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América Latina irrita os EUA: Argentina e Brasil apoiam a Cuba na ONU

18.04.2003 | Fonte de informações:

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Brasil e Argentina votaram contra a moção condenando a Cuba na quarta-feira na Comissão sobre Direitos Humanos da ONU, frustrando as intenções de Washington.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil já tinha dito que não iria apoiar a iniciativa de Washington contra Cuba, o que era uma continuação da política da Brasília sobre este assunto. Porém o que surpreendeu foi a posição da Argentina, que alterou a tendência da última década e decidiu votar a favor de Havana, política que está a causar preocupações em Washington e alegria em Havana.

“Os Estados Unidos da América estão desapontados pela alteração de posição da Argentina após mais do que uma década de apoio a assuntos de direitos humanos em Cuba”, diz uma nota oficial enviada pela Embaixada dos EUA em Buenos Aires, que realça a situaçºão em torno da execução dos três raptores que tentavam tomar um ferry-boat na semana anterior e levá-lo a Flórida, e o subsequente imprisionamento de dezenas de dissidentes.

De facto, Fidel Castro nada fez para ganhar amigos no continente sul-americano depois das execuções, um acto que até provocou o repúdio de José Saramago, Laureado Nóbel da Literatura português que costuma apoiar a revolução de Castro, considerando que não era necessário matar os raptores.

Presidente Duhalde de Argentina fundamentou a sua posição na grave crise económica em Cuba, especialmente após o final da União Soviética. “A Argentina não pode condenar a Cuba, um pequeno país bloqueado, achamos que não é o momento certo para condenar a Cuba, como se estivéssemos a desencadear uma guerra unilateral que viola os direitos humanos básicos”.

Tendo falado com o seu homólogo brasileiro, Presidente Duhalde afirmou que não tinha dúvidas de que estava representando os desejos do povo argentino. Sem dúvida tinha razão porque a maioria dos argentinos tem um ponto de vista positivo sobre o governo de Fidel Castro. O que não disse foi que a sua decisão também está ligada à campanha eleitoral – o seu candidato Nestor Kirchner precisa urgentemente de votos.

De qualquer forma, a decisão da Argentina esclarece a situação: Buenos Aires tem de desenvolver uma política externa em conjunto com o Brasil e deixar pata trás anos de alinhamento automático com Washington. Depois do empenho duvidoso do MNE da Argentina sobre a invasão dos EUA contra o Iraque, este país tem de decidir se fica com o Brasil e o resto da América Latina ou se volta às políticas servis dos anos noventa.

Hernan ETCHALECO PRAVDA.Ru BUENOS AIRES ARGENTINA

 
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