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ATRASO TECNOLÓGICO OU POLÍTICO?

24.11.2004 | Fonte de informações:

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O investimento anual de aproximandamento R$ 2 milhões e 750 mil gerou mais de 2.500 trabalhos, muitos deles feitos por alunos ou grupos inteiros que não possuem qualquer forma de incentivo. Este foi o grande êxito demonstrado pela XXVI Jornada de Iniciação Científica 2004, demonstrando que é preciso pouco, ou melhor, migalhas para que os alunos das universidades públicas e até mesmo secundaristas inovem e produzam trabalhos científicos, colaborando destacadamente para diminuir nossa evidente dependência na área de pesquisa. Pegue esse cifra de R$ 2 milhões e 750 mil (por ano) e compare com qualquer desvio, qualquer um, no site da Transparência Brasil (www.deunojornal.org.br) ou no Mapa da Corrupção (dentro de www.consciencia.net). É uma quantia ridícula. É fácil perceber que esse número de bolsas poderia triplicar ou quadruplicar sem qualquer esforço, bastando designar alguém na Secretaria do Tesouro que não tenha à mão a tesoura afiada de Palocci, Levy, Lisboa e outros funcionários ortodoxos da Fazenda. Para lembrar: são os mesmos que, "sem querer", cortaram a verba da APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), causando o repúdio de toda a opinião pública. Para quem acompanha os jornais, é fácil perceber também que os ventos de Brasília não parecem ser favoráveis. Pararam de soprar há algum tempo, diga-se. A saber: De 1994 a 2002, o número de alunos das Universidades Federais passou de 400 mil para 563 mil. Por ano, passou de 92 mil para 115 mil. O número de docentes efetivos diminuiu: de 48 mil para 42 mil. E o número de pessoas contratadas transitoriamente, aumentou de 2.100 para 8 mil. O quadro docente é o mesmo há 10 anos. "Para responder à demanda do ensino público - apenas 11 em 100 estudantes, jovens de 18 a 24 anos, podem freqüentar a universidade pública, cerca de 3% - requer vontade política, recursos e determinação. No quadro atual de crescimento, deveríamos chegar ao número de 7 milhões de estudantes no ensino superior. Para isso, teríamos de triplicar ou quadruplicar os gastos com ensino superior público", afirma o deputado Ivan Valente. O atual governo já deixou claro, por meio de estudos "técnicos" feitos pela Fazenda e por Marcos Lisboa, que o Brasil tem "um dos maiores gastos sociais do mundo" (sic), mas que utiliza mal os recursos. Dizem que o investimento em universidade privilegia apenas "os ricos", e com esse argumento baseado no "social" solapam o incentivo à pesquisa no país, comprometendo nosso futuro como Nação de Brasileiros com B maiúsculo. Para piorar, nem ao menos repassar recursos ao Fundef (Ensino Fundamental) o MEC repassa, destruindo completamente o argumento anterior. (veja www.consciencia.net/2004/mes/04/fundef.html) Qual país consegue se desenvolver sem inovação tecnológica? Nenhum. é tecnicamente impossível, ninguém discorda disso. Mas é bom não espalhar muito, porque o tal discurso do desenvolvimento do "governo de esquerda" pode cair. A vontade por parte dos pesquisadores é grande, como demonstra os casos da UFRJ, da FAPERJ e muitos outros. Só falta a política. O que, muitos já perceberam, não virá deste governo. Gustavo Barreto (23/11/2004)

 
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