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Companheira e Irmã Dorothy Stang? Presente!

19.02.2005 | Fonte de informações:

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Foi com enorme tristeza e indignação, que recebemos pela imprensa a noticia do assassinato de Dorothy Stang, missionária norte-americana que defendia na região da transamazônica o direito à terra e a reforma agrária, enfrentando com isso latifundiários, pistoleiros e grileiros.

Irmã Dorothy, como todos a conheciam, foi vitima não somente das balas assassinas de um delinqüente pago por algum madeireiro/latifundiário da região, Irmã Dorothy foi vitima, assim como dezenas de trabalhadores rurais brasileiros são, da falta de uma política séria do governo federal que distribua terras e que faça uma verdadeira reforma agrária em nosso país.

Que a Irmã Dorothy já vinha sofrendo ameaças a mais de dois anos e o poder público paraense e o governo federal já sabiam não era novidade; ao não lhe dar a devida proteção, tantas vezes solicitada por entidades sindicais e organizações não governamentais da região, e por ela mesma solicitada, o governo federal e o governo do estado do Pará se tornam cúmplices desse assassinato.

Em vez de proteger a floresta, suas reservas e o seu maior patrimônio, as populações tradicionais, índios, caboclos, etc. o governo federal com sua política de concessões florestais e incentivo ao agrobusines ao invés de garantir proteção ao meio-ambiente, incentiva o setor privado a explorar de forma indiscriminada os produtos florestais, que intimidam com sua ganância a população de regiões inteiras para se locupletarem dos bens naturais, tudo isso espalhando o terror e a violência.

O recente lançamento no Estado do Pará, pelo Ministro Nilmário Miranda, do Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, foi mais uma das ações de Marketing do presidente Lula, pois não garantiu proteção à irmã Dorothy. Basta de Propaganda!

Segundo dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) entre 1985 e 2003, 1.349 pessoas foram vítimas de conflitos no campo em todo o país, apenas 64 executores e 15 mandantes foram condenados. Dos 1.003 crimes ocorridos no período, 75 foram a julgamento - ou seja, 7,5%. O estado do Pará, lidera essa macabra estatística, possuí um dos maiores índices de impunidade, com 521 assassinatos e 13 condenados.

Entre 1985 e 2003, das 108 pessoas que foram a julgamento sob suspeita de terem sido autores diretos dos assassinatos, 64 foram condenadas, e 44, absolvidas. Entre suspeitos de mando de crime, 15 foram condenados, e seis, absolvidos. Os dados do norte do país são alarmantes. Em nossa região, que concentra 50% das vitimas, dos 492 casos de crimes relacionados a luta pela terra, somente 5% deles (20) foram a julgamento, com um saldo de 12 mandantes e 17 executores condenados. Nesse rasto de impunidade ainda estão livres os mandantes dos assassinatos dos 19 trabalhadores rurais sem-terra de Eldorado dos Carajás.

Somente nos primeiros 23 meses do governo Lula da Silva tombaram sobre as balas assassinas da pistolagem 58 trabalhadores rurais, o que supera o total das 44 mortes registradas nos três últimos anos de governo FHC. Segundo a ouvidoria agrária nacional, 40% dos crimes, entre janeiro de 2003 e novembro de 2004, ocorreram no Pará, ou seja, dos 58 casos, o Pará teve um registro de 23 mortes. O que é um absurdo!

Esse crime não deve ficar impune. Prisão imediata para os mandantes e assassinos de Dorothy Stang e assim como a CPT, o MST e demais organizações dos trabalhadores que lutam pela reforma agrária, defendemos que crimes dessa natureza sejam julgados na esfera federal.

Para que esse ato de violência não termine da mesma forma como até hoje não foram solucionados nem punidos os assassinos da família Canuto, do padre Josimo, da Irmã Adelaide, dos Deputados Estaduais João Batista e Paulo Fonteles, de Doutor, Fusquinha, Dema, Dezinho, Brasília e tantos outros, se torna necessário formar uma comissão independente constituída pelos sindicatos de trabalhadores rurais de Anapu e Altamira, por familiares e colaboradores da vítima, pela Sociedade Paraense de Direitos Humanos (SPDDH), bem como pela FETAGRI, CUT, pelo Ministério Publico e a Ordem dos Advogados do Brasil para que seja feita investigação cuidadosa e independente do governo, da justiça e da polícia paraense, responsáveis por mais essa vergonha.

Nesse momento de dor pela perda "estúpida" de mais uma lutadora que antes de mais nada defendia a terra, portanto a vida e a liberdade, nossa jovem agremiação partidária se solidariza com seus companheiros e familiares.

"Prefiro falar da vida e não da morte. Não tenho tempo para pensar em coisa ruim. Mas, se eles me matarem, eu gostaria de ser enterrada em Anapu, junto daquele povo humilde. Besteira, besteira, há muitas pessoas querendo ajudar os outros. Eu não sou nada perto delas. Grande é o nosso povo." (irmã Dorothy em sua última entrevista).

Companheira e Irmã Dorothy Stang? Presente!

Dep. Babá

 
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