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Severino renuncia para fugir da cassação

23.09.2005 | Fonte de informações:

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Antes, porém, do ato de renúncia, Severino se reuniu com o presidente Lula e conseguiu ainda barganhar cargos na máquina estatal. Arrancou de Lula a promessa de que seu apadrinhado Márcio Fortes, ministro das Cidades, vai continuar no cargo.

Embora a renúncia de Severino tenha sido um clamor nacional, este ato em si não representa nenhuma mudança para o Congresso e para a Nação. É mais uma jogada ensaiada no sujo jogo política brasileira, no qual se permite que algumas coisas mudem para que tudo permaneça igual. No mesmo dia da renúncia, Luciana fez um pronunciamento onde expôs a posição do PSOL sobre esse caso:

“Mais um presidente da Casa que envergonha o País! É o segundo presidente da Câmara suspeito de irregularidades. O ex-presidente João Paulo Cunha está no banco dos réus, e o deputado Severino Cavalcanti renunciou para não ser cassado, assim como vários outros deputados o fizeram e alguns ainda poderão vir a fazê-lo.

Quero dizer que nós, do P-SOL, não nos sentimos à vontade para votar em nenhum dos candidatos à presidência da Câmara dos Deputados, porque estamos vendo que todo o Congresso Nacional está sob suspeita. Um dos que hoje parece ter reputação ilibada amanhã pode também estar no banco dos réus.

O povo brasileiro deve decidir em um plebiscito se o Congresso Nacional e o Governo Federal têm condições políticas e morais de continuar até 2006 ou se quer a antecipação das eleições, o que, na nossa opinião, seria a melhor saída. Temos de devolver ao povo a soberania desta decisão. Em vez de elegermos um novo presidente da Câmara dos Deputados, elegermos um novo Congresso Nacional e um novo Governo Federal, com novas regras políticas que não permitam a fraude da nossa democracia, por meio do poder econômico, das mentiras, dos marqueteiros, dos tempos desiguais aos partidos na televisão, dos verdadeiros estelionatos eleitorais que têm ocorrido em nosso País.”

Repressão violenta aos protestos contra Severino e Cia

Ao final do discurso de renúncia de Severino, professores universitários e estudantes da UNB, em greve há 20 dias, que assistiam à sessão das galerias da Câmara, foram violentamente reprimidos pela segurança da Casa depois de abrirem algumas faixs em que pediam concurso público para as universidades e afirmavam que 'corrupção é igual a falta de educação'. No protesto, foram entoadas com entusiasmo as palavras de ordem: “Nem mensalinho, nem mensalão, queremos mais verbas para a educação” ; “Fora todos os corruptos”; “Severino já vai tarde”.

Na verdade, os cerca de 100 manifestantes presentes ali representavam os milhões de brasileiras e brasileiros que estão com este grito preso na garganta, ansiosos para que sua mensagem chegue com toda força ao Congresso Nacional e ao Palácio do Planalto. Entretanto, a maioria absoluta dos parlamentares, todos com o rabo preso nesta ou naquela tramóia, não querem ouvir o clamor popular e tudo fazem para abafá-lo. Como fiel representante desta ala, o Sr. deputado José Tomás Nonô (PFL- ) que naquele momento assumia a presidência da Câmara no lugar de Severino, deu ordens para 'evacuar as galerias'. Esta foi sua primeira ação como presidente. A partir daí o que se via era a brutal agressividade dos seguranças contra os manifestantes, que nada deixou a dever à truculência da ordem de Nonô. O saldo dessa ação foi a prisão de 3 estudantes, liberados depois da intervenção do deputado Babá e outros parlamentares, e alguns feridos.

Luciana Genro

 
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