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A tecnologia a serviço da inclusão social

18.11.2004 | Fonte de informações:

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São soluções simples e baratas, de aplicação nas mais diversas áreas, da saúde ao agrobusiness. A idéia do governo é disseminar essas experiências pelo país, dentro de uma Rede de Tecnologia Social, que será acionada durante o evento .

As tecnologias sociais não se contrapõem aos modelos tradicionais de tecnologias de ponta. Ao contrário, são instrumentos alternativos e complementares das tecnologias mais avançadas e do desenvolvimento tecnológico nacional. Em geral, por ter um custo menor, são mais adequadas, mais sustentáveis, de impacto ambiental positivo. Por isso, muitas delas já viraram políticas públicas adotadas tanto na esfera nacional quanto por gestores estaduais e municipais. Esse tipo de inovação tecnológica tem sido bem-sucedida em trazer melhores condições de vida às comunidades de baixa renda, aumentar a produção na agricultura, incrementar as exportações, entre outros benefícios.

Um exemplo de solução implantada com sucesso é a Estação Compacta e de Baixo Custo para Tratamento de Esgotos Domésticos, fruto de pesquisa do Núcleo de Bioengenharia Aplicada em Saneamento da Universidade Federal do Espírito Santo. Essa nova tecnologia é 35% mais barata que os sistemas tradicionais. Remove 95% da matéria orgânica e 99,999% dos coliformes fecais presentes no esgoto sanitário. Permite o aproveitamento de subprodutos na agricultura (adubo orgânico) e até na geração de motores (gás). Em torno de 70% da matéria orgânica presente no esgoto é removida sem consumo de energia. A estação de tratamento foi implantada em 40 municípios brasileiros e em duas cidades no exterior. Nestes locais, reduziu-se significativamente o nível de contaminação dos corpos d'água e, aproximadamente, 3 milhões de habitantes foram beneficiados.

No Maranhão, o projeto implantado pela Associação em Áreas de Assentamento no Estado (Assema) exporta 10 mil toneladas de sabonetes por ano para os Estados Unidos. O óleo, utilizado pela indústria de cosméticos, está conquistando espaço nos mercados americano e inglês. O programa melhorou a renda e a qualidade de vida de 840 famílias que estão investindo em um sistema de produção denominado agroextrativista, baseado no consórcio da agricultura com o extrativismo.

Com o Programa de aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar da Conab, órgão do Ministério da Agricultura, o governo federal garante a renda do pequeno produtor, estimula o agricultor a elevar a sua produtividade e atende a população em risco alimentar, com os produtos que formam os estoques do PAA. Por meio deste Programa, o governo adquire mais de 30 produtos, que vão desde o feijão, a farinha de mandioca, o arroz, o trigo, o leite, a carne e hortigranjeiros, a castanha de caju, sucos, polpa de frutas, entre outros. Dos produtos que compõem todas as cestas básicas dos programas de governo, 35% são oriundos do PAA. De janeiro a outubro deste ano, 33.148 famílias de pequenos agricultores foram beneficiadas. Em 2003 foram 41,3 mil famílias.

O modelo de cisternas de placas pré-moldadas hoje multiplicado nas regiões mais secas do Brasil foi criado há quase 25 anos e tornou-se política pública do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome. As cisternas servem de reservatório para acumular a água da chuva e proporcionar o abastecimento durante o período de seca. Também com apoio do MDS, a Associação de Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável (Asmare), de Belo Horizonte.

O Ensino de Matemática para Deficientes Visuais desenvolvida pela Fundação para Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Cascavel (PR) utiliza um instrumento batizado de Multiplano, por meio do qual é possível reproduzir, de forma concreta, o mesmo algoritmo que o aluno dotado de visão utiliza no seu caderno para a realização de operações matemáticas. O projeto se baseia em um kit contendo livro didático e CD-ROM explicativo. As avaliações feitas em Cascavel, com deficientes visuais, constataram a compreensão, por parte de todos, dos conceitos matemáticos e de seu caráter lógico.

A Conferência e Mostra fazem parte da estratégia do governo federal de disseminar e ampliar a implantação das inovações tecnológicas que promovem a inclusão social e desenvolvimento sustentável. De acordo com o ministro Luiz Gushiken, "as tecnologias sociais têm um impacto social rápido e eficaz, trazendo melhoria de condições de vida nas comunidades onde estão implantadas". Ele acrescenta que, com a Rede de Tecnologia Social, que vai agregar de gestores de programas a pesquisadores, "será possível disseminar o conhecimento e permitir a aplicação simultânea de várias tecnologias sociais".

Além da Secom, organizam o evento a Fundação Banco do Brasil, Petrobrás, Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Ministério da Ciência e Tecnologia. A programação completa da I Conferência e Mostra Internacional de Tecnologia Social pode ser conferida no site www.brasiltec.com.br.

Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República

 
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