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O PSDB ESQUECE SUA RESPONSABILIDADE

18.07.2003 | Fonte de informações:

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O PT respeita o direito do PSDB de fazer oposição e de criticar o governo, mas discorda de forma veemente do teor e dos termos da avaliação do documento, pelas seguintes razões:

1 - O PSDB apressou-se em fazer uma avaliação por escrito e crítica aos seis primeiros meses do governo Lula, mas, até hoje, ao que se sabe, não emitiu nenhuma avaliação dos oito anos de mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

2 - O governo do PSDB deixou uma agenda inconclusa para o país: não foi capaz e não reuniu as condições políticas para realizar as reformas da Previdência e Tributária, tarefas que agora têm que ser vencidas pelo governo Lula.

3 - Qualquer pessoa minimamente informada sabe que o desempenho econômico de um país é resultado dos investimentos do ano anterior. Assim, o fraco desempenho da atividade econômica de 2003 é resultado direto dos investimentos e das condições econômicas de 2002, quando o PSDB era governo. O Brasil deverá crescer em 2003, cerca de 1,5%, consoante à média de crescimento medíocre dos últimos dez anos, que abrangem a era tucana.

4 - O governo Lula herdou do governo anterior uma inflação em alta, uma taxa de juros básica de 25%, risco-país de 2400 pontos, relação dívida/PIB de 57% e o dólar a R$ 3,5. Em apenas seis meses a inflação está em queda, o risco-Brasil caiu para menos de 800 pontos, o câmbio está estabilizado em cerca de R$ 2,8, a relação dívida/PIB caiu para 53% e os juros começam a cair. O governo Lula teve que agir para estancar e reverter a crise herdada, restabelecendo a credibilidade e a confiança do país. O novo governo foi obrigado a agir condicionado pela realidade negativa, deixada por oito anos de governo do PSDB. Há que se enfatizar também que o governo Lula herdou um Orçamento que permite investimentos quase nulos.

5 - A agenda do governo Lula é a agenda do desenvolvimento, com a criação de emprego e distribuição de renda, do desenvolvimento do mercado interno, do incremento das exportações, da modernização tecnológica, da eficiência e inovação produtivas, do combate à exclusão social, do aprofundamento da democracia e da inserção soberana do Brasil no contexto internacional. Esta agenda é muito diversa da agenda neoliberal tucana, que aprofundou nossa dependência externa e desnacionalizou nossas empresas, quebrou a produção nacional e gerou estagnação e desemprego, efeitos perversos que se refletem até hoje na economia. O governo está tomando medidas para aumentar os investimentos públicos, principalmente em infra-estrutura, está criando a confiança para atrair investimentos privados e estrangeiros, está buscando remediar o desastroso sistema regulatório herdado do governo anterior e está potencializando o crédito e favorecendo a diminuição dos juros bancários. Essas medidas deverão se traduzir em crescimento da economia, do emprego e da renda nos próximos anos, superando o ciclo do baixo crescimento dos últimos dez anos.

6 - Sem deixar de lutar por universalização de direitos, com igualdade e eqüidade, principalmente nas áreas da saúde, educação e seguridade social, o governo Lula também adota políticas sociais específicas e focalizadas para combater a fome e a pobreza, para distribuir renda, para suplantar o analfabetismo e para fazer a reforma agrária. O governo anterior, além de deteriorar os direitos universais, não adotou medidas significativas para superar as condições de pobreza e exclusão de milhões de brasileiros.

7 - A nota do PSDB resvala na adjetivação, na pressa, no açodamento, demonstrando que o partido ainda está desorientado no seu novo papel de oposição. O PSDB não pode se esquecer que passou por um julgamento recente nas urnas e que teve sua atuação de oito anos de governo reprovada pelo eleitorado. Seria bom para o PSDB, para a democracia e para o país se os juízos fossem mais cautelosos, menos apressados e mais responsáveis. O governo Lula encontra dificuldades, é certo, erra algumas vezes, também é certo. Mas, até agora, os acertos foram muito maiores do que os erros. O Brasil só superará suas imensas dificuldades se cada agente político agir com seriedade, serenidade e responsabilidade. Estes critérios devem balizar tanto o comportamento do governo, quanto o da oposição.

José Genoino Presidente nacional do PT

 
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