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O Ministro Gil

24.08.2004 | Fonte de informações:

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Abraçando o binômio natureza e cultura, rebuscando velhas e novas imagens no solo fértil de suas emoções ou na simplicidade que sua vista alcançava, olhando para o alto e para os lados, o cantor-ministro sacudiu as raízes de uma velha árvore, que no desabrochar de seus misteriosos pensamentos, renascia como exemplo viçoso capaz de sombrear, no plenário da natureza, em campo aberto, os debates e as posições desafiantes de um novo tempo.

Foi um choque que se transformou no raio de luz de uma geração. Palavras, gestos, entonações marcadas pelo ritmo dos que acreditam e estão afinados com a partitura de seus anseios e objetivos, revitalizando conceitos e pisoteando algemas culturais, o cantor-ministro se transformou no guarda-chave da porta dos novos horizontes, revelando uma praça festivamente pronta para saudar e comemorar as oportunidades culturais que, enfim, nascem para todos, sem distinções.

Detonar os vícios de um comportamento cultural marcado pelo clientelismo, submetido até então aos interesses de grupos intelectuais localizados, surge como desafio maior dentro da estrutura do Sistema Nacional de Cultura, que busca retratar nossas manifestações culturais, com toda a sua multiplicidade criativa, dando-lhe dimensão e respeito e despertando no cidadão mais simples, as vertentes de seus pendores e a certeza de que ele terá acesso fácil às benesses igualitárias de um novo projeto cultural.

O cantor-ministro, no entusiasmo com que desenhava imagens, situações e comparações, deixava à mostra todos os seus mistérios oratórios, impondo-lhes o sentido compacto e seguro de seus ideais, montando no xadrez de sua vida pública – que lhe roubara o sono de artista – o cheque-mate de sua vocação de condutor de massas e formulador de sonhos, a serviço por inteiro de uma política cultural que já tem expressivos parceiros – e o Espírito Santo é um de seus melhores exemplos – e hoje embalada pelo sentido de uniformidade, chega aos Estados e aos municípios, sustentada pelo carinho e pela solidariedade de nossas melhores e mais expressivas representações comunitárias.

Quando levantamos a viseira para encarar a riqueza da natureza, vive-se, como registrou com sensibilidade o cantor-ministro, a essência da cultura das nossas raízes, na construção siamesa de forças perenes e utilitárias.

O misterioso Gil, no seu falar dicionaresco e profundamente jovial foi entendido e aplaudido, por manejar como um maestro a sua orquestra, afinada no curso de imagens, comparações e realidades que o conjunto da nacionalidade, em coro, tanto vem aplaudindo.

Lamentou apenas, na gaiatice oportuna e descontraída de um registro, o fato de não mais poder acordar às 11 horas da manhã, porque o despertador da cultura, implacavelmente, o estava acordando todos os dias às 6:30, para mais um estirão de compromissos, desafios e conquistas.

O Ministro e o Sistema Nacional de Cultura, felizmente, estão acordando na mesma hora.

J.C.Monjardim Cavalcanti jornalista

 
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