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A FARSA DOS BONS FUNDAMENTOS ECONÔMICOS

18.12.2005 | Fonte de informações:

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O governo Lula usa a seu favor o argumento do que chama de os bons fundamentos da economia. Trata-se de uma alegação enganadora, pois nossa situação econômica está longe de qualquer avaliação positiva, como tenho ressaltado tantas vezes. Enquanto outras nações emergentes crescem 6, 7, 8 ou até 10% ao ano, aproveitando o presente boom da demanda mundial por produtos primários, o crescimento brasileiro nestes 3 anos de administração petista mal superará a média anual de 2,5%.

Em recente viagem ao Chile, pude constatar a diferença entre o que é o desenvolvimento em termos reais e a contrafação a que assistimos em nosso país.

Vejam bem estes números, prestem atenção:

- crescimento econômico chileno nos últimos 3 anos: média anual de 6%. O do Brasil, repetindo, em torno de apenas 2,5%, menos da metade, portanto;

- PIB previsto para 2005: Chile, U$ 107 bilhões, Brasil, aproximadamente U$ 600 bilhões. Sabendo-se que a população brasileira é mais de 10 vezes maior que a do Chile, nosso PIB comparativamente deveria ser superior a U$ 1 trilhão;

- PIB per capita: Chile, U$ 6.700; Brasil; U$ 3.300, a metade;

- dívida interna: o Chile não tem. A nossa é de mais de R$ 900 bilhões; a externa, de responsabilidade direta do governo chileno, é de U$ 8 bilhões. A nossa, também a de responsabilidade do governo, cerca de U$ 80 bilhões ;

- taxa de inversão em 2005: Chile, 28% do PIB; Brasil, 18 ou 20%, esta última não sendo suficiente para garantir o mínimo crescimento necessário à expansão da economia;

- desemprego: Chile, 8%; Brasil, 12%;

- inflação em 2005: Chile, 2,5%; Brasil, 5 ou 6%.

E mesmo quanto às exportações, tão propagandeadas pelo governo Lula, a comparação nos é altamente desfavorável: Chile (em 2005), U$ 40 bilhões; Brasil, U$ 115 bilhões, lembrando de novo que a população chilena representa menos de um décimo da brasileira. Para nos comparar ao Chile, deveríamos exportar U$ 400 bilhões, ou seja, quase 4 vezes mais.

Considerando o conjunto desses indicadores, o presidente Lagos anunciou que o país deverá ser o primeiro da América Latina, já a partir de 2010, a deixar a condição de subdesenvolvido.

O Chile é uma economia florescente, com cidades limpas e bem cuidadas, rodovias excelentes, aeroporto (Pudahuel) de fazer inveja aos galeões e congonhas da vida, índices de segurança incomparáveis com os nossos. Não vi uma só criança de rua em Santiago, como, aliás, também não vi em Buenos Aires, por onde passei a caminho do Chile.

Os de lá, na verdade, são bons fundamentos econômicos, independentemente do julgamento que se faça do modelo adotado e de suas graves questões sociais, assuntos dos quais me ocuparei em próximo artigo. Os daqui constituem um grande fracasso, que a propaganda oficial e os comentaristas chapas-brancas tentam inutilmente disfarçar.

Os dados do IBGE

O artigo acima já estava redigido quando foram divulgados os dados do IBGE sobre a economia brasileira no último trimestre. Eles mostram como temos razão ao criticar a falácia dos chamados bons fundamentos econômicos, base da estratégia marqueteira do governo.

Ninguém pode sentir-se feliz com os pobres índices do desenvolvimento nacional, pois todos nós vamos pagar a conta. Mas números são números, e o governo precisa admitir que sua política econômica fracassou. E, portanto, parar de mentir ao País.

* José Maria Rabêlo, jornalista, anoticiacomoelae@uol.com.br

 
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