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Desemprego do 1º tri em SP é um dos piores da história

27.04.2004 | Fonte de informações:

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Segundo o estudo, nos três primeiros meses de 2003 houve uma redução de 286 mil postos de trabalho e em 2001, 332 mil vagas foram fechadas. O pior resultado no nível de desemprego ocorreu no primeiro trimestre de 1992, quando ocorreu o corte de 472 mil vagas. Segundo Paula Motogner, gerente de análise do Seade, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo está em expansão desde o lançamento da pesquisa. Logo no primeiro trimestre do primeiro ano da pesquisa, houve redução de 40 mil vagas. Neste ano, a taxa de desemprego passou de 19,8% em fevereiro, para 20,6% em março, da População Economicamente Ativa (PEA), atingindo a marca de 2 milhões de desempregados no mês. A previsão para abril, segundo a especialista, é de estabilidade. "Se a taxa ficar estável será uma boa notícia", disse. Para ela, as contratações dependem da reativação da atividade econômica.

Setor de serviços

O número representa 20,6% da População Economicamente Ativa (PEA). No mês anterior, o índice de desemprego estava em 19,8% da PEA. Nos últimos doze meses, a taxa passou de 19,7% para 20,6%, com o acréscimo de 127 mil pessoas ao contingente de desempregados. De acordo com o levantamento, 20 mil pessoas saíram do mercado de trabalho no mês passado e houve a eliminação de 94 mil postos de trabalho. A indústria foi o setor que mais demitiu de fevereiro para março, com o fechamento de 87 mil vagas. No setor de serviços, o número de vagas foi reduzido em 27 mil e, no comércio, a redução foi de 15 mil postos de trabalho.

O Dieese verificou um aumento nas contratações dos setores de serviços domésticos e da construção civil, com 35 mil novas vagas. O total de pessoas ocupadas na Região Metropolitana de São Paulo caiu 1,2% em março, somando 7,637 milhões de pessoas. Considerando as formas de inserção no mercado de trabalho, houve queda no número de trabalhadores autônomos (-44 mil), de assalariados com carteira de trabalho assinada no setor privado (-23 mil) e de empregados no setor público (-15 mil).

Reconhecimento de Palocci

O rendimento médio real dos ocupados, em fevereiro, diminuiu pelo segundo mês consecutivo, ficando em R$ 953, valor 3,3% menor que o do mês anterior. O salário médio decresceu 2,1%, após dois meses em estabilidade, somando R$ 1.007. Após três meses de crescimento, o tempo médio de procura por trabalho diminuiu, passando de 56 para 55 semanas. Com relação a março de 2003, esse indicador aumentou em duas semanas.

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reconheceu que o governo não tem tido sucesso na criação de empregos no ritmo necessário para absorver a mão-de-obra disponível no país. "O Brasil neste momento não conseguiu enfrentar a questão do desemprego na dimensão que o país exige", disse Palocci ontem antes de embarcar para Washington. O ministro ressaltou, no entanto, que a geração de postos de trabalho no primeiro trimestre do ano foi a maior em 12 anos, mas que a taxa de desemprego subiu por conta da maior procura por trabalho.

Notas da Força Sindical e da CUT

Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, os números indicam que o país está "beirando o caos social". "Ou seja: um em cada cinco trabalhadores está privado de trabalhar. A situação também é grave para quem tem emprego, porque este também já é o segundo mês consecutivo que registra queda no rendimento médio do trabalhador empregado", disse ele em nota. Para a Central Única dos Trabalhadores (CUT), esses dados mostra a gravidade da situação econômica do Brasil.

Também em nota, o presidente da CUT, Luiz Marinho, diz que a pesquisa reforça a necessidade de agilidade nas ações governamentais para não aprofundar a crise social no país. "Para a CUT, medidas como a adoção das frentes emergenciais de trabalho, a redução da jornada de trabalho, a diminuição da taxa de juros e políticas efetivas de incremento da produção, são urgentes", disse ele. Hoje a CUT estará reunida com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar uma série de medidas emergenciais necessárias para a situação.

Leia a nota da CUT

"A pesquisa divulgada nesta quinta-feira (22/04), pela Fundação Seade- Dieese, mostra a gravidade da situação econômica que o Brasil atravessa. Ao constatar que um em cada cinco trabalhadores está desempregado, a pesquisa reforça a necessidade de agilidade nas ações governamentais para não aprofundar a crise social no país.

Para a Central Única dos Trabalhadores, medidas como a adoção das frentes emergenciais de trabalho, a redução da jornada de trabalho, a diminuição da taxa de juros e políticas efetivas de incremento da produção, são urgentes, porque o Brasil não pode permitir que o ano de 2004 apresente indicadores sociais semelhantes ou inferiores a 2003.

Todas estas propostas já foram apresentadas ao Executivo pela CUT e, na nossa avaliação, devem ser implementadas o mais rápido possível, porque com o desemprego crescem também outros flagelos sociais, como a miséria e a violência.

Nesta sexta-feira (23/04), inclusive, a nossa central sindical estará reunida com o presidente Lula para reafirmar estas posições e insistir na implantação das frentes emergenciais de trabalho e de recuperação do poder de compra do salário mínimo, que pode se transformar numa alavanca para o crescimento do consumo e, por conseqüência, das atividades produtivas.

Luiz Marinho Presidente Nacional da CUT" in Diário Vermelho

 
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