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Os Diamantes são eternos

29.01.2005 | Fonte de informações:

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A Caixa Econômica Federal que estabeleceu uma agência na reserva para recolher os diamantes a serem extraídos pelos índios e administrar os fundos provindos da renda obtida com a venda destes, está promovendo o primeiro leilão de um lote de diamantes em estado bruto, extraídos da reserva, agora legalmente, pois anteriormente, havia um garimpo ilegal na reserva, o que ocasionou um sangrento conflito entre índios e garimpeiros que vitimou 26 garimpeiros que foram brutalmente assassinados, pelos índios que nada deverão sofrer, pois são inimputáveis perante a lei e, segundo o ex-assessor da presidência, Frei Beto, os índios estavam em seu pleno direito quando assassinam intrusos, pois estavam lutando pela terra e pelos diamantes, evidentemente. Frei Beto também deve ter interpretado tal ato pelos índios como uma vingança, pois os mesmos já foram por muitas vezes dizimados pelo homem branco.

Esta carnificina já foi esquecida, pois se tratava apenas, de pessoas sem expressão, e estavam invadindo as terras indígenas que, segundo a constituição, são inexpugnáveis. Mas, se ao contrário dos garimpeiros, fossem os índios, os mortos, o mundo inteiro estaria em defesa deles, que sempre são os mais perseguidos e injustiçados e a comunidade internacional, alem disso, estaria cobrando providências do governo brasileiro como, por exemplo, ocorreu no caso do índio Pataxó, Gaudino que foi assassinado por jovens de classe média que atearam fogo ao seu corpo imaginando tratar-se de um simples mendigo. Realmente era um mendigo, mas um índio. Isto ocasionou repercussão nacional e houve uma caça impiedosa aos assassinos. Contudo, se um mendigo que não for índio, for assassinado, pode ser considerado como um favor prestado a comunidade.

O valor que o lote de diamantes alcançará no leilão, foi estimado por volta de 800 mil reais e esta renda será revertida totalmente para os índios. Tudo de conformidade com a lei, pois está previsto na constituição que uma vez demarcada a reserva os índios são os legítimos proprietários da mesma incluindo suas riquezas minerais e devem até mesmo ter participação se o governo federal, porventura necessitar explorar algum recurso da reserva, mas o governo brasileiro não é nem um pouco ambicioso, ao menos com, relação a esta fonte de recursos, e, neste caso, nem tenciona fazer alterações na lei para se beneficiar como tem sido feito quase sempre.

No caso da reserva dos Cinta-larga, a quantidade de diamantes que lá estão ainda por serem extraídos, deixaria os sul-africanos com inveja e tudo, é óbvio, de propriedade dos índios que ficarão tão milionários, que talvez queiram estabelecer uma república independente na reserva ou talvez seja melhor não, pois estar milionário e sob a tutela do governo é muito mais interessante. Provavelmente, os cinta-larga já sabem que uma pedra lapidada tem seu valor quintuplicado. Dessa forma, eles logo se interessarão em aprender as técnicas de lapidação e montarão uma verdadeira indústria na região.

As reservas Roosevelt, localizada no estado de Rondônia, é quase to tamanho da Bélgica, no entanto, o número de índios que a habitam é de cerca de 1.300. A reserva Raposa Serra do Sol, demarcada recentemente, em Roraima, é quase do tamanho de Portugal. Isto poderia ser interpretado como um prova de como o governo federal é atencioso com as questões indígenas, mas o fato é que os governantes brasileiros assim o fazem, para que não mais tenha de se preocupar em administrar a ocupação e exploração racional da Amazônia que, como provou este incidente, e ouro de Serra Pelada e o minério de ferro de Carajás, tem riquezas minerais a serem exploradas que poderiam diminuir em muito, a desigualdade social no Brasil. Mas para que isto fosse possível, seria necessário um governo realmente comprometido com o desenvolvimento do país o que pelos recentes ocupantes da presidência e também, pelas futuras opções de aspirantes ao cargo, é muito difícil que ocorra.

Talvez fosse melhor, os governantes brasileiros começarem a se preocupar um pouco mais com a Amazônia, pois alguns governantes do mundo já estão bastante interessados.

Jose Shettini Petrópolis BRASIL

jschett@uol.com.br

 
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