC. Vagner Freitas - presidente da Confederação Nacional dos Bancários/CUT. Wilson Marques - presidente do Sindicato dos Eletricitários de Campinas. Waldemar Pires de Oliveira - presidente da Confederação Nacional Construção e Madeira - Conticom/CUT. Walmir Marques da Silva (Biro-Biro) - presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté.

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