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Turismo no Brasil

22.08.2004 | Fonte de informações:

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Falar bem do Brasil não é difícil, pois se precisaria de muita má vontade se não se reconhecesse os muitos valores deste grande país, deste povão com o coração tão grande como o Amazonas, do empenho e carinho dos muitos que fazem do Brasil um sítio agradável e inesquecível para passar umas férias, ou para escolher como lar.

No entanto, não é por sempre dizer bem que as pessoas ajudam, quando uma opinião forasteira muitas vezes abre os olhos melhor do que as vozes daqueles que vivem dentro do sistema e por isso são cegados por ele.

Ontem, dia 4 de Agosto, morto de sono depois duma viagem de nove horas e vinte minutos de Lisboa para São Paulo, deparei com o maior exemplo de estupidez institucional desde a semana passada quando tive o privilégio de passar um dia com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras em Portugal.

Com o voo já atrasado em uma hora e meia, restava apenas a mesma quantia de tempo para efectuar o controlo dos passaportes, pegar nas bagagens e fazer outro check-in para Fortaleza.

Na sala de desembarque há três filas em São Paulo. Uma para brasileiros, outra para “estrangeiros” e uma para “American citizens”, que merecem tratamento especial igual ao que espera os brasileiros lá nos EUA. Nada estranho aí.

Mas o que é estranho é que havia só um funcionário a atender a fila de “estrangeiros” que tinha nada menos que 347 almas a esperarem. Uma pessoa, que mesmo assim entrava e sair do seu cubículo, deixando os “estrangeiros” desesperados. Daí que “uma palhaçada”, “o Brasil é sempre assim?” “esta malta é sempre autoritária”, “nunca mais ponho cá os pés” foram os comentários mais ouvidos. Será esta imagem que o Brasil quer passar para o exterior?

Ironicamente, os “American citizens” podem ultrapassar os outros, porque têm um funcionário especial a espera deles; por isso qualquer eventual retaliação contra o tratamento de brasileiros nos Estados Unidos sai ao contrário: ficam beneficiados porque não têm de passar horas para receberem um carimbo no passaporte.

Passado meia hora chegaram mais dois empregados, acenaram, sorriram e fizeram uma vénia, com os “estrangeiros” a baterem palmas (uma autêntica palhaçada num espaço que é suposto ser sério) e o primeiro empregado foi-se embora. Só muito mais tarde colocaram mais dois oficiais, fazendo quatro, para os 347 que tinham amontoado mais dois aviões cheios.

Eu consegui apanhar o voo de conexão para Fortaleza por um milagre. Com certeza muitos outros passageiros da Varig que seguiam para outros destinos não tiveram a mesma sorte.

Se bem que o brasileiro é tratado a chuto noutros países, utilizar o argumento “um olho por um olho” nada faz para remediar a situação, antes pelo contrário, porque qualquer simpatia e pena que uma pessoa sentisse por causa da maneira em que eram tratados os emigrantes brasileiros no estrangeiro, se perde no aeroporto de São Paulo, onde é demonstrado uma total e estudada falta de respeito pelo visitante. A mensagem é “posso mandar e por isso mando”, “tenho poder total sobre ti e vou utilizá-lo”.

É pena porque o resto da estadia no Brasil é sempre aquela maravilha: pessoas que têm prazer em receber o visitante e que sentem prazer em vê-lo satisfeito, comida maravilhosa, praias lindas, um património cultural e histórico riquíssimo e tudo o resto que faz do Brasil um grande país.

É pena porque a pequenez e estupidez institucional daquela gente que recebe o turista na entrada, faz logo a primeira impressão, que é negativa, extremamente negativa. Uma pessoa a atender 347 “estrangeiros” não é receber os visitantes com respeito e nunca pode criar uma imagem positiva de competência e de gestão de pessoal.

É pena porque todos os brasileiros a espera dos familiares “estrangeiros” disseram que não tinha defesa um tratamento destes, que tinham vergonha de serem brasileiros e que não tencionavam colocar mais os pés aqui durante muitos anos.

Não é isso a mensagem que as autoridades brasileiras querem passar para o exterior. Por isso esperemos que este artigo seja recebido não como uma crítica destrutiva mas como um conselho amigo duma pessoa que ama o Brasil com todo seu coração.

Timothy BANCROFT-HINCHEY PRAVDA.Ru

 
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